Carpinteiro em Guabiruba ergue casa na mata e vive sem rede elétrica
Imagens revelam como funciona uma rotina distante, sem infraestrutura convencional
A poucos quilômetros da área urbana de Guabiruba, em um ambiente remoto onde a cobertura de telefonia móvel é limitada, há um cotidiano que contrasta de forma direta com o ritmo acelerado da vida moderna.
No bairro São Pedro, ao final da rua Luís Baron, uma estrada não pavimentada conduz a um ponto onde o silêncio domina e a presença humana se restringe a uma única residência, cercada pela mata e o som contínuo de um riacho.
Rotina isolada em Guabiruba
Diante deste cenário vive Altair de Farias, de 64 anos, um morador que decidiu, há mais de uma década, romper com os padrões convencionais de moradia e consumo.
A escolha não foi circunstancial. Afastar-se da cidade representou, sobretudo, a busca por autonomia, tranquilidade e uma relação direta com os próprios recursos disponíveis no local onde optou por fixar residência.
Carpinteiro aposentado, com experiência também nas áreas de construção civil e elétrica, Altair colocou em prática os conhecimentos acumulados ao longo da vida ao erguer, em 2014, a própria casa.

Autonomia em Guabiruba
Desde o início, o projeto foi então pensado para funcionar de forma independente da rede pública de energia.
Nesse contexto, uma roda d’água instalada no curso do riacho passou a gerar eletricidade suficiente para atender às necessidades básicas do imóvel.
Além disso, uma placa solar complementa o sistema, garantindo o funcionamento de equipamentos essenciais e o aquecimento da água utilizada no dia a dia.
Com efeito, a combinação entre soluções hidráulicas e energia solar permite uma rotina estável, mesmo em um local completamente afastado da infraestrutura urbana tradicional.
A opção por viver sem acesso direto à rede elétrica convencional impõe limites, mas também redefine prioridades.
Não há excesso de aparelhos, tampouco dependência de tecnologias que exigem alto consumo energético.
Em contrapartida, o lugar oferece tranquilidade permanente, ausência de ruídos urbanos e um cotidiano guiado por ciclos naturais, como a luz solar e as condições do tempo.
Escolha consciente
Apesar do isolamento geográfico, pois, a rotina não é marcada por solidão.
O convívio com a natureza, a autonomia conquistada e a organização do espaço garantem uma vivência plena, estruturada em escolhas conscientes.
Para Altair, viver com menos não representa perda, mas adequação a um modo de vida que prioriza controle sobre o próprio tempo e os próprios recursos.
Nesse sentido, a história registrada no bairro São Pedro expõe uma alternativa concreta às dinâmicas urbanas tradicionais.
Trata-se de uma experiência que desafia padrões de consumo, questiona dependências estruturais e demonstra que a vida fora dos centros urbanos pode ser funcional, estável e organizada, mesmo diante de limitações evidentes.
Objetos antigos
O interior da casa revela outro aspecto marcante dessa escolha de vida. O espaço abriga uma extensa coleção de objetos antigos, reunidos ao longo dos anos.
Máquinas de escrever, bicicletas, veículos clássicos e outros itens fora de circulação compõem um acervo que transforma a residência em um ambiente de preservação da memória material.
Cada peça, pois, mantém sua função original ou é conservada como registro de um período específico.
Galeria de fotos
Por fim, as imagens que acompanham esta reportagem ampliam a compreensão dessa realidade, ao revelar detalhes do local, da moradia e do cotidiano construído em meio à mata.
A galeria de fotos permite observar, com maior precisão, os elementos que sustentam essa escolha de vida.