Vez e outra ouvimos falar em “surto de conjuntivite”. Normalmente as escolas ou locais de grande aglomeração de pessoas são os locais mais afetados, e é difícil apenas uma pessoa ficar contaminada. Professoras/professores, assim como chefes de setores de trabalho, logo orientam o indivíduo a ir para casa, para evitar contaminação aos demais.

É muito importante saber como se dá a contaminação, para poder evitá-la. Digo por experiência própria, lidando há mais de 10 anos com conjuntivites altamente contagiosas, e nunca ter adquirido a infecção de algum paciente. Quando se trata de conjuntivite infecciosa, surgem duas perguntas muito comuns: 1) Essa preocupação toda realmente é necessária? 2) O vírus transmite-se pelo ar?

As respostas são SIM e NÃO.

Sim, a preocupação com o contágio é necessária e importante. A conjuntivite pode afetar grandemente a qualidade de vida do acometido e, além do desconforto no momento da infecção, poderá causar baixa visual prolongada e suficiente para prejudicar suas atividades. Portanto, na suspeita de conjuntivite, é importantíssimo tomar os cuidados necessários para seu correto tratamento e evitar o contágio aos demais. O primeiro passo é obter um diagnóstico correto. Afinal, nem todo olho vermelho lacrimejante é conjuntivite, e um diagnóstico inadequado poderá levar a quadros catastróficos, inclusive a cegueira! Portanto, a avaliação com oftalmologista é necessária para garantir que realmente trata-se de conjuntivite e, ainda, classificar seu tipo (por exemplo, infecciosa ou não-infecciosa, viral ou bacteriana) e tratamento específico para cada caso.

Não , a conjuntivite não se contrai pelo ar. Você não vai ser contaminado por olhar para alguém com conjuntivite, assim como não irá evitar um contágio abrindo as janelas do recinto. A principal fonte de contaminação são nossas MÃOS. Ao entrar em contato com secreções contaminadas, nossa mão passa a ser vetor desta contaminação. Ou seja, nos locais em que ela encostar, estará propagando o microorganismo àquele local. Em se tratando de vírus de conjuntivite, há tipos altamente resistentes, que podem sobreviver por diversos dias em alguns objetos. Ao entrar em contato com tais objetos, a pessoa estará contaminando suas mãos, mesmo sem ver alguém com conjuntivite. Ao tocar seus olhos, poderá adquirir a doença.  Portanto, lave sempre as mãos! Água e sabão são a forma ideal. Na impossibilidade de lavá-las, use álcool 70%, assim como nas superfícies potencialmente contaminadas.

Outras fontes comuns de infecção são: toalhas de rosto, fronhas, lenços de pano e, sim, a maquiagem! Esses objetos não devem ser compartilhados na vigência de infecção, e a maquiagem, se utilizada, deverá ser descartada.

Ter conhecimento das formas de contágio é fundamental para evitá-lo. Sendo altamente cuidadosa e cuidadoso, você raramente será contaminado e não derramará lágrimas desnecessárias.


Maiara Dalcegio Favretto
– Oftalmologista