Conheça a história da Fenajeep, criada em 1993 por brusquenses determinados

Evento reúne amantes do 4x4 com exposições, competições e diversas atrações para os jipeiros

Conheça a história da Fenajeep, criada em 1993 por brusquenses determinados

Evento reúne amantes do 4x4 com exposições, competições e diversas atrações para os jipeiros

Em seus 25 anos de história, a Festa Nacional do Jeep, a Fenajeep, cresceu e conquistou cada vez mais visitantes, tornando-se um evento de renome internacional quando a questão é off-road. Com exposições e provas competitivas, a festa teve sua primeira edição em 1993 e foi a primeira festa de alcance nacional com a temática.

Veja programação e preços da Fenajeep

Tudo começou quando, preparando-se para participar de uma competição em Lages, os amigos Ivo Wanka, Patricio Crespi, Ademar Hausmann e Vilmar Walendowsky, o Negão, precisaram encontrar maneiras de transportar os veículos para lá. “Sentados num bar, em meio à conversa, surgiu a ideia de fazer uma festa maior”, conta Negão. “Quando eu sugeri fazer a Fenajeep, Festa Nacional do Jeep, todos eles acharam loucura.”

Em Santa Catarina, já existia um racing com 10 etapas, cada uma realizada em um município diferente. A ideia de Negão era concentrar exposições, provas e competições em um único evento, de abrangência nacional. Como não existia nenhuma festa assim, o idealizador conta que o plano era já se lançar como um evento para todo o país, que iria crescer com o passar dos anos.

Ao retornar da competição em Lages, buscaram o presidente do Jeep Clube de Brusque, à época, Humberto Rezini. Negão lembra que o clube nem tinha sede ainda, as reuniões ocorriam em sua casa. Quando o presidente ouviu a ideia, topou na hora, e o grupo começou a correr atrás do necessário para a realização da festa, buscando atrações e expositores.

“O pavilhão era muito grande, precisávamos de empresas que participassem expondo seus produtos. Então, entramos em contato com a Toni Motos, de Itajaí, que veio participar e logo montamos estandes de bicicross e motocross, mostrando essas atividades esportivas.”

Vilmar Walendowsky, o Negão, é um dos idealizadores e organizadores da festa. | Foto: Natália Huf

Divulgação e organização
A divulgação da festa também teve que ser intensa: Negão foi até São Paulo distribuir panfletos e convidar as pessoas para visitarem a primeira edição da Fenajeep. Ele conta que, quando via algum jeep estacionado, colocava o flyer dentro do carro e, se algum passava na rua, tentava fazer parar para entregar o panfleto ao motorista.

Essa estratégia deu certo, afinal, em São Paulo, ele deixou o panfleto em um jeep cujo motorista era Arilo Alencar Jr., o diretor da revista 4×4. A primeira Fenajeep recebeu a vista dele e se tornou assunto de reportagem em uma publicação especializada em off-road. “Tanto que, quando a revista completou dez anos, nós vimos que sete das dez capas de aniversário da 4×4 eram sobre a Fenajeep”, ri Negão. “Conseguimos já deixar a nossa marca.”

Fenajeep é evento de referência para os amantes do 4×4 | Foto: Arquivo Fenajeep

Ainda nos preparativos, os organizadores conseguiram que a Kia Motors, montadora coreana, expusesse seu novo modelo Rocsta na festa. “Recebi uma edição do Jornal do Brasil que tinha um anúncio desse carro, que seria lançado em São Paulo. Convencemos o diretor brasileiro a expor no nosso evento.”

Já na primeira edição o grupo percebeu as proporções que a festa tomaria. Toda a programação foi concluída com sucesso: a festa iniciou na sexta-feira à noite, foram realizadas as competições no sábado e o encerramento foi no domingo ao meio-dia. Porém, foi aí que muitos visitantes começaram a chegar de Blumenau, Itajaí, Gaspar e outros municípios próximos. “Nós tivemos que sair do pavilhão para não apanhar”, ri Negão, que lembra de a festa ter sido muito xingada por terminar tão cedo. Mas foi nesse momento que ele soube que a Fenajeep teria potencial para ser, de fato, a festa nacional do jeep.

Para a segunda edição, os organizadores buscaram mais veículos, mais expositores e vendedores que ocupassem o salão. Dois terços do espaço foram ocupados por lojas de peças e acessórios para off-road. “A festa estava crescendo, mas ainda pecávamos numa coisa, que era a segurança”, afirma.

Provas competitivas
Os locais das provas não tinham proteção para o público que assistia as corridas, e os espectadores eram separados da pista apenas por uma faixa protetora. Os carros passavam em alta velocidade muito perto das pessoas, e isso foi corrigido já no ano seguinte, quando foi locada uma arquibancada de circo. “Fizemos também uma tenda com comida e bebida. Já recebíamos muita gente de outros estados, como Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro.”

“Esse pessoal de fora vinha para Brusque e via que a nossa festa era interessante, fomos melhorando os jeeps e a qualidade do nosso material. Muitas marcas de carros que fabricam 4×4 vieram expor, e no quarto ano de festa, nosso salão lotou.”

Até os jeeps que participavam das provas competitivas foram de adaptando. No início, os carros corriam como vinham de fábrica, com os motores originais. Porém, os corredores passaram a personalizar seus veículos, trocando o motor e os acessórios. Negão lembra de um participante gaúcho que adaptou seu jeep colocando o motor de um Ford Galaxy no meio do carro. “Imagine a temperatura a que aquilo chegava. Num salto, o carro dele quebrou no meio. Aí o pessoal viu que não adiantava motor grande, e sim um pequeno, mas com potência”.

Jeeps passaram a ser adaptados para participar das provas | Foto: Arquivo Fenajeep

Houve também quem corresse utilizando metanol, o combustível usado pelos veículos de Fórmula 1, e um caso de um piloto que, após participar de diversas edições da festa e nunca vencer, acabou desistindo. “Ele é um paulista que faz provas como o Rally dos Sertões, mas a Fenajeep ele nunca conseguiu ganhar. Quando nos encontramos, ele disse que o sonho dele é ter um troféu da nossa festa.”

Em 1999, a Equipe Fenajeep foi correr em um evento em São Paulo. Oito carros faziam parte do time, que conquistou os primeiros lugares da competição. “Ficamos em primeiro, segundo, terceiro, quarto, aí o quinto era um piloto de lá, e do sexto em diante eram pilotos nossos também”, conta Negão, rindo ao relembrar a reação dos adversários, que não acreditavam que a equipe brusquense levara o pódio da prova.

A participação da equipe foi um sucesso: além da vitória, a organização da Fenajeep levou vários brindes do evento e pediu para que o locutor do evento fizesse a distribuição. A cada anúncio de algum dos brindes, solicitaram que ele falasse que eram “da Fenajeep”. Quando mencionava os carros da equipe, também citava o piloto, dizendo que fazia parte da “Equipe Fenajeep”. Negão conta que Fenajeep foi o nome mais falado no evento paulista.

Corrida de gaiola
As edições do evento em Brusque continuaram crescendo, com mais expositores e, mais tarde, passou a inserir na programação a corrida de gaiolas. Negão conta que pilotos da modalidade entravam em contato e pediam muito que a Fenajeep tivesse uma corrida para eles, porém, não havia espaço entre as atrações do evento. Então, ele decidiu fazer uma proposta e sugeriu que a corrida fosse realizada à noite, com iluminação tanto na pista quanto nos carros. Em 2002, na primeira corrida de gaiola, as 50 vagas foram preenchidas em questão de uma hora após a abertura das inscrições.

Corridas de gaiola começaram em 2002 | Foto: Arquivo Fenajeep

“Ficou muita gente na fila, todo mundo queria correr em Brusque. No ano seguinte, aumentamos o número de carros para 70 na categoria gaiola, e novamente esgotou. O campeão do ano anterior ficou na fila de espera, e ele me ligava todos os dias, de manhã e à tarde, perguntando se algum piloto tinha desistido. Ele disse que tinha um atestado médico que comprovava depressão fortíssima e que o único remédio era correr na Fenajeep.”

Quando três pilotos desistiram, o campeão da primeira corrida de gaiola pôde, então, inscrever-se para correr na Fenajeep. “Ele trouxe mesmo o atestado”, ri. Hoje em dia, a festa abre 110 vagas para gaiolas e, mesmo assim, há uma fila de espera caso alguém não venha participar.

Houve edições da festa que demandaram a abertura de um salão externo, já que o pavilhão não comportava todos os expositores que participaram. Marcas brasileiras e do exterior vêm à Fenajeep para divulgar seu nome e seus produtos na festa que é referência nacional em off-road.

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