Damares Alves: “É um Estado hipócrita”

Pastora e advogada da Frente Parlamentar Mista da Família e Apoio à Vida e de Combate às Drogas esteve em Brusque

Damares Alves: “É um Estado hipócrita”

Pastora e advogada da Frente Parlamentar Mista da Família e Apoio à Vida e de Combate às Drogas esteve em Brusque

Em breve passagem por Brusque na última sexta-feira, 23, a pastora e advogada Damares Alves conversou com O Município sobre família, aborto, educação sexual, legalização das drogas, reprodução assistida e infanticídio indígena.

Sem vinculação partidária, Damares é assessora jurídica da Frente Parlamentar Mista da Família e Apoio à Vida e da Frente Parlamentar de Combate às Drogas. É também Secretária Geral do Movimento Nacional Brasil Sem Aborto, conselheira do Movimento Nacional Brasil Sem Drogas e fundadora do Movimento ATINI – Voz pela Vida, de proteção e defesa da criança indígena.

Família

“Nunca a família foi tão atacada. Dá pra trabalhar no Brasil o combate a todos os tipos de preconceito e a inclusão de todas as novas modalidades de família sem atacar a família tradicional. Mas o que a gente tem visto hoje é que, em nome de inclusão e respeito à diversidade, se ataca esse modelo. Tudo o que a gente quer é respeito à família tradicional. Se é uma sociedade plural, então respeite a família tradicional e a nossa posição, de que esse é o modelo ideal. Em nome da diversidade, não querem respeitar. (…) Desestabilizar a família é desestabilizar uma nação.”

Aborto

“Eu sou contra aborto em qualquer situação. No caso de estupro, sou radicalmente contra. Se eu fosse estuprada, eu não abortaria, mas é uma decisão de cunho pessoal. E muitas mulheres nesse Brasil pensam como eu. Mulher estuprada, se lhe for dada opção, muitas não abortam. O bandido, quando é pego, recebe uma pena e vai ficar no máximo seis anos preso. A pena dele é de restrição de liberdade. O bebê recebe pena de morte. Que culpa tem o bebê? Quando a mulher aborta, deixa de ser vítima e passa a ser carrasca. O aborto não faz a mulher deixar de ser mãe, mas a torna mãe de um filho morto. (…) Não dá para dizer que aborto é liberdade, não existe liberdade quando o resultado é morte. ‘Meu corpo, minhas regras’, eu concordo. O corpo é da mulher e ela faz o que quiser, mas o que está na barriga dela não é corpo dela. No planeta Terra, a mulher é hospedeira. O bebê não é corpo da mulher, é outro corpo sobre o qual ela não tem direito de decidir. São hipócritas. A gente nunca vê uma marcha de fetos na rua pedindo para ser abortado. Só pede aborto quem já nasceu.”

Educação sexual

“A educação sexual deve acontecer e ser dada pelos pais. A escola não pode usurpar esse direito. Mas a escola tem que dar essa educação sob o ângulo da Biologia. Por exemplo, um menino de oito anos não pode atirar. Então, eu não vou levar para a sala de aula um revólver e ensiná-lo a atirar. Mas, no Brasil, o menino está recebendo camisinhas, com oito anos, e um pênis de borracha. Os professores estão indo para a sala de aula falar de masturbação para crianças de seis anos. A lógica tem que ser aplicada do mesmo jeito: não se fala de arma pra menino de oito anos, e não se dá pênis de borracha para criança. O que está acontecendo é que, em nome de educação sexual, estão erotizando crianças. (…) A escola tem que falar de educação sexual numa abordagem biológica, respeitando a criança e a família, inclusive dizendo que o método mais eficaz de prevenir a gravidez é abstinência.”

Drogas

“Droga é uma droga. Somos absurdamente contra a legalização. Liberar as drogas não vai resolver nenhum problema, é reconhecer a falência do Estado. O usuário é agressivo, violento, malvado. Acha que, na hora que sancionarem uma lei legalizando, o crackeiro vai acordar bonzinho, ‘paz e amor’? Hoje o usuário mata, é cruel, sequestra, tortura pra roubar para comprar droga ilegal. Na hora que sancionarem a lei, ele vai continuar cruel, matando, torturando, roubando para comprar droga, só que legal. Não é lei que muda o comportamento. Eu só conheço uma coisa que muda comportamento: Jesus.”

Reprodução assistida

“O Brasil liberou a reprodução humana sem critério algum. Estamos com milhares de embriões congelados e não sabemos o que fazer com eles, daqui a pouco vão ser todos assassinados, descartados. Esse é um mercado de muito dinheiro, e quem tem interesse nisso são os laboratórios de pesquisa. São crianças que estão congeladas, e há muitos anos. O Brasil não tem uma política clara, a lei tem que ser revista com urgência.”

Infanticídio indígena

“Temos 800 mil índios no Brasil hoje, 305 povos. Destes, em torno de 40 ainda matam crianças quando nascem gêmeos, pois eles acreditam que a alma se dividiu entre o bem e o mal, e não sabem qual é qual, então enterram as duas vivas. Temos povos que enterram crianças que nascem com deficiência física, filhos de mães solteiras, ou meninas quando já há muitas na família. Todas essas são medidas ancestrais de controle populacional. Numa família com muitas meninas, quem vai plantar e caçar pra tanta mulher? Não tem tanto homem pra casar. Um criança com síndrome de down não vai pra roça, não vai pescar. Gêmeos é superpopulação. Ainda hoje, um país com 230 milhões de habitantes não consegue ajudar 800 mil? Hipocrisia a gente fechar os olhos. (…) ‘Mas e a Funai não faz nada, o governo não faz nada?’ Os antropólogos dizem que essa é a cultura deles. Porcaria. A Constituição diz que a vida é um bem inviolável. A Constituição não vale pra índio? Que relativismo louco é esse? Dependendo da cultura, não é vida? É um Estado hipócrita.”

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