José Francisco dos Santos

Mestre e doutor em Filosofia pela PUC/SP, é professor na Faculdade São Luiz e Unifebe, em Brusque e Faculdade Sinergia, em Navegantes/SC e funcionário do TJSC, lotado no Forum de Itajaí/SC.

Criadouro de monstros

José Francisco dos Santos

Mestre e doutor em Filosofia pela PUC/SP, é professor na Faculdade São Luiz e Unifebe, em Brusque e Faculdade Sinergia, em Navegantes/SC e funcionário do TJSC, lotado no Forum de Itajaí/SC.

Criadouro de monstros

José Francisco dos Santos

A foto do rosto ensanguentado da professora agredida por um aluno em Indaial, no dia 21 deste mês, correu o país. Não pretendo entrar no mérito do caso particular, mas refletir sobre o fenômeno da desagregação da Educação, que todos conhecemos.

Professores são agredidos e ameaçados todos os dias nas escolas deste país. Mesmo nas situações mais “normais”, o papel e a posição dos professores estão drasticamente corrompidos. Não raro, a maior parte da energia do professor é gasta para conseguir manter um mínimo de ordem na sala de aula e de atenção ao que é ensinado. A autoridade do professor decaiu na mesma proporção em que cresceram o desinteresse, a arrogância e a crença, por parte do aluno, de que ele pode fazer o que quiser.

O que acontece nas escolas reflete também o cotidiano das famílias. Pais e mães, que outrora tinham autoridade incontestável sobre os filhos, agora tentam sobreviver, negociando com as crianças para manterem um mínimo de ordem no lar. Não é de se admirar que nossa sociedade esteja moralmente desagregada e que o nível de ensino tenha caído tanto, que estejamos entre os piores do mundo na área educacional.

Não há Educação verdadeira sem disciplina, nem disciplina sem definição clara de papéis. Mas há décadas que os próprios agentes educacionais se tornaram veículos de uma revolução cultural que contesta toda autoridade e, em nome de uma pretensa “consciência crítica”, incita crianças e jovens a questionarem sem conhecimento e a desobedecerem sem que compreendam as razões do que é ordenado. Os valores religiosos são ridicularizados, afrouxa-se a disciplina, alivia-se a cobrança por resultados, e o caos é instaurado passo a passo.

Os professores mais jovens talvez estranhem o que digo, porque já foram formados nesse mesmo sistema. Mas creio que aqueles que tiveram a suprema sorte de serem educados há mais de 40 anos sabem muito bem do que estou falando.

A violência física é apenas uma das manifestações dessa desagregação que nós, professores, temos ajudado a construir no mundo educacional. Nenhuma reforma paliativa, nenhum detalhe técnico, nenhum conteúdo a mais ou a menos, nem mais nem menos investimento financeiro vai resolver essa tragicomédia. Enquanto não nos dermos conta do gravíssimo erro de percurso em que nos metemos, estaremos apenas colocando botox nas rugas de uma Educação que está corrompida no âmago da sua alma.

Querem ver saídas? Olhem para as escolas militares, que ainda são de excelência. Busquem o modelo de ensino da Idade Média, ou olhem as experiências exitosas de países como a Coreia do Sul. Os educadores que realmente se preocupam com excelência já estão buscando novos rumos, abandonando os gurus do atraso, que ainda reinam nos currículos das nossas universidades. Nossa sociedade está gravemente enferma, sua alma desfalece, suas entranhas cheiram mal. É um problema moral e espiritual que, enquanto não tivermos coragem para enfrentar, continuaremos fabricando agressores, corruptos e todo tipo de vício e degradação.

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