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João José Leal

Promotor de Justiça aposentado - joaojoseleal@omunicipio.com.br

Conversas Praianas – Dubai Brasileira

João José Leal

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Conversas Praianas – Dubai Brasileira

João José Leal

Estiradas nas milhares de cadeiras de praias, armações de alumínio e plástico estendidas para abraçar corpos femininos vestidos com as duas peças do mínimo tolerado pelo pudor social, uns esculturais, sensuais, outros não tanto, fora do padrão de beleza, porque a natureza é seletiva, mulheres vindas de muitos rincões deste país e do continente sulamericano curtem a vaidade feminina sob a ação bronzeadora dos raios solares. Quase não falam, o calor escaldante é um convite à indolência. Acima de tudo, sofrer é preciso, para o bronze brilhar na pele do objeto sexual do desejo machista.

Embaixo de outros tantos milhares de guarda-sóis e barracas de praia, oásis de sombra e ócio refrescado pelo sopro da brisa atlântica, homens conversam sobre futebol, mulheres e, também, sobre política. A depender dessas discussões, todos os problemas nacionais estariam solucionados e o Brasil seria o mais rico e feliz país do mundo, porque o efeito deletério do álcool move montanhas, conduz ao devaneio de imaginar que tudo é simples, fácil e possível. Para esses veranistas vestidos em seus calções de banho, todos os maus políticos desta maltratada nação já estariam condenados e presos. Lula na frente de todos, com uma longa pena a cumprir em regime fechado, porque lugar de ladrão é na cadeia.

Na temporada de férias coletivas, tempo estival de sol e calor, convite irresistível para contemplar a imensidão oceânica e se banhar no vai-e-vem das águas de espuma e sal, BCamboriú é pouso passageiro de milhares dessas aves de arribação chamadas turistas. E a praia se transforma em acampamento de banhistas sentados à sombra dos tetos de lona sem fim, muitos empunhando uma cerveja enlatada porque o calor convida a uma loira gelada. Outros – gaúcho, como pardal, você encontra em todo lugar – sem bombacha, sem bota e sem guaiaca, sorvendo o mate amargo, porque a tradição não morre à beira-mar.

Assim é a praia de BCamboriú, com seus espigões de concreto e aço que avançam nas alturas sem limite, em tempo de veraneio e ociosidade. Tomada por turistas vindos de perto e longe, até de além fronteiras, já está sendo chamada de Dubai brasileira. Sem petróleo, sem xeique e sem o autoritarismo político e religioso, é claro. Aqui as mulheres são livres para desfilar de biquíni e fio dental e despertar paixões adormecidas em fracos corações masculinos. Os homens, livres para criticar o governo e condenar os maus políticos à prisão perpétua, em nome da moralidade pública.

E a nação, essa imensa nave desgovernada, parece continuar afundando.

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