O Brasil dava sinais de abertura democrática em meados de 1984, quando iniciaram as atividades da Mineração Rio do Ouro, popularmente conhecida como Calcário Botuverá, pelas mãos do empresário Nilo Barni e mais dois sócios.

Dava-se início ali à exploração do minério no município em grande escala, fato que alteraria para sempre a economia e a rotina dos botuveraenses.

Um ano depois, já com o fim do regime militar e a eleição de Tancredo Neves para a Presidência da República, outro empresário tentava galgar seu lugar entre as jazidas. José Augusto Werner, até então caminhoneiro, teve o sonho de abrir a própria mineradora.

A história de vida desses dois homens se confunde com a da mineração em Botuverá. Ambos têm trajetórias parecidas; iniciaram suas empresas com mais sócios, os quais alguns deixaram o negócio, mas eles se mantêm no mesmo ofício até hoje.

A exploração coordenada das abundantes jazidas de minérios na região mais alta do município surge, também, como forma de expansão produtiva.

Até aquela época, as extrações dos altos morros só eram utilizadas para fabricação de cal. A partir da década de 1980, as empresas passaram a minerar e distribuir diversos tipos de produtos.

Longe dali, nos grandes centros, as cidades efervesciam nos comícios das diretas já. Na pacata Botuverá, empreendedores davam início a um dos negócios mais complicados daquela e desta época: a exploração mineral em grande escala.

Aposta que deu certo

No início, Barni concentrou todos os seus esforços na produção de calcário agrícola, para atender a demanda de pequenos agricultores.

Existia uma dificuldade em colocar o produto no mercado em grandes quantidades, devido à falta de conhecimento sobre o calcário fabricado em Botuverá; à época, os agricultores estavam acostumados a comprar do Paraná.

Nilo Barni, fundador da Mineração Rio do Ouro | Foto: Arquivo Pessoal

A Rio do Ouro, aos poucos, foi se colocando no mercado, e firmou parceria com a empresa Votorantim, passando a explorar as jazidas da empresa mais ao alto, em Vidal Ramos, onde hoje existe uma filial.

“O Nilo também viu a questão da oportunidade”, diz o gerente da empresa, Sálvio Colombi. “Ele teve a visão de que o calcário agrícola ia ser muito utilizado”.

“E de fato ele acertou, não existe hoje agricultura sem calcário agrícola. Porque o calcário corrige a acidez do solo. E se não houver a correção da acidez, ele não produz”.

Eduardo Barni, filho de Nilo, lembra que demorou um tempo para a empresa passar a comercializar grandes volumes, devido à dificuldade do serviço feito com tecnologia limitada.

“Era tudo muito manual, precário, colocava-se o calcário em saco de cimento usado”, conta Barni. “Não tinha recurso disponível, era bem limitado”, afirma Colombi.

Da boleia do caminhão

A Calwer Mineração passou a operar pouco tempo depois da Rio do Ouro. José Augusto Werner, fundador da empresa, estava preocupado com as enchentes da década de 1980, que assolaram Botuverá e dificultaram o trabalho da empresa de seu pai, também fabricante de cal.

José Augusto, trabalhando como caminhoneiro, percorreu o Brasil afora vendo, por onde passava, como o calcário era imprescindível à atividade agrícola. Em 1985, ele, o pai e mais dois tios montaram uma sociedade.

Jose Augusto Werner, fundador da Calwer Mineração | Foto: Arquivo Pessoal

Para colocar o negócio de pé, foi necessária muita pesquisa de um ramo, até então, pouco conhecido. José Augusto trocava a praia pelo mato nos fins de semana, para conhecer bem os minérios com os quais pretendia trabalhar.

José Manoel Werner, filho do fundador, explica que, assim como a Rio do Ouro, a Calwer surgiu da visão do proprietário em expandir os trabalhos de mineração. A área onde a empresa se instalou era uma antiga fábrica de cal, comprada da família Walendowsky.

As fábricas de cal, precursoras das duas mineradoras de Botuverá, foram aos poucos morrendo, e hoje não resta nenhuma no estado. No seu lugar, as empresas passaram a explorar principalmente o calcário, mas diversificaram a gama de produtos.

“Meu pai conta que o começo foi muito difícil. Era muito trabalho braçal, não existia o maquinário para trabalhar”, conta José Manoel Werner. “Hoje você coloca uma escavadeira para trabalhar na pedreira e ela faz o serviço que 20 homens não faziam naquela época”.

Ele explica que quando a empresa começou, mais da metade dos funcionários trabalhava na pedreira, na extração de rochas, puxando as pedras detonadas.

Hoje, mais de três décadas após o início difícil, as duas empresas caminham rumo ao futuro, com o maquinário a modernizar-se e facilitar o trabalho. Uma trajetória vitoriosa iniciada artesanalmente nos já longínquos anos 1980.

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