Confira o artigo do historiador Paulo Kons sobre os 145 anos da Paróquia São Luis Gonzaga

Há exatos 145 anos, em 31 de julho de 1873, a lei provincial nº. 693 criou a Freguesia (Paróquia) São Luiz Gonzaga

Confira o artigo do historiador Paulo Kons sobre os 145 anos da Paróquia São Luis Gonzaga

Há exatos 145 anos, em 31 de julho de 1873, a lei provincial nº. 693 criou a Freguesia (Paróquia) São Luiz Gonzaga

A memória e o conhecimento da própria história, além de instigar nossa atitude crítica perante a vida e nós mesmos, são patrimônios singulares e muito preciosos de uma comunidade. São formadores da matéria-prima essencial e insubstituível à construção do amanhã. A consciência do que fomos e do que somos é que nos permite, dia a dia, moldar o que seremos, ou do que poderíamos vir a ser. Assim entendemos relevante deixarmos os “fatos falarem”, ressaltando o traço humano nos episódios históricos e  compartilhamos o pensamento do teólogo Dietrich Bonhoeffer (enforcado pelos nazistas) de que “o respeito pelo passado e a responsabilidade pelo futuro dão à vida a direção certa”.

A Lei Provincial nº. 693 criou a Freguesia (Paróquia) São Luiz Gonzaga em 31 de julho do ano da graça do Senhor de 1873, na festa de Santo Iñigo López de Oñaz y Loyola, mais conhecido no Brasil como Santo Inácio de Loyola, fundador da Companhia de Jesus, ordem a qual São Luís Gonzaga integrou até ser vitimado precocemente em função de sua dedicação aos atingidos pela peste, na noite de 20 para 21 de junho do ano de 1591, em Roma. No tempo presente o mais eminente integrante da Ordem Jesuíta é o Papa Francisco.

Desde a chegada dos imigrantes pioneiros, que em 4 de agosto de 1860 instalaram o núcleo colonial Itajahy (Brusque), o diretor da Colônia, Barão austríaco Maximilian von Schneéburg, reivindicava junto ao governo provincial um sacerdote católico. Em 9 de junho de 1861 a colonia Itajahy (Brusque) recebeu a primeira visita eclesiástica. Proveniente da freguesia (paróquia) São Pedro Apóstolo de Gaspar, Padre Francisco Maximiliano Alberto Gattone permaneceu sete dias com os colonos.

Em 1.862, Schneéburg oficia ao presidente da Província de Santa Catarina, Padre Dr. Vicente Pires da Mota, reivindicando a criação da Freguesia.  Até aquele ano, quatro capelas foram instaladas no núcleo colonial, sendo que três já haviam sido abençoadas pelo Padre Gattone. A primeira delas foi a igrejinha construída em fins de 1861, dedicada a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro – “Maria Hilfskapelle”- na Guabiruba Norte.

Na sede da Colônia, as funções religiosas eram realizadas, inicialmente, num galpão que abrigava imigrantes e, posteriormente, numa frágil capelinha.

Após infrutífera espera, Pedro José Werner e Pedro Jacob Heil, em 21 de maio de 1864, solicitaram a administração da Colônia permissão para construírem – com recursos próprios e de outros fiéis – uma igreja na sede, sob a invocação de Nossa Senhora do Socorro, “por ser esta a padroeira escolhida pelos colonos”, conforme atesta o Barão von Schneéburg em documento remetido ao presidente da Província. Medindo aproximadamente oito metros de largura por 15 de comprimento, o templo contava com 28 bancos, um confessionário, o altar mor envernizado e um sino de sete arrobas.

Festiva e solenemente abençoada nos dias 17 e 18 de novembro de 1866, pelo Padre Gattone, a igreja localizava-se onde atualmente encontra-se a imponente Matriz São Luís Gonzaga.

O referido sino foi doado ao Museu Arquidiocesano Dom Joaquim, em Azambuja, e é conhecido por “Ana Suzana”.

Em 16 de abril de 1.867, através de Portaria Imperial, foi criada a Capelania, sendo o padre Alberto Gattone transferido para a Colônia.

A criação da Paróquia
A freguesia de São Luiz Gonzaga, reivindicada por Schneéburg desde 1862, foi criada em 31 de julho de 1873, através da Lei Provincial nº. 693.  Engenheiro civil graduado pela Universidade do Brasil, o Dr. Luís Betim Pais Leme constitui-se no mais profícuo administrador das Colônias Itajahy e Príncipe Dom Pedro – formadoras da Freguesia de São Luís Gonzaga. Paes Leme foi diretor das Colônias de 1º. de janeiro de 1872 a 1º. de dezembro de 1875. Além da conclusão da ligação rodoviária com o porto de Itajaí, na sua gestão foi construída a Casa da Diretoria e deu início a construção da Igreja Matriz.

Com pedra fundamental lançada no Dia de São Luís Gonzaga de 1974 (21 de junho), “o mais belo templo da Província de Santa Catarina”, segundo o Presidente da Província, foi solenemente abençoado em 1877, pelo padre Gattone. O gótico templo foi demolido somente em 1953.

Além de Padroeiro, o protetor mundial dos jovens – por sua tenacidade e perseverança em perseguir o ideal de santidade, desde a mais terna idade – vitimado precocemente em função de sua dedicação aos atingidos pela peste, no ano de 1591, em Roma, São Luís Gonzaga também deu origem à primeira denominação de nosso Município, quando criado a 23 de março de 1881, através da Lei Provincial Nº 920. A instalação do novo Município deu-se somente em 8 de julho de 1883, com a posse dos primeiros vereadores, que administravam os municípios no período imperial. A denominação São Luiz Gonzaga foi alterada para Brusque em 17 de janeiro de 1890. São Luís Gonzaga é também intercessor das pessoas acometidas da Síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS).

Padre Gattone permaneceu em Brusque até 1882. Seus sucessores foram os Padres Arcângelo Gananini, João Fritzen e Antonio Eising (Frei Capistrano).

Padre Antônio Eising, nomeado em 18 de agosto de 1892 cura da Paróquia São Luís Gonzaga, teve uma atuação decisiva para a consolidação da Paróquia. Comprou uma área de 92.956 m², onde a paróquia está sediada e adjacências em 14 de novembro de 1893. Crescendo o número de romeiros e vendo a importância espiritual que alcançava Azambuja, Padre Antônio Eising iniciou a construção de uma nova igreja em 1892. Com 12 metros de comprimento e 10 metros de largura, fora o presbitério, a obra foi concluída em 1894.

Em 4 de abril de 1884, a Lei Provincial nº 1074 criou o Curato de Nova Trento, vinculado a Paróquia São Luís Gonzaga.

A primeira Visita Pastoral, realizada por Dom José Camargo de Barros, Bispo de Curitiba, ocorreu em 25 de agosto de 1895. Foram dois dias e meio de muitas atividades.

A Paróquia de São João Batista esteve anexa a Paróquia São Luís Gonzaga de 1899 até 1902.

Em abril de 1900, Padre Eising comprou para a paróquia São Luís Gonzaga o lote nº. 16 da linha Azambuja, pertencente a Pietro Colzani. Em 1901, foi construída uma casa de madeira, onde foram colocados doentes: metade para doentes gerais e metade para doentes mentais. Quando da inauguração oficial, na solenidade dos apóstolos São Pedro e São Paulo, em 29 de junho de 1902, a Santa Casa de Misericórdia já englobava um hospital, um asilo, um orfanato e um hospício. Também de iniciativa do Padre Eising, a fundação da Escola Paroquial, a primeira Escola Católica de Brusque, que localizava-se na antiga casa do imigrante alemão Carl Marcus Peiter (ferreiro) e que depois pertenceu  aos Krieger (alfaiataria) onde funcionou de 1903 a 1908.

Padres Dehonianos assumem a Paróquia

Em 1904 os Padres do Sagrado Coração de Jesus assumiram a Paróquia. O Padre Gabriel Lux, assume os trabalhos como Vigário de Brusque de 1904 a 1905. Em 1º. de setembro de 1905, Dom Duarte Leopoldo e Silva (Bispo de Curitiba) separou da Paróquia, o Santuário de Azambuja, que permaneceu como curato.

Fundador da Congregação dos Padres do Sagrado Coração de Jesus, Padre João Leão Dehon visitou Brusque em 10 de novembro de 1906. Na ocasião Padre Dehon declarou a casa de Brusque “Notre Maison”, casa central de sua fundação missionária.

Primeiro Bispo de Florianópolis, Dom João Becker realizou sua Visita Pastoral a Brusque de 22 a 27 de maio de 1909.  Durante sua visita, Dom João inaugurou a nova sede do Colégio Paroquial, posteriormente Santa Antônio. Hoje Colégio São Luiz.

Em 31 de julho de 1912, através de Decreto Episcopal, foi desmembrado de Brusque a Paróquia de Porto Franco (hoje Botuverá), tendo por orago São José, esposo da Virgem Maria.

Padre Germano Brand, em 12 de setembro de 1923, lançou a pedra fundamental do primeiro Seminário Menor, que foi denominado de Colégio Sagrado Coração de Jesus. Também sob a liderança do sacerdote houve a criação de um engenho de serra e uma oficina de fabricação de móveis. Em 24 de março de 1929 ele fundou a Tipografia Leão Dehon, que além de atender às encomendas do comércio, editou a Revista “Der Wegweiser”, que em português significa “Rumo da Vida”. O periódico chegou a contar com oito mil assinantes. Em 1930 a paróquia de Brusque conseguiu adquirir um órgão de tubo e quatro sinos de bronze, provenientes da Alemanha. Padre Germano foi o responsável também pela construção da Casa São José e a criação da Escola de Agricultura e Comércio, a pioneira em Santa Catarina.

Em 23 de abril de 1953, após a transladação da imagem de São Luís Gonzaga para a Casa São José, previamente preparada para funcionar como Igreja Matriz, foi dado início a demolição do templo utilizado para o culto divino durante mais de sete décadas. Em 25 de abril de 1955 foi procedida a benção da pedra fundamental da nova Matriz, projeto arquitetônico do arquiteto alemão Gottfried Boehm. As Missas passaram a ser celebradas no novo templo no ano de 1962. Totalmente construído de blocos irregulares de granito, possuindo 16 colunas a sustentar a abóboda de 26,40 metros e um imponente pórtico, que abriga os sinos, a Igreja Matriz São Luís Gonzaga marca o centro de Brusque.

Idealizada pelo Padre professor doutor Orlando Maria Murphy-SCJ, a Fundação Educacional de Brusque – FEBE foi criada em 1973.

A Freguesia (Paróquia) de São Luiz Gonzaga é a paróquia mãe das Paróquias São José (de Porto Franco, hoje Botuverá, e desta a Paróquia de São Sebastião, de Vidal Ramos), a Paróquia São Virgílio de Nova Trento, a Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro (Guabiruba), as paróquias São Judas Tadeu, Nossa Senhora de Azambuja, Santa Catarina e Santa Teresinha (Brusque). A Paróquia São João Batista esteve anexa à Paróquia São Luís Gonzaga de 1899 até 1902.

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