Contratação de jovens para estágios diminui em Brusque

Um dos motivos é a dificuldade econômica

Contratação de jovens para estágios diminui em Brusque

Um dos motivos é a dificuldade econômica

A crise financeira do país também afetou a oferta de vagas de estágios para estudantes de cursos técnicos e de Ensino Superior em Brusque. As principais instituições que fazem este serviço dizem que as empresas estão mais reticentes em abrir mais postos por causa da dificuldade econômica.

O Centro Integração Empresa-Escola (Ciee), uma das instituições que intermediam a contratação de estagiários entre empresas e unidades educacionais, registrou queda no número de vagas para estágio em 2015. A coordenadora Cátia Maffezzolli diz que tinha expectativa alta em relação à contratação de estudantes, mas isto não se confirmou. “Estamos sendo surpreendidos porque não está tendo a adesão que esperávamos”.

A expectativa maior de Cátia tem relação com o desemprego galopante no Brasil. O número de demissões tem aumentado mês a mês, segundo o Ministério do Trabalho e Emprego. Brusque não foge desta regra e também tem registrado resultados ruins em setores chave da economia municipal – como o têxtil e o metalmecânico.

Com menos empregados contratados, a perspectiva da coordenadora do Ciee era de que as empresas buscassem mais estagiários. Contudo, o cenário de retração parece preocupar tanto o empresariado que nem isto elas estão fazendo.

Engelbert Riehs, assistente jurídico do Centro Universitário de Brusque (Unifebe), diz que o número de requisições e contratações de estagiários também caiu na comparação entre este ano e 2014. “Pelo nosso acompanhamento, percebo que o fluxo de estagiários tem diminuído consideravelmente”.

Ano passado, diariamente agências enviavam e-mails solicitando documentos para contratação de estudantes dispostos a trabalhar meio período sob regime de estágio. Em 2015, o cenário teve um revés e as solicitações minguaram. Raras são aquelas que chegam à caixa de entrada da Unifebe. “Ficamos quase um mês sem receber e-mail destes agentes de integração”.

O assistente jurídico diz que os cursos de Direito e Pedagogia foram os mais afetados por esta mudança de comportamento do mercado de trabalho.

Queda sintomática

A redução na oferta de estágio pode ser interpretada como um sintoma de que a economia vai mal das pernas porque é uma das formas de contratação mais baratas para o empregador. Não existe salário mínimo, por exemplo, nem pagamento de FGTS e outros benefícios trabalhistas. As empresas devem pagar apenas uma bolsa para os estudantes, que trabalham até seis horas, por um período máximo de dois anos.

Mão de obra barata

Cátia, do Ciee, diz que muitas empresas encaram o estágio como mão de obra barata. Mas este não é o objetivo do estágio, comenta a coordenadora. Ela também conta que os empregadores têm sido bastante exigentes na hora de contratar os estudantes e isto também contribui para o baixo número de contratação.

Segundo Cátia, as empresas procuram o Ciee e pedem, por exemplo, experiência. No entanto, ela diz que “o estágio é a porta de entrada”. Ou seja, poucos são aqueles que aceitam inexperientes, e isto é prejudicial para ambos os lados, na avaliação de Cátia.

“Às vezes, a gente faz a abertura da vaga e, mesmo conversando com os proprietários e explicando que o estágio tem que ser encarado de outra forma, existe este problema de não conseguir atender nem o jovem nem a empresa. Porque as expectativas são diferentes. A empresa procura algo que seja mão de obra barata, e o jovem procura oportunidade, só que a empresa não o aceita sem experiência. Isto sempre aconteceu, mas agora mais”, afirma.

Jovem Aprendiz cresce

A quantidade de contratações de jovens por meio do programa Jovem Aprendiz mais do que dobrou desde o começo do ano. A diferença desta forma de contratação para o estágio é que são aceitos jovens entre 14 e 24 anos, enquanto no estágio são estudantes. Eles são registrados em carteira, mas há incentivos tributários para o empregador.

O jovem participante do programa trabalha quatro horas diárias e deve comparecer todas as semanas para ter aulas teóricas no Ciee.

Atualmente, a unidade de Brusque oferece apenas os cursos de rotinas administrativas e rotinas bancárias. O período máximo de contração, pelo centro de integração, é de 24 meses.


Contate o Ciee
3396-8506
cieebrusque@cieesc.org.br

 

 

 

 

 

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