Como a oposição se tornou minoria na Câmara de Vereadores de Brusque

Base governista tem maioria folgada atualmente, com dez doa 15 votos

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Base governista tem maioria folgada atualmente, com dez doa 15 votos

No terceiro ano da legislatura, a oposição na Câmara de Vereadores está reduzida a cinco parlamentares. O grupo era maioria no início do atual mandato, mas uma série de acordos e desavenças o desmanchou.

No início da legislatura, nove vereadores fizeram um acordo para a escolha dos presidentes da Câmara nos quatro anos. Os nove eram: Ana Helena Boos (PP), Cleiton Bittelbrunn (PATRI), Claudemir Duarte, o Tuta (PT), Celso Emydio da Silva (DEM), Jean Pirola (PP), Leonardo Schmitz (DEM), Marcos Deichmann (PATRI), Paulo Sestrem (PATRI) e Sebastião Lima (PSDB).

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Entretanto, Silva desde o início deixou claro que não faria oposição ao governo Jonas Paegle (PSB). Ele explica que conhece e é amigo do prefeito e tem confiança nele.

A oposição, teoricamente, tinha, então, oito votos. Seria o suficiente para aprovar os projetos de lei ordinária, que exigem maioria simples.

Apesar disso, a vasta maioria dos projetos enviados pela prefeitura foi aprovada. Eleitos em 2016, já com o discurso de “nova políticia”, os parlamentares se posicionaram no sentido de não ser “oposição por politicagem”.

Dissidências
Jean Pirola foi o presidente em 2017, primeiro ano da legislatura, e no segundo assumiu Celso da Silva, conforme previa o acordo firmado antes do início do mandato.

No biênio 2017/2018, a oposição foi aos poucos se desidratando. Um dos vereadores conta que houve pressão da prefeitura para que parlamentares fossem para a base governista oficialmente.

Independemente disso, o PP foi o primeiro a fechar com o governo. Jean Pirola passou a apoiar a administração de Jonas Paegle e Ari Vequi (MDB) na Câmara.

Pirola diz que o partido já conversava com o governo desde antes da legislatura. Ele afirma que o pedido da prefeitura foi no sentido de que o PP ajudasse a governar, o que ele acatou.

O PP hoje integra oficialmente o governo e tem alguns cargos comissionados. A última indicação feita pelo partido foi Sidnei Dematé, mas há outros nomes, como o diretor do Procon, Volnei Montibeller.

Pirola diz que todas as indicações do partido são pessoas técnicas. Ele defende as indicações porque são pessoas que “já fizeram bons trabalhos”.

Cleiton Bittelbrunn, por sua vez, primeiramente resolveu sair do grupo da oposição e se declarou independente. Mas neste ano oficializou a ida para a base do governo.

Questionado sobre as informações de que teve indicações de cargos comissionados, ele nega. Bittelbrunn diz que foi para o governo “para o melhor para a nossa sociedade”.

O Democratas também fechou apoio ao governo Jonas e Ari. Nas eleições, o seu presidente Jonas Bosio concorreu e foi adversário político, mas passado o pleito o partido resolveu dar sustentação ao antigo algoz.

Celso Emydio da Silva sempre teve posicionamento a favor do governo. Mas Leonardo Schmitz era da oposição. Ele também passou para a base do governo, juntamente com o partido, que tem indicações de cargos na prefeitura.

Schmitz diz que mesmo não sendo mais parte do grupo antigo, continua a cobrar obras e ações que julga importantes. Ele defende a atual administração: “com o passar do tempo, percebi a idoneidade do governo”.

Eleição
O desmanche da oposição se materializou nas eleições para a presidência neste ano. O acordo previa Paulo Sestrem no cargo, mas a base governista articulou e votou em José Zancanaro (PSB), eleito para o biênio 2019/2020, apesar de haver acordo para que Ivan Martins (PSD) seja presidente ano que vem.

Sestrem acabou sem apoio. Leonardo Schmitz, que antes acompanhava esporadicamente a oposição em seus votos, votou em Zancanaro. As informações apuradas nos bastidores dão conta de que o governo exigiu o voto dele ao DEM.

Continuidade
Atualmente, a oposição é formada oficialmente por Tuta, Lima, Sestrem e Deichmann. Ana Helena também faz parte do grupo, mas informalmente, porque no papel do PP é da base.

Lima diz que a intenção é dar continuidade no seu mandato com a mesma postura de não negociar e votar a favor de matérias importantes para a cidade.

Tuta avalia que o governo tem muito a melhorar, mas ainda assim não faz “oposição por raiva” e já votou em prol de matérias da prefeitura. “Estamos fazendo um papel bacana porque estamos ajudando o governo, mas sem pedir cargos”.

“Apesar de não estar no grupo da base, tenho bom relacionamento com o Executivo”, declara Ana Helena.

Sestrem também destaca que a oposição é “sadia”. “É uma oposição que não briga por partido, mas sim pelas situações da cidade”.

Vice-prefeito defende realizações do governo

O principal articulador do governo é o vice Ari Vequi, que afirma que é importante ter a maioria para administrar a cidade. Ele diz que a ida de Deivis para a Secretaria de Assistência Social e a entrada de Alessandro Simas (PSD) como líder de governo foi importante para galvanizar a base.

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Vequi afirma que a oposição sempre foi sadia e votou a favor de projetos do Executivo nos dois primeiros anos. Mas pensando em reformas mais importantes, como a administrativa, é preponderante ter dez votos.

O vice não vê problemas nas indicações de cargos por partidos – hoje todos DEM, PP e PATRI têm indicados por vereadores. “Sempre digo que quem está com o governo na hora difícil tem que estar na hora boa, de mostrar as coisas boas que fizemos”.

Segundo Vequi, o governo aceita sugestões, porém, nada impede mudanças. Ele cita como exemplo a saída de Norberto Maestri, o Kito, que é do MDB, recentemente. “Não há questão partidária acima das questões administrativas”, declara.

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