Na mitologia grega, Midas era um rei que tinha o dom de transformar tudo o que tocava em ouro. Em outras proporções, o mesmo fenômeno aconteceu com Vilmar Gums, o Mala, em seu auge no campeonato amador de Brusque: por onde passou, acumulou troféus e glórias.

Atuando tanto como volante quanto como zagueiro, o hoje vereador de Guabiruba fez parte de um esquadrão praticamente imbatível do 10 de Junho, clube do município que, principalmente nos anos 1990, participava do campeonato da Liga Desportiva Brusquense (LDB). O time chegou a ser seis vezes campeão da competição entre 1989 e 1996.

O primeiro caneco
Crescendo no bairro Aymoré durante a década de 1970, Mala mostrou o talento para erguer troféus desde cedo. O volante se destacava não só apenas pela capacidade de conter os meias habilidosos, mas também pelo bom cabeceio na área que lhe rendeu muitos gols.

Em sua primeira competição, defendendo o próprio bairro, sagrou-se campeão municipal em Guabiruba. “Com 14 para 15 anos eu já tinha um futebol que se equiparava aos mais velhos. Entrei na competição nas partidas finais e conquistei o título”, conta.

Mala ainda guarda os contratos com equipes profissionais. Foto: Cristóvão Vieira

Depois desse ano, entre o fim da década de 1970 e início da década de 1980, Mala mudou-se para o Centro da cidade e passou a defender o Guabirubense, onde também conquistou canecos do municipal. Assim como acontecia com a maioria dos grandes talentos ascendentes, logo Mala chamou a atenção de equipes maiores: foi jogador do Paysandú, Chapecoense e Blumenau Esporte Clube, encerrando a carreira de atleta profissional após cinco anos.

Aos 28 anos o atleta voltou a jogar campeonatos amadores. Atuou em 1987 pelo Asa de Apiuna, onde recebia pelas partidas, mas em 1988 voltou ao esporte brusquense para atuar pelo Guarani. Não deu outra: mão na taça. “O Guarani queria fazer seu último ano de participação na LDB e buscaram montar um plantel forte para buscar o título, fui chamado por eles e esse foi o meu primeiro título da Liga”, explica.

Dedicação pelo 10 de Junho
O Guarani não deu segmento ao projeto na LDB e Mala Gums precisou mudar de clube. “Pensei assim: agora eu vou jogar no meu município. Vou mostrar meu futebol dentro de Guabiruba”. O time escolhido não poderia ter mais relação com ele. Os irmãos do volante eram envolvidos com o Clube Esportivo 10 de Junho e o pai acompanhava as partidas da equipe.

Mais uma vez, o atleta foi essencial para colocar o clube guabirubense no protagonismo do futebol amador regional. Pelo time, Mala conquistou o tricampeonato consecutivo entre 1989 e 1991, sendo no último ano campeão invicto.

Depois de um intervalo de dois anos, o time se reforçou e voltou a vencer, conquistando mais um tricampeonato consecutivo entre 1994 e 1996. “Em 1996 foi o último ano de futebol para o 10 de Junho, e foi formado um elenco muito forte. Até o Palmito atuou aqui”, explica. Mala lembra com alegria do período em que o clube era uma verdadeira máquina. “Aqui no nosso alçapão ninguém ganhava de nós”, completa.

Sequência campeã
O fim do futebol no 10 de Junho não significou o fim da carreira de Mala. Ele seguiu sua rotina campeã pelo Cruzeiro, no seu bairro de origem, o Aymoré, no ano de 1998, também pela Liga. No ano seguinte, mais uma taça por um time diferente, o Angelina, do bairro São Pedro, de Brusque. “Ou eu era um bom jogador ou tinha muita sorte”, brinca.

Já em 2000, seu ano de despedida dos gramados, Mala foi vice-campeão pelo Cedrense, justamente diante do ex-clube, o Angelina. “Encerrei meu ciclo ali. Nos meus 12 anos de participação na Liga fui nove vezes campeão, foi um período muito feliz da minha vida, tive uma carreira fantástica e nunca fiquei machucado, sempre estava pronto para jogar”.

Mais importante do que os títulos, Mala explica que suas décadas como atleta o deram lições para a vida. “O que eu levo desse tempo como jogador foram as amizades que conquistei e o orgulho de ter jogado, inclusive profissionalmente. Foi uma honra para a família e para o município”.

Aos 58 anos, Mala agora deixa a responsabilidade para cima de seu filho, Jean Gums, que inclusive já conquistou um título municipal em 2015. “Ele sempre foi incentivado e cresceu no meio da boleirada, natural que fosse gostar do futebol também e nós agora acompanhamos as partidas dele”.

Conteúdo exclusivo para assinantes

Quero assinar com preço especial
[Acesse aqui]

Sou assinante

Sou assinante do impresso,
mas não tenho login
[Solicite sem custo adicional]

Tire suas dúvidas, em horário
comercial, pelo (47) 3351-1980