Hoje, o Seminário de Azambuja funciona num imponente edifício, mas para conseguir erguer essa sede foi preciso trabalho duro da comunidade, da Igreja Católica e até mesmo dos seminaristas, que trabalhavam carregando cimento quando era necessário. O padre Alvino Introvini Milani, hoje capelão do hospital, estudou na instituição na época da construção e “emprestou seus braços para a obra”.

“A mão de obra era barata porque, quando tinha que carregar cimento, o professor dizia que a aula era carregar cimento para fazer uma viga do seminário novo”, relembra padre Milani. Ele estudou em Azambuja entre 1956 a 1960, justamente o período de construção do atual prédio.

A história de padre Milani está fortemente ligada a Azambuja. Ele foi seminarista, padre, pároco, vigário paroquial e agora é capelão do hospital – sempre no complexo de Azambuja, onde funcionam várias instituições da igreja no município.

Padre Milani é gaúcho e veio para Brusque por intermédio de um padre que lhe ajudou quando ele era seminarista em Frederico Westphalen (RS). Ele estranhou quando chegou à nova cidade. “Tive uma vontade louca de ir embora, porque lá no Rio Grande era tudo descampado, planícies. E aqui, quando olhava pela janela, tudo era morro”, conta. Ainda assim, o então seminarista permaneceu e estudou na primeira sede do seminário.

Seminário dividia espaço com hospital
O seminário funcionou, inicialmente, no prédio onde hoje fica o museu. Naquele edifício, os seminaristas dividiam o espaço com os doentes do hospital. O padre Eder Claudio Celva, também escritor, conta que em 1946 foi construído um anexo à edificação, o que desafogou um pouco a lotação.

Imagem da época que o seminário funcionava onde hoje é o museu / Acervo Casa de Brusque

Mas em 1952, Dom Joaquim Domingues de Oliveira, arcebispo de Florianópolis, já se manifestou pela ampliação do prédio, que estava pequeno. Os padres chegaram à conclusão de que o anexo não era adequado porque não respeitava a arquitetura original, por isso decidiram pela destruição dele e construção de um novo seminário. Não era para concluir o anexo, mas construir um novo na parte dos fundos, aquele estava na lateral.

“No ano de 1955, a ideia adquire concretude, após o padre Kleine, ecônomo de Azambuja, receber aprovação entusiástica de Dom Joaquim para a planta do novo prédio”, afirma o historiador Paulo Kons. O projeto apresentado e aprovado pela Arquidiocese de Florianópolis, é de autoria do engenheiro civil Antônio Ávila Filho, com execução de João Martin Backes.

“O reitor padre Afonso e o administrador conversaram com o arcebispo e mostraram o novo projeto. Dom Joaquim se animou e deu ordens para começar imediatamente a obra”, completa padre Eder.

A pedra fundamental da construção é lançada em 15 de agosto de 1957, durante a Festa de Nossa Senhora de Azambuja.


Profissão: boleiro
O padre Milani literalmente deu suor na construção do seminário. A rotina em Azambuja é, ainda hoje, disciplinada, e na época do padre Milani não era diferente, mas havia o tempo de prática esportiva. E era aí que o então seminarista se destacava. “Nós construíamos todas as bolas que usávamos”, lembra. Por isso, a função dele era boleiro. “Mas se gastava muito, porque se jogava em campo de areia, de cimento ou então no campo atrás do Morro do Rosário”.

Padre Milani diz que, tanto no prédio antigo quanto no atual, a rotina sempre foi de muito estudo, disciplina e trabalho. “A vida no seminário é muito plena, não deixa espaço, porque você vive ocupado”, afirma o capelão do Hospital Azambuja.


O protagonismo de padre Kleine
Paulo Kons destaca o protagonismo que o monsenhor Guilherme Kleine teve para a obra da nova sede do seminário. Segundo o historiador, Kleine “foi o dínamo da construção”.

Construção do novo seminário / Arquivo Dom Jaime de Barros Câmara do Seminário de Azambuja

O padre José Artulino Besen escreveu um livro sobre os padres em Santa Catarina no qual relatou que o monsenhor percorreu uma via crucis para buscar dinheiro para o novo edifício.

Segundo as pesquisas, monsenhor Kleine bateu às portas da igreja alemã, dos governos federal e estadual brasileiros, das paróquias, lançou rifas e campanhas. A construção não sofreu interrupção e foi concluída sem dívidas.

Em fevereiro de 1960, metade do edifício estava pronto e os seminaristas se mudaram. O hospital também desocupou o lugar.

Segundo Kons, o antigo prédio foi transformado pelo padre Raulino Reitz no Museu Arquidiocesano Dom Joaquim. “Ele foi inaugurado na noite que antecedeu a efeméride magna do primeiro Centenário de Brusque, celebrado em 4 de agosto de 1960”.

“Havia os atropelos de morar em um prédio em construção”, afirma padre Eder. E ele confirma que, naqueles anos, as mãos dos seminaristas ajudaram a erguer a nova sede. “Os trabalhos externos dos seminaristas nesses anos se concentraram na ajuda à mão de obra básica”.

O novo seminário, contudo, só foi inaugurado em 7 de setembro de 1964. Data do feriado da Independência do Brasil e também aniversário, à época, dos 50 anos de Dom Joaquim como arcebispo, em Florianópolis. Ele que foi o grande idealizador da instituição em Brusque, anos antes.

Construção moderna e imponente
De acordo com Kons, o novo seminário era uma construção moderna para a época e atendia às novas necessidades dos estudantes e dos religiosos. Prova disso são a dimensão da edificação e a tecnologia de construção civil empregada.

O estaqueamento da obra compõe-se de 446 estacas de 12 metros de profundidade. Por cima, 197 blocos de cimento interligados por vigas de apoio. Tem 17 metros de altura, fora o porão. Conta com 18 metros em média de largura. Após pouco tempo de sua inauguração, as instalações foram utilizadas por mais de 200 seminaristas que lá estavam matriculados.

“O seminário foi o primeiro prédio de Brusque a receber em suas paredes tijolos vazados”, destaca padre Eder.

Fachada atual do seminário / Marcos Borges

 


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