Poloneses da Silésia
Em 22 de abril de 1897, o jornal polonês Nowiny Raciborskie publicou nota de primeira página: “Polonos da Alta Silésia no Brasil. (…) Todos os envolvidos na colonização da Polônia na província brasileira Paranie (sic), trazem a história dos primeiros colonos poloneses nesta área. Eles eram Silesianos sob o domínio prussiano. Eles vieram em 1869 para o Brasil com a intenção de se estabelecer no Paraná.
No entanto, ao invés de serem levados para o Paraná, foram levados para Santa Catharina e se estabeleceram em torno de Brusque no Oakley (clareira de carvalho) habitada pelos Botokuda. Insatisfeitos com o lugar, abandonaram a colônia em massa e vieram para o Paraná. No entanto, o governo não quis dar-lhes uma colônia no Paraná, como resultado da queda dos emigrantes na miséria. (…) Na prefeitura de Curitiba, há uma lista dos primeiros colonos no Pilarsínio (sic), da qual damos os nomes desses primeiros pioneiros da colonização polonesa”.
Daí segue-se uma lista com os nomes de todos os transmigrados das então Colônias Itajahy e Príncipe D. Pedro (atual Brusque), constando o nome de Dominik Stempka – um dos poloneses embarcados a 11/6/1869 no porto de Hamburgo/Alemanha, a bordo do navio Victória. Depois de dois meses viajando pelo Oceano Atlântico, deu-se a chegada ao Brasil, via Rio de Janeiro, de cujo porto seguiriam viagem (ele, Dominik Stempka e mais dezenas de famílias) ao porto de Itajaí, litoral norte de Santa Catarina. De Itajaí, foram levadas em canoas pelo rio Itajaí-Mirim até as citadas Colônias.
Interessante notar que não há referência ao nome Dominik Stempka nos documentos pesquisados, no tempo de permanência dele e de seus familiares, nas Colônias Itajahy e Príncipe Dom Pedro (agosto de 1869: data da chegada e setembro de 1871, quando transmigraram para o rocio curitibano do Pilarzinho, no Paraná). Menos ainda em Atas da Câmara de Curitiba, muitas das quais, ao longo de 1873, acusavam a solicitação, por parte de diversos poloneses da leva de 1871, de pedidos de terras em Curitiba.
Porém, o que mais intriga nessa divulgação do jornal, é a enorme diferença de tempo transcorrido entre a chegada à atual Brusque (1869) e a publicação da nota (1897): 28 anos. Quase três décadas depois a história deles era outra a estas alturas, ambientados em novas colônias no Paraná, cultivando suas terras, vivendo a esperança continuada de, um dia – quem sabe -, voltarem à Polônia. Algo quê, pelo que se sabe, devido às dificuldades de então, nunca aconteceu.
Dominik Stempka, sua esposa Karolina Synowska e a filha do casal, Sophia, eram naturais da aldeia de Chrosczutz, localizada na província de Opole, Alta Silésia, no sudoeste da Polônia – região de onde também vieram os demais imigrantes da primeira leva, acomodados nas Colônias Itajhay e Príncipe Dom Pedro.
O nome Dominik Stempka aparece em 2 de setembro de 1884 no registro de casamento de Sophia com Bertholdo Adam, realizado na Igreja de Sant’Ana, na Colônia Abranches – terceira colônia de imigrantes poloneses mais antigas no sul do Brasil. Fato curioso, com relação à certidão de casamento de Sophia, é que consta que assinaram como padrinhos Philippe Kokot e Gasparo Gbur, ambos companheiros de travessia na rota do Atlântico Sul, a bordo do navio Victória, na viagem dos imigrantes.
Ainda sobre Dominik: ele faleceu em 23 de novembro de 1888, conforme registro do livro de Óbitos da Cúria da Catedral Nossa Senhora da Luz dos Pinhais, em Curitiba e foi sepultado no Cemitério da Colônia do Abranches, também em Curitiba.