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Sérgio Sebold

Economista e professor independente - sergiosebold@omunicipio.com.br

Cultura do “ex”

Sérgio Sebold

Economista e professor independente - sergiosebold@omunicipio.com.br

Cultura do “ex”

Sérgio Sebold

O prefixo latino “ex” nunca foi tão usado em extensão nos últimos anos nas relações sociais, como hoje. Este prefixo indica a ação de tirar, separar, abandonar, negar…

A todo o momento o “ex” aparece nas rodas sociais, ex-marido, ex-mulher, ex- noivo, ex-noiva (muito raro), ex-avô, ex-avó; por tabela, ex-cunhado, ex-cunhada. Entre os jovens solteiros, minha ex ou meu ex. Os “ex” passam ser um dente da nova engrenagem sócio/familiar. Uma notícia de casais que estão cumprindo seus mandatos sagrados de um casamento longo chega surpreender a opinião pública na sociedade.

É comum um jovem de hoje que chega aos 20 anos que não tenha passado pela experiência de duas ou mais vezes serem um ex-enteado pelos novos pares que seus pais adotaram, em arranjos “casamentais”; nesta ordem foi chamado de meu enteado várias vezes. Neste discurso teve também a expressão de ex-padrasto ou mesmo ex-madrasta.

Tive uma experiência ao encontrar um velho amigo de 20 anos, depois de caloroso abraço, perguntei: – Como vai a Irene. Ele meio sem graça me respondeu: – A Irene, já era, hoje ela é ex. Num tom até eufórico. Nesse ínterim se aproxima uma loira, bem mais jovem e me apresenta. – Ah, esta é minha nova mulher. Fiquei meio sem jeito, talvez se apercebesse, concluiu: – Ela também é ex-mulher.

Nesta engrenagem existencial, as crianças ficam totalmente perdidas diante de adultos cada vez mais irresponsáveis pela sua geração. Os pais quando casados ou não, não estão nem aí para repercussão emocional ou psicológica dos filhos quando enfrentam a situação de se tornarem ex.

A perda da filiação natural faz um rombo na mente das crianças que mais tarde se tornarão adultos frágeis, acomodados, apáticos; muitos se tornam violentos, totalmente perdidos, sendo vitimas fáceis para todo o tipo de vício.

A referência familiar, pai-mãe-filho ficou perdida, por conta de feministas a favor do aborto, liberdade da mulher… Psicólogos e psiquiatras relatam histórias dramáticas sobre as condições de presos. A maioria dos apenados tem um passado de desagregação familiar, pouco divulgado na grande mídia.

Os millennial generation, ou seja, os nascidos no século 21, que dizem “não” ao casamento tradicional terão um mundo totalmente diverso a de seus pais e avós. Não há mais o saudável choque de gerações, mas o distanciamento, a indiferença, o abandono dos pais pelos filhos; e se houver choque o será pelo lado da violência domiciliar. Surgirá então a indústria dos asilos ou mesmo da eutanásia eficaz.

Pela lógica positiva o ex pode ser também moralmente bom, por exemplo, ex-bandido, ex-drogado, ex-alcoólatra, ex-prostituta… Infelizmente estes casos são raros.

Enquanto se vê tantos “ex” pela cisão, pouco se fala dos ex altruísticos, enquanto etapa de missão nobre. Fui ex-aluno daquela escola, fui ex-jogador daquele time, fui ex-combatente…, são exemplos de uma bela lição de vida.

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