CPI do Samae: Diretor-presidente diz que investigado foi induzido a exercer a função de operador de ETA

Em depoimento, Roberto Bolognini afirma que Neuton Hoffmann foi contratado como chefe de hidrômetro

CPI do Samae: Diretor-presidente diz que investigado foi induzido a exercer a função de operador de ETA

Em depoimento, Roberto Bolognini afirma que Neuton Hoffmann foi contratado como chefe de hidrômetro

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) formada pela Câmara de Vereadores para investigar denúncias de irregularidades em processo seletivo do Samae teve mais quatro depoimentos na tarde desta segunda-feira, 13.

Um dos mais esperados era o do diretor-presidente do Samae, Roberto Bolognini. Ele esteve presente e respondeu aos questionamentos dos membros da comissão.

O caso em investigação é a nomeação, por parte de Bolognini, de Neuton Maurício Hoffmann como cargo comissionado da autarquia. De acordo com a denúncia, Hoffmann ficou em último lugar no processo seletivo para o cargo de agente de Estação de Tratamento de Água (ETA) e exerceu essa função por algum tempo, sem a qualificação que o cargo exige – registro no Conselho Regional de Química (CRQ).

Durante depoimento, Bolognini afirmou que não tinha conhecimento que Hoffmann havia feito o processo seletivo para operador de ETA. Ele disse que só ficou sabendo após a denúncia que deu origem à CPI. De acordo com o diretor-presidente do Samae, Hoffmann foi contratado para a função de chefe.

“Quando cheguei no Samae, ele (Neuton Hoffmann) me procurou pedindo um emprego e eu disse que a hora que surgisse alguma coisa eu o chamaria, já que ele tinha trabalhado no Samae por oito anos, e logo que surgiu a oportunidade eu nomeei ele para o cargo de chefe”.

Bolognini negou que tenha contratado Hoffmann ilegalmente. “É tudo especulação, denúncias infundadas. A nomeação foi feita por portaria, respeitando o setor de Recursos Humanos. Sempre que há contratação, busco orientação do RH e ele foi contratado como chefe”.

A relatora da CPI, Ana Helena Boos (PP), questionou Bolognini sobre a atuação de Hoffmann como operador de ETA da Volta Grande. Segundo ele, o profissional foi “induzido” a realizar esta função. Bolognini explicou que o Samae esperava uma carga de novos hidrômetros, a qual Hoffmann coordenaria a equipe de trocas, mas a carga teve problemas e foi recusada, por isso, ele acabou sendo direcionado para outros setores da autarquia.

“Eu pedi que ele fizesse alguns serviços porque conhece a autarquia, conhece Brusque. Pedi que ele fizesse visitas nos sistemas isolados e ele começou pela ETA do Volta Grande, ver se estava tudo em ordem, limpo, foi exercer o seu cargo de chefe”.

Entretanto, Bolognini nega que mandou Hoffmann para a ETA da Volta Grande para realizar as funções de operador. “Estou garantindo que ele foi contratado para chefe numa equipe de hidrômetro, fora isso é especulação. Houve um esforço para induzir o seu Neuton a assinar os documentos da ETA, não precisaria ter três funcionários naquele local, ele esteve lá para cumprir a determinação que eu dei e não para fazer análise de água. Eu não sabia que ele atuou como operador. Foi induzido ao erro”.

Por fim, o diretor-presidente do Samae negou as afirmações feitas por servidores da autarquia de que ele realizou reuniões para combinar os depoimentos sobre o caso ao Ministério Público. “Minhas reuniões têm pautas. Não houve reunião para tratar deste caso”.



Agente de ETA afirma que recebeu ordens para treinar Hoffmann

O agente de ETA, Eduardo Gonçalves Correa dos Santos, também prestou depoimento à CPI na tarde desta segunda-feira, 13. Segundo ele, Hoffmann foi mandado para o sistema isolado do bairro Volta Grande, onde era o operador.

Santos disse que recebeu ordens do diretor do Samae, Márcio Cardoso, para treinar Hoffmann para que ele pudesse exercer o cargo de operador do sistema. “Eu ensinei todas as funções referentes a operador de ETA”, diz.

Eduardo Gonçalves dos Santos é agente de ETA desde 2016 | Foto: Bárbara Sales

O agente de ETA informou que para exercer a função de operador, é preciso ter o registro no Conselho Regional de Química (CRQ). De acordo com ele, durante três dias, Hoffmann ficou na estação e, inclusive, realizou as análises da água, fazendo a assinatura dos laudos. Santos reconheceu a assinatura de Hoffmann nos documentos apresentados pela relatora.

A testemunha também destacou que com a chegada de Hoffmann, chegou a pensar que seria transferido para outra estação, já que na Volta Grande já havia dois operadores, entretanto, a transferência não chegou a ser realizada.


 

Engenheiro afirma que pediu ao RH para que Hoffmann fosse para outro setor

O engenheiro químico do Samae, Ricardo Bortolotto, também foi ouvido pelos membros da CPI. Ele participou da elaboração das questões para a prova de agente de ETA do processo seletivo que está sendo investigado.

De acordo com ele, no início do mês de junho surgiu a notícia de que Neuton Hoffmann seria contratado pelo Samae, entretanto, diferente das afirmações de Bolognini, Bortolotto afirma que desde a primeira vez foi repassado que Hoffmann trabalharia na Volta Grande, sem função específica. “Nunca foi passado que ele trabalharia na hidrometria”.

Ricardo Bortolotto atua no Samae desde 2010 | Foto: Bárbara Sales

Bortolotto diz que quando ficou sabendo da contratação de Hoffmann, chegou a pedir para o setor de Recursos Humanos sobre a possibilidade de ele trabalhar em outro setor, já que sabia que Hoffmann havia feito o processo seletivo e que ficou em último lugar.

“Avisei que poderia ter problema, se ele fosse trabalhar numa estação onde foi feito processo seletivo e não foi chamado ninguém. Poderia dar problema, como deu”.

O engenheiro destaca que foi informado pelo RH que havia ordem da presidência da autarquia para Hoffmann ir para a Volta Grande e que nunca teve contato pessoalmente com o diretor-presidente do Samae.


 

“Fui induzido a dar um visto naquela folha e me incriminaram”

O último depoimento da tarde foi de Neuton Maurício Hoffmann, que segundo a denúncia, ficou em último lugar no processo seletivo para agente de ETA e, mesmo assim, assumiu o cargo na ETA da Volta Grande.

Durante o depoimento, Hoffmann confirmou que fez o processo seletivo em questão. Ele afirmou que não lembra como ficou sabendo do processo seletivo do Samae, mas decidiu participar porque já havia trabalhado na autarquia por oito anos.

“Como já trabalhei lá, achei que o processo seletivo seria uma maneira de eu voltar”, diz.

Neuton Hoffmann diz que foi vítima de ‘tocaia’ | Foto: Bárbara Sales

Porém, ele disse que não estudou para a prova e que no dia do processo seletivo ficou sabendo que era preciso o registro do Conselho Regional de Química (CRQ) para exercer a função. “Fui o primeiro a entregar a prova porque me questionaram do CRQ e como eu não tinha, percebi que não seria desta maneira que voltaria para o Samae”.

Hoffmann disse que quando Roberto Bolognini voltou para a presidência do Samae, decidiu pedir emprego para ele. “Fui umas quatro a cinco vezes, foi por insistência mesmo”.

Em junho, Hoffmann foi chamado e, segundo ele, a sua função seria como chefe de hidrômetro. Durante o depoimento, o investigado disse que chegou no Samae em um período conturbado e que foi vítima de uma “tocaia”.

“Por azar, quando eu cheguei no Samae, tinham acabado de fazer uma reunião para cortar umas gratificações e os servidores começaram a atirar pra tudo quanto é lado. Eu fui acertado por uma bala perdida”.

Hoffmann confirmou que foi nomeado para o setor de hidrometria e relatou que como teve problemas com a carga de hidrômetros, ficou sem função na autarquia e, a partir daí, começaram os seus problemas. “Eu estava lá parado, só queria trabalhar. Se eu tivesse ficado sentado na sala de hidrometria sem fazer nada, eu não estaria dando depoimento aqui”.

Segundo ele, durante um dos dias que estava sem função, foi levado até a ETA da Volta Grande. Lá, de acordo com ele, foi induzido a assinar laudos que geraram a denúncia. “Fui lá com o Márcio Cardoso. Eles já tinham feito a análise da água e pediram pra eu assinar. Passei o visto de inocente, numa análise de água que eu não fiz. Fui induzido a dar um visto naquela folha e me incriminaram”.

Hoffmann alega que as afirmações de Eduardo dos Santos e Ricardo Bortolotto são falsas. Ele diz que foi apenas um dia na Volta Grande e não três como Eduardo afirmou em depoimento anterior. Hoffmann disse ainda que só fez uma assinatura e que as demais são falsas. “Fiz apenas uma rúbrica, a letra não é minha, não fui eu que escrevi os números”.

Depois do episódio da Volta Grande, Hoffmann diz que foi orientado a permanecer no Samae do Centro e, logo depois, a carga de hidrômetros chegou e ele passou a exercer esta função.

Diante das alegações de Hoffmann, a relatora da CPI fez um requerimento solicitando uma perícia grafotécnica para comparar as assinaturas que ele alega serem falsas.

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