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José Francisco dos Santos

Mestre e doutor em Filosofia pela PUC/SP, é professor na Faculdade São Luiz e Unifebe, em Brusque e Faculdade Sinergia, em Navegantes/SC e funcionário do TJSC, lotado no Forum de Itajaí/SC.

A corrida das tartarugas marinhas

José Francisco dos Santos

Mestre e doutor em Filosofia pela PUC/SP, é professor na Faculdade São Luiz e Unifebe, em Brusque e Faculdade Sinergia, em Navegantes/SC e funcionário do TJSC, lotado no Forum de Itajaí/SC.

A corrida das tartarugas marinhas

José Francisco dos Santos

A luta quase inglória das pequenas tartaruguinhas na sua corrida em direção ao mar, logo após a desova, pode ser comparada com os desafios do desenvolvimento das crianças e jovens de hoje, às voltas com toda sorte de predadores. Se pensarmos no desenvolvimento integral de uma pessoa, nos seus aspectos físico, intelectual, psicológico, moral, espiritual, a tendência é ficar pessimista diante do verdadeiro “corredor polonês” que se deve enfrentar para atingir tal objetivo.

Que chance tem uma criança, nascida hoje, de passar por todas as armadilhas que a esperam e adentrar a vida adulta com integridade psicológica e moral, com domínio de si mesma, capacidade de amar e de conviver de modo civilizado com os demais? No mundo das tartarugas marinhas, de cada mil filhotes que desovam, apenas um será uma tartaruga adulta (e para elas a integridade física já é suficiente!).

Não é possível fazer estatística quanto ao desenvolvimento humano integral que mencionei, porque ele não pode ser medido pelas nossas observações ordinárias. Mas nunca é demais observar e aprender com os inúmeros fracassos dos quais somos testemunhas. A armadilha para a criança começa bem antes que ela possa ser concebida, pois se os pais potenciais não estão desenvolvendo a maturidade que lhes será requerida na tarefa de educar, as chances da criança diminuem. Após a concepção, há o risco do aborto, assim como os ovos das tartarugas, se não vigiados, viram iguarias culinárias para os lagartos e outros raptores. Para as que conseguem ser desovadas [as tartarugas!], começa a corrida para a água, feita aos olhos de inúmeros comensais oportunistas, e quem não chega à água não terá mais chance.

Cá para os humanos, talvez a infância nunca tenha sido tão violentada quanto nos dias atuais. Além dos problemas mais corriqueiros, crianças e adolescentes são alvo de predadores ideológicos, que os usam para formar uma sociedade livre dos valores tradicionais e dos laços familiares. É preciso ainda desviar-se – com extrema energia, pois a correnteza é muito forte – do derrame de pornografia e liberalização sexual, da proliferação de inúmeros tipos de drogas, desde a cerveja – consumida já nas festinhas “inocentes” – ao crack, passando pelas máquinas caça-níqueis e tantos outros abutres. O que não faltam são ambientes propícios para a proliferação de situações de risco, enquanto escasseia a disposição para disciplinar e proibir.

Precisamos, com urgência, de um projeto TAMAR para proteger nossas tartaruguinhas humanas, como aquele que garantiu a sobrevivência das marinhas. E isso passa pela revisão do nosso estilo de vida, pela crítica ao sentido que estamos dando para o tempo que passamos neste planeta e à nossa tolerância, cada vez maior, à degradação vendida como arte, entretenimento e liberdade de expressão. Ainda é tempo.

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