Ellie Jeff Jean Baptiste jogava bola na quadra da praça Sesquicentenário quando chamou a atenção de Juraci dos Santos Silva, há um ano. A habilidade e o incansável fôlego do haitiano demonstraram um potencial para Jura, que buscava atletas para formar a equipe River Plate Azambuja, que avançou até as quartas de final do Campeonato Municipal de Futebol Amador de Brusque.

Jeff, como é conhecido pelos amigos, conta com a velocidade que tornou tão reconhecidos os seus conterrâneos, além da habilidade para dominar a bola e levar perigo ao gol adversário. Foi assim que ajudou a conduzir sua equipe, uma das mais novas dentro do campeonato, a uma surpreendente classificação na fase de grupos.

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Em 2017 o haitiano veio para Brusque a convite do irmão que já estava estabilizado na cidade. Seu principal objetivo é conseguir recursos por meio do trabalho, atualmente em uma transportadora, para concluir o curso de Agronomia que estava realizando no Haiti.

Bem adaptado

Jeff chegou em Brusque em 2017 e foi descoberto jogando futebol na Praça Sesquicentenário. Foto: Cristóvão Vieira

Segundo Jeff, não houve dificuldades na adaptação com o Brasil. Foi bem recebido pelos colegas de trabalho brasileiros. O país, inclusive, o lembrou muito o Haiti na sua opinião. “Não é muito diferente, só que no meu país não tem muito emprego. Eu precisei sair de lá após três anos da faculdade de Agronomia, e quero voltar para concluir, pois são cinco”.

Na partida contra a tradicional Abresc, ele deu trabalho aos adversários dentro da casa deles, no bairro Águas Claras. Entrou no segundo tempo por não estar se sentindo muito bem, já que é titular absoluto, mas assim que entrou botou fogo no jogo na ousada tentativa do River de vencer a Abresc fora de casa. Contudo, não conseguiu balançar as redes e no primeiro jogo das quartas o time acabou derrotado por 2 a 1.

Jeff mora com os irmãos e é religioso, frequenta os cultos e já chegou a deixar de ir em partidas por ter compromissos na igreja. O amor pelo futebol surgiu já quando pequeno, como uma brincadeira no país onde morava. A velocidade também foi aprimorada quando era criança. “Eu gosto de correr, sei que nós do Haiti somos reconhecidos pela corrida, mas é porque desde a infância praticamos atividades físicas”.

O preparo físico, inclusive, foi um dos problemas que o River Plate teve durante o Amador, como explica Jeff. “O time estava bom, mas sentimos muito nos últimos minutos, por estarmos cansados. Estávamos sempre levando gols nos instantes finais”.

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Polivalente
Após encontrar Jeff, Jura consolidou sua amizade com o haitiano. O convidou, portanto, para conhecer o time de campo que era formado para disputar o amador. Ele participou de um amistoso, gostou, se encaixou bem na equipe e por ali ficou para defender as cores do River Plate Azambuja.

Com sua ajuda, a equipe ficou em terceiro lugar em um grupo difícil que contava com Paysandú, Abresc, Parma, Limeira Baixa e Sete de Setembro. A equipe venceu dois jogos, empatou dois e perdeu dois, marcando dez gols em seis jogos.

Segundo o membro da comissão técnica da equipe, o atleta inclusive tem habilidade para atuar em mais de uma função. “Ele pede para jogar como atacante sempre, mas ele é um excelente volante. Não deixa passar nada e além de tudo tem um excelente passe”.

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