Conheça as doenças que mais mataram em Brusque nos últimos cinco anos

Ranking é baseado no número de internações pelo SUS

Conheça as doenças que mais mataram em Brusque nos últimos cinco anos

Ranking é baseado no número de internações pelo SUS

Por Brenda Pereira

De janeiro de 2013 a junho de 2018, das 37.030 internações feitas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no Hospital Azambuja, 1.850 tiveram alta por óbito*. As principais causas de morte foram doenças dos aparelhos circulatório (20,7%) e respiratório (20,5%) e cânceres (16,2%). Os dados são do Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS) do Ministério da Saúde.

Entre as demais causas destaca-se o grupo das doenças infecciosas e parasitárias, responsável por 198 mortes. Destes, 79,2% foram causados por septicemia, mais conhecida como infecção generalizada. Doenças do aparelho digestivo, como do fígado e do intestino, causaram 137 mortes.

Dos 130 óbitos relacionados a doenças do sistema nervoso, 93 foram de “acidente vascular cerebral isquêmico transitório e síndromes correlatas”, conhecido como AVC. O AVC é o evento final de uma soma de fatores.  “O vaso sanguíneo, principalmente o arterial, vai criando dentro dele pequenas placas que associado a outros fatores vão aumentando até por fim obstruir a luz do vaso, a circulação sanguínea”, explica o neurocirurgião do Hospital Azambuja, Osvaldo Quirino de Souza.

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A doença está relacionada com sedentarismo, obesidade ou sobrepeso, maus hábitos alimentares, hipertensão arterial, tabagismo, alcoolismo e diabetes. Por isso, é importante manter uma alimentação saudável, praticar exercícios, não fumar, não beber e cuidar da pressão arterial e da diabetes. “O tratamento do AVC é a prevenção”, enfatiza o médico.

*A reportagem selecionou os dados de internações que tiveram alta por óbito devido aos dados de mortalidade no Datasus estarem desatualizados.

Perfil
Dos 1.850 óbitos, 52,3% são homens e 47,6% são mulheres. A idade prevalece acima dos 50 anos e a faixa etária com maior número de óbitos é 80 anos ou mais.

Os dados mostram que entre jovens de 15 a 34 anos as mortes são principalmente de homens e por consequências externas, como traumatismo intracraniano e por doenças do aparelho respiratório.

Você sabia?
De janeiro de 2013 a junho de 2018 foram 56 internações por motivos de doenças alcoólicas do fígado. Ser mulher está entre os fatores de risco desta doença, entretanto, somente oito mulheres foram internadas por conta desta doença. O número é maior no sexo oposto: 48 homens. Destes, dez faleceram nestes últimos cinco anos. Entre os homens o uso de álcool é mais frequente. “Consequentemente a cirrose por álcool, que é uma doença grave e que pode levar ao óbito é mais frequente em homens”, explica Josiane Fischer, gastroenterologista do Hospital Azambuja.

Doenças do aparelho circulatório são as que mais matam
A insuficiência cardíaca é responsável por 48,5% das 383 mortes causadas pelas doenças do aparelho circulatório, atingindo principalmente mulheres acima de 40 anos. O infarto agudo do miocárdio e a hipertensão arterial são os principais fatores de risco. Entretanto, doenças como diabetes e arritmia cardíaca também podem ser motivo.

O cardiologista do Hospital Azambuja, Júlio César Bork, explica que a insuficiência cardíaca acomete mais as mulheres porque os sintomas do infarto são mais atípicos nelas. “Quando as mesmas procuram o atendimento médico, o fazem por causa da principal complicação do infarto que é a insuficiência cardíaca.”

Ilustrações: Ed Carlos

A segunda maior causa é o infarto agudo do miocárdio, mais conhecido como ataque cardíaco. Este ocasionou 57 óbitos, sobretudo, de homens com mais de 40 anos. O médico diz que as faixas etárias de maior risco são de homens com idade superior a 40 anos e de mulheres acima de 50 anos ou após a menopausa.

Os fatores de risco incluem: hipertensão arterial, diabetes mellitus, dislipidemia (aumento do colesterol e triglicerídeos), tabagismo, sedentarismo, obesidade, história familiar de doença cardíaca, entre outros.

Para prevenir doenças do aparelho circulatório, além de hábitos de vida saudável, “é fundamental o diagnóstico e tratamento precoces das principais doenças relacionadas ao infarto, como hipertensão arterial, diabetes e dislipidemia”, alerta o cardiologista.

Pneumonia é a doença respiratória com mais óbitos
A pneumonia é a doença do aparelho respiratório que mais ocasionou mortes, estando presente em 47,6% dos 380 óbitos causados por este grupo. “A pneumonia ainda é uma doença infecciosa que mata e as pessoas esquecem”, enfatiza o médico Márcio Andrade Martins, pneumologista do Hospital Azambuja.

Foram vítimas da infecção nos pulmões 102 homens e 79 mulheres, com idade predominantemente acima de 50 anos, sendo que a faixa etária com mais mortes é 80 anos ou mais. “São as pessoas mais propensas a desenvolver uma pneumonia e geralmente quando desenvolvem, são graves porque são pessoas idosas, com a imunidade comprometida”, explica Martins.

Pacientes com histórico de doenças que causam a diminuição da imunidade, doenças pulmonares crônicas, câncer (a quimioterapia baixa a imunidade), doenças hematológicas como leucemia, entre outras, são mais propensos a desenvolver pneumonia.

O pneumologista diz que no período de outono e inverno há mais incidência devido ao frio e ao fato de que as pessoas passam mais tempo em ambientes fechados. De março a setembro, período entre o início do outono e o fim do inverno, ocorreram 60% das mortes causadas pela doença.

Em segundo lugar aparecem outras doenças do aparelho respiratório, com 117 mortes. Bronquite, enfisema e outras doenças pulmonares obstrutivas crônicas ocasionaram 81 óbitos.

Para prevenir doenças do aparelho respiratório a recomendação é a vacinação contra a gripe e pneumonia. Deve tomar a vacina a pessoa que faz parte de algum grupo de risco, como crianças abaixo de seis anos, pessoas acima de 65 anos e pessoas com doenças que baixam a imunidade. E para todos vale evitar o tabagismo, o alcoolismo e manter hábitos de vida saudáveis.

Câncer é a terceira maior causa de morte em Brusque
Neoplasias são a terceira maior causa de morte dos brusquenses, responsáveis por 16,2% dos óbitos. O câncer é uma doença na qual as células crescem de forma desordenada e o organismo não consegue inibir essa replicação irregular, fazendo com que cresçam incontrolavelmente e invadam outros órgãos e tecidos.

Todos os dias acontece a replicação de células no corpo, sendo mais intensa na infância, por conta do crescimento. No adulto, a chance de acontecer um erro nesse processo é maior, principalmente pelo tempo de exposição aos fatores de risco da doença.

Entretanto, alguns cânceres têm maior incidência em crianças, como sarcomas. “Está muito ligado a questão genética porque a criança não teve tempo de fazer a exposição para desenvolver um câncer”, explica a cirurgiã oncológica Lilly Ana Aichinger.

Se há casos de câncer na família, a pessoa tem uma predisposição genética a desenvolver a doença, mas os hábitos pessoais também podem influenciar no desenvolvimento ou não do tumor.

Traqueia, brônquios e pulmões
Entre os 301 óbitos destaca-se os que se localizam na traqueia, brônquios e pulmões (16,9%). Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), esse tipo de câncer é um dos mais prevalentes no Sul do Brasil. Em Brusque, 51 internações tiveram alta por óbito decorrente de neoplasia nestes órgãos, sendo o perfil principalmente de homens acima de 40 anos.

“O [câncer] de pulmão com certeza tem relação com o tabagismo. E, principalmente, acima de 40 anos porque já deu tempo de a pessoa fazer a exposição ao tabaco, que é o fator de risco para o desenvolvimento do câncer”, explica a médica.

Entretanto, os tumores na região respiratória não são causados somente pelo tabaco. Segundo Lilly, “dependendo do trabalho que a pessoa tem, há substâncias como amianto, asbesto, várias substâncias que são cancerígenas”.

Câncer de mama e estômago
O câncer de mama causou a morte de 19 mulheres e atingiu sobretudo a faixa etária acima de 40 anos. Lilly explica que a predominância desta idade, no câncer de mama, está especificamente relacionada à menopausa.

O Ministério da Saúde recomenda que pessoas com fator de risco (com histórico familiar) devem fazer exames de rastreamento a partir dos 40 anos, e a partir dos 50 as que estão fora do grupo de risco. O autoexame sempre deve ser feito e procurar um médico se for percebido qualquer sintoma na mama.

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Já o câncer de estômago é o quarto mais incidente em homens no Sul do Brasil e o quinto nas mulheres. Em Brusque, causou 18 mortes, e está principalmente ligado à alimentação.

Outras neoplasias
13,6% das mortes aconteceram por neoplasias malignas de localizações mal definidas, secundárias e não especificadas. “Provavelmente esse dado é de pacientes que não tem o diagnóstico definido. Não foi anotado qual era o câncer primário, e sim que era um paciente com câncer, que provavelmente faleceu de alguma complicação de metástase”, observa Lilly.

33 mortes ocorreram devido a tumores in situ benignos de comportamento incerto ou desconhecido. O tumor in situ é inicial, com grande chance de cura. “Às vezes a pessoa nem morreu do tumor diretamente, mas de alguma complicação. O que acontece muito é que não se sabe as vezes o estadiamento do tumor e quem preencheu botou in situ”, especula a médica.

A metástase é quando o câncer invade outros órgãos e tecidos além do sítio primário, onde a doença iniciou, e se dissemina no organismo.

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