Com orçamento quase 45% menor, esporte brusquense tem projeção de ano difícil

Entre os desafios, estão o início da Vila Olímpica e as reformas da Arena Brusque

  • Por Redação
  • 13:51
  • Atualizado às 15:39

Com orçamento quase 45% menor, esporte brusquense tem projeção de ano difícil

Entre os desafios, estão o início da Vila Olímpica e as reformas da Arena Brusque

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Se o tempo pudesse ser apagado com uma borracha, a maior parte dos atletas e associações esportivas de Brusque tratariam de erradicar 2016. O ano foi desastroso: não contou com Jogos Abertos de Santa Catarina (Jasc), a prefeitura não teve condições de levar atletas para as Olimpíadas Escolares (Olesc) e, para concluir o pesadelo, houve uma redução inesperada na última parcela do bolsa-atleta, que deveria ser de R$ 9 mil para as entidades esportivas, mas caiu para R$ 7 mil – para honrar compromissos, algumas equipes precisaram fazer rifas e outros malabares.

Mas 2017 mal começou e já não há boa projeção para quem leva o esporte a sério. O orçamento proposto e aprovado pela Câmara de Vereadores conta com um corte de mais de 40% em comparação com 2016. A decisão pelo fim da Fundação Municipal de Esportes (FME) e, portanto, enfraquecimento da autonomia administrativa do setor esportivo toma cada vez mais corpo.

Ou seja: quem tiver a responsabilidade de estar a frente da administração esportiva do município terá problemas que se acumularam nos últimos anos, precisará enfrentar com um dos orçamentos mais apertados e, possivelmente, sem tanto poder de decisão.

Arena Brusque

Um dos grandes ‘abacaxis’ que a nova administração esportiva de Brusque terá de descascar diz respeito à Arena Brusque. Desde 2005, data de fundação, o local não recebe uma grande reforma. Isso gerou severos problemas, principalmente no telhado. Em dias de chuva, a quadra fica completamente encharcada e perigosa para quem a utiliza.

Na Arena, são realizadas, sem custos, partidas e treinos de basquete, treinos de handebol, partidas de futsal além de competições diversas. Isso gera um custo, principalmente de energia, que no fim das contas fica a cargo da própria FME pagar. Cabe à atual administração decidir: muda-se a atitude quanto aos empréstimos gratuitos ou segue com a prática, sabendo que o orçamento para 2017 é pequeno.

Vila Olímpica

Desde 2014, a famigerada Vila Olímpica é uma promessa de escape da prefeitura de Brusque para que as modalidades esportivas tenham um espaço público e de qualidade. Um terreno de quase 375 mil metros quadrados no bairro Volta Grande foi adquirido ainda naquele ano pelo valor de R$ 3,74 milhões, mas até hoje o projeto não saiu do papel.

Em 2015, já sob a administração interina de Roberto Pedro Prudêncio Neto, os responsáveis por modalidades e eventos que ocupam os terrenos da família Hoffmann – kartódromo municipal, pista de bicicross, Fenajeep, CTG Laço do Bom Vaqueiro, entre outros – foram avisados de que a Vila Olímpica seria uma realidade e todos deveriam deixar os terrenos para que os reais donos tomassem posse. Ainda nada foi feito no Volta Grande, apesar do grande volume de dinheiro investido.

Competições desprestigiadas

Mais uma missão será a de fazer com que o brusquense volte a acompanhar o esporte. Depois de um bom retorno das principais competições amadoras para o comando da FME em 2014, os últimos dois anos foram de total desprestígio de público.

Finais de campeonato às moscas e aberturas oficiais de competições apenas com os participantes integrando as arquibancadas mostram que o público de Brusque não aprecia mais a atividade esportiva como fazia em um passado recente. A cidade perde para Guabiruba, que conta com aproximadamente 22 mil habitantes, mas está sempre presente nas principais competições realizadas.

Bolsa-atleta

O Bolsa-atleta de Brusque, que foi instituído em 2010, sofreu algumas mutações. Inicialmente serviria para o atleta que, dependendo de seu ranking, receberia um determinado valor em dinheiro – com teto, à época, de R$ 1,5 mil. Mas com o tempo mudou, e os representantes de associações passaram a receber os valores para ratear entre seus competidores.

Em 2016, as modalidades consideradas pela FME como principais (futsal feminino, basquete adulto masculino, atletismo feminino) deveriam receber nove parcelas de R$ 9 mil, mas receberam oito de R$ 9 mil e a última, depois de mais de duas semanas de atraso, no valor de R$ 7 mil.
Com menos dinheiro em caixa, o bolsa-atleta precisará passar por mais uma reestruturação, já que poucas modalidades ficam com a maior fatia e a maioria dividem o que sobra. Dessa vez, com os cortes, essa maioria ficaria ainda mais prejudicada.

Jogos Abertos de Santa Catarina (Jasc)

A prefeitura de Brusque deverá decidir qual será sua prioridade em termos de Jasc – ou mesmo, cogitar deixar de priorizar a competição já bastante enfraquecida nos últimos anos. Investir em atletas de fora do município para acumular pontos nos Jasc, considerando um orçamento tão baixo, pode significar deixar de investir nas pratas da casa.

Se o calendário da Fesporte não for alterado, as entidades precisarão participar, mais um ano, enviando atletas para Olesc, Joguinhos Abertos, Jogos Escolares e Jasc. Todas as competições geram custos para a pasta esportiva com transporte, alimentação e estadia das delegações.

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