Se em 2008 e 2009, o Brasil foi um últimos países a sentir, ainda que levemente, os efeitos da crise mundial, a partir de 2014, a situação econômica do país muda de figura. Começa um período de grandes dificuldades para todos os setores. Uma crise muito local, agravada pela instabilidade política e com consequências danosas para todos.

“Em 2015 e 2016, todo mundo se enxergou dentro da crise, sentiu na carne as dificuldades. Tanto que ali começou a se gerar o maior número de desempregados do país, o subemprego, a informalidade”, observa o economista Roberto Zen.

De acordo com ele, a crise que atingiu o país nessa época foi muito influenciada pela instabilidade política interna e ambiente internacional muito hostil a investimentos, o que fez o Produto Interno Bruto (PIB) recuar 3,5% em 2015 e 3,3% em 2016.

“Tivemos uma perda muito significativa, em torno de 7%, e esses 7% ainda não foram recuperados”, diz.

Em 2015 e 2016, todo mundo se enxergou dentro da crise, sentiu na carne as dificuldades

Zen lembra que a economia de Brusque depende fortemente do setor têxtil e também do metalmecânico. O último, segundo ele, não foi tão afetado nos últimos dez anos porque as empresas que têm percentual de exportação conseguiram equilibrar.

Já o têxtil, que importa muito, se defasou tecnologicamente. “Se olhar o volume de exportações, a maioria das empresas da cidade não têm esse perfil exportador mais. As antigas tinham, mas as novas exportam pouco e quando exportam, são para países vizinhos, com valor muito baixo, não acessam mercados de escala, então sobrevivem do mercado interno. Como a crise foi muito interna, essas empresas sofreram muito, principalmente as grandes”.

Em meio a números cada vez mais negativos, o país se viu dentro de uma instabilidade política e inúmeros escândalos de corrupção. 

“A instabilidade política e o escancarar do esquema de corrupção com a instalação da Lava Jato aumentaram a incerteza e afastaram os investimentos no país. A recessão bateu na porta de quase todas as empresas, chegando a ter mais de 12 milhões de desempregados”, destaca o empresário Edemar Fischer.

Reeleita na eleição de 2014, a presidente Dilma Rousseff (PT) não conseguiu contornar os problemas econômicos e em dezembro de 2015 teve o pedido de impeachment aceito na Câmara dos Deputados por crime de responsabilidade.

Foto: Arquivo O Município

Em agosto de 2016, foi afastada definitivamente do cargo. O vice-presidente Michel Temer (MDB) assumiu o governo com a promessa de reformas e retomada da economia, mas também se viu em meio a escândalos de corrupção e não conseguiu tirar o país da crise.

“Mudou o governo, mas a base econômica estava muito frágil. Não tinha uma política industrial nova, não se mexeu nas políticas monetárias. O país não suportava grandes mudanças. Mudou o presidente, mas foi mais do mesmo, tanto que não deixa lembranças de nada muito impactante”, destaca Zen.

De acordo com o economista, mesmo com a mudança após o impeachment, não teve nada que sinalizasse no mercado que a política econômica teria uma virada. “No primeiro momento depois do impeachment, o impacto é sempre de retração, os agentes econômicos se retraem para observar. Se não acontece nada de diferente, vão buscar outros mercados”.

Além do momento político conturbado nacionalmente, Brusque ainda teve um agravante diante da crise: a instabilidade política local, após a cassação do prefeito Paulo Eccel, em 2015.

“A crise gerada pelo impeachment foi grande. O dólar começou a aumentar bastante, tivemos uma crise efetiva na questão econômica. Ali sentimos maior impacto que refletiu no país como um todo. O aumento do dólar foi o pior da crise na época e aqui em Brusque tínhamos a questão municipal, que agravou regionalmente”, destaca Halisson Habitzreuter, presidente da Acibr na época.

O economista Roberto Zen observa que nos anos que se seguiram, o desempenho da economia continuou fraco. Para ele, a crise de 2015/2016 ainda não foi superada.

“Essas crises, tanto a de 2008 quanto a de 2015, apesar de serem muito diferentes, trazem lições parecidas. Quando os fundamentos da economia não são sólidos no país, qualquer terremoto pequeno afeta grandemente o resultado das empresas”.

Apesar de a crise atual estar no auge, recomendo paciência e coragem de manter nossos colaboradores empregados. Acreditamos na vontade de produzir, de vender, de comprar e consumir, de investir, de empreender

Para o empresário Edemar Fischer, o Brasil começou a ensaiar uma reação a partir de 2019. “No fim do ano passado as empresas programaram investir, aumentar o número de empregos e consequentemente, incrementar a produção”.

Porém, a pandemia da Covid-19 acabou frustrando os planos de retomada.

“Apesar de a crise atual estar no auge, recomendo paciência e coragem de manter nossos colaboradores empregados. Acreditamos na vontade de produzir, de vender, de comprar e consumir, de investir, de empreender. Acreditamos nos produtos fabricados no Brasil, fabricados no nosso estado e, especialmente na nossa cidade. Vamos comprar e consumir produtos daqui e aos poucos nossa economia se recuperará”, declara Fischer.


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