Não é fácil ser zagueiro. O atleta desta posição pode ir do céu ao inferno na mesma partida, sofre muita cobrança e qualquer erro pode ser crucial para a vitória adversária. Natural, portanto, que muitos desses jogadores optem por uma postura mais rude, bruta, maltratando a bola e fazendo de tudo para ela não se aproximar da meta. Mas não Leandro José Galitzki.

Zagueiro oito vezes campeão e com passagens por Carlos Renaux, Santos Dumont, Cedrense, São Cristóvão, Bilú e Angelina, onde encerrou a carreira de atleta amador no início dos anos 2000, Galitzki preferia desafogar a defesa e sair jogando. Ele também aproveitava a velocidade que seus poucos quilos o proporcionavam para ajudar suas equipes a avançar e lançar a bola para o ataque.

Apesar da sua preferência no toque de qualidade e da alta estatura que o permitiria cabecear nas bolas paradas, Galitzki confessa que não era da turma dos goleadores. “Se eu fiz cinco gols nesses anos todos foi muito. Não costumava subir, preferia cuidar da defesa”, explica o ex-atleta, hoje com 51 anos.

Começo tricolor
Foi no Vovô do Futebol Catarinense que o zagueiro teve suas primeiras oportunidades. Ele entrou nas equipes de base do Carlos Renaux, mas não descobriu a sua posição principal nos primeiros anos de bola. A lateral-direita foi o local de trabalho de Galitzki por um bom tempo.

“Se eu fiz cinco gols nesses anos todos foi muito. Não costumava subir, preferia cuidar da defesa”

Segundo o ex-jogador, o seu diferencial era justamente o fôlego que o permitia vencer os oponentes na corrida.

“A gente treinava bastante durante a semana, e esse meu começo na lateral me deixava com bom preparo físico. Eu tinha um bom pulmão”, brinca.

Foi nesse período, atuando na posição que defende mas também apoia o ataque, que Galitzki descobriu os macetes para jogar com qualidade. Habilidade que seria outro diferencial quando o atleta passou a jogar na zaga.

Depois da enchente de 1984, o Carlos Renaux deixou de ter equipe profissional e, por isso, Galitzki passou a atuar no time amador do tricolor em 1985, onde jogou por muitos anos.

Pelo tricolor, ele jogou com grandes nomes, como Robson Machado, o Bob, hoje vice-presidente do clube; Clésio, ex-zagueiro profissional campeão catarinense com o Brusque; e Ademir de Souza, o Toto, atual superintendente da Fundação Municipal de Esportes (FME).

Com o Carlos Renaux, o zagueiro jogou os campeonatos da Liga Desportiva Brusquense (LDB), da Copa Rádio Cidade e da FAB, outra liga presente nas décadas passadas.

Jogos da memória
As duas décadas dedicadas ao futebol renderam não apenas boas histórias, mas também lições de vida. Na Copa Rádio Cidade de 1987, o elenco do Carlos Renaux, bastante unido e focado no título, sofreu dura derrota para o Guarani.

A equipe estava vencendo a grande final por 2 a 1 e tinha um pênalti para cobrar, perdido por Agenor, e na sequência o Guarani virou o placar e levantou a taça.

No vestiário o clima era de velório. O goleiro Poli, outra figura bem conhecida no Renaux, fez as vezes de motivador. “Ele chegou pra gente e disse que isso foi uma lição, e que seríamos campeões invictos do amador da liga naquele ano. E não deu outra”, explica.

Galitzki viveu bem o período em que o Carlos Renaux estava desativado profissionalmente, enquanto o arquirrival Paysandú ‘tirava onda’ por ainda seguir representando Brusque nas competições oficiais.

Mas, no 11 contra 11, como explica o ex-zagueiro, as coisas eram bem diferentes. “Lembro de um jogo preparatório para o Catarinense, do Paysandú, que eles jogaram com nosso time amador lá no estádio deles. No fim, ganhamos por 1 a 0”, conta aos risos.

Mas o baú de memórias de Galitzki não reserva apenas boas histórias. Como todo zagueiro, ele viveu momentos de falhas fatais. “Em uma decisão de campeonato, eu decidi atrasar a bola para o goleiro. O problema é que toquei muito curta, o adversário roubou ela e marcou”, explica.

Um dos piores momentos como atleta para Galitzki foi quando sofreu um ‘acidente de trabalho’. Ele teve uma contusão séria em uma final de Copa Rádio Cidade contra o XX de Junho. “Eu prendi minha chuteira no chão e quebrei o meu pé. Tive fratura de tíbia e perônio, e fiquei parado por seis meses, de licença até do meu serviço”, conta.

Saída dos gramados
Galitzki encerrou sua carreira amadora no início dos anos 2000, atuando pelo Angelina. Foi um período que antecedeu a grande máquina do bairro São Pedro, que conquistaria muitos títulos subsequentes, mas que teve início quando o ex-zagueiro ainda praticava o esporte.

“O campeonato amador perdeu o prestígio, porque alguns jogadores recebiam, outros não. Isso rachava elenco, desmotivava, além do que os times com melhores condições estavam sempre acima da média”

Além da saída para dar mais atenção à família, outro fator influenciou diretamente na sua opção por deixar os gramados. Segundo ele, o investimento financeiro em alguns atletas também prejudicou a competição.

“O campeonato amador perdeu o prestígio, porque alguns jogadores recebiam, outros não. Isso rachava elenco, desmotivava, além do que os times com melhores condições estavam sempre acima da média”, explica Galitzki.

Conteúdo exclusivo para assinantes

Quero assinar com preço especial
[Acesse aqui]

Sou assinante

Sou assinante do impresso,
mas não tenho login
[Solicite sem custo adicional]

Tire suas dúvidas, em horário
comercial, pelo (47) 3351-1980