Deap investiga conduta de agentes em fuga de detento no Hospital Azambuja

Antônio Wilker de Souza, 31 anos, pediu para ir ao banheiro e na volta tomou arma do agente penitenciário

Deap investiga conduta de agentes em fuga de detento no Hospital Azambuja

Antônio Wilker de Souza, 31 anos, pediu para ir ao banheiro e na volta tomou arma do agente penitenciário

O Departamento de Administração Prisional (Deap) investiga se houve ou não falha no procedimento dos agentes penitenciários que escoltaram o fugitivo Antônio Wilker de Souza, 31 anos, ao Hospital Azambuja, na segunda-feira, 3, à noite. Após pedir para ir ao banheiro, o interno da Unidade Prisional Avançada (UPA) entrou em luta corporal com o agente, o desarmou, e fugiu do local com arma de fogo. Inicialmente, o agente penitenciário não foi afastado.


Decisão de ir ao hospital
O detento já havia ido ao hospital na última semana após passar mal e, na segunda-feira, foi levado novamente por conta de uma diarreia. O diretor da unidade, Peterson Gean Bezutti, explica que não há horário para levar os detentos ao hospital, entretanto, toda situação de saúde é avaliada pelo plantonista. “Eu não estou na unidade 24 horas para dizer se deve ou não levar [ao hospital]. Então o próprio plantão deve avaliar a necessidade”.

Bezutti ressalta que trabalhar com segurança é bastante delicado, pois dependendo da situação, se o agente negar o pedido, os detentos podem causar até um motim. “Não é qualquer caso que levamos para o hospital, mas também não rejeitamos nenhum atendimento hospitalar ou assistência em saúde, porém, naquele horário não tínhamos como atender na unidade”.

Antônio Wilker de Souza já possui um histórico de fugas em presídios / Foto: Divulgação

Desculpa da diarreia
Era por volta das 21h30 quando Souza fugiu do hospital. Ele aguardava para ser atendimento pelo médico, na companhia de um agente penitenciário, enquanto o outro agente fazia a segurança externa, por conta de outro detento que aguardava no carro. Em certo momento, o detento pediu para ir ao banheiro. Devido ao quadro de diarreia, foi necessário retirar a algema de um dos braços, para que ele pudesse se limpar.

O agente relatou para o diretor da unidade que quando Souza entrou no banheiro, estava com o marca passo – espécie tornozeleira utilizada para limitar os passos e evitar fugas. Assim que ele saiu do banheiro, o agente foi fazer o procedimento de algemá-lo novamente. Foi quando entraram em luta corporal. “O interno não conseguiu tirar a arma de imediato. O agente tentou evitar que isso acontecesse. Ele [agente] só recuou quando o interno já estava com a arma na mão. Recuou para evitar que houvesse um disparo dentro do hospital”, informa Bezutti. Ele acrescenta que o outro agente poderia disparar contra Souza, mas como havia pessoas ao redor, foi criterioso.

De acordo com a Polícia Militar, Souza fugiu em direção ao bairro Paquetá em posse da arma que tem 15 projéteis não disparados.


Conduta do agente
Em todo procedimento de segurança há riscos, segundo o diretor da UPA, e os agentes penitenciários são instruídos a tomar providências dentro da unidade para que se evite o máximo escoltar presos. “O que ocorreu não posso afirmar é que foi imprudência, até pela característica do agente envolvido, que sempre foi excelente, sempre teve uma boa conduta no trabalho. Eu afirmo que jamais ele facilitaria algo, e o trabalho irregular não é ética de nenhum agente penitenciário aqui de Brusque”, garante.

Na avaliação de Bezutti a situação foi uma eventualidade. “Não tem muito o que questionar ou argumentar. Graças a Deus não foi pior e foi isso a primeira coisa que pensei”, diz.


Esperteza do preso
O diretor da UPA afirma que Souza tinha um bom comportamento dentro da unidade, com respeito aos agentes. Entretanto, ele explica que essa é uma característica dos criminosos. “Avalio ele como um preso muito esperto”.

Antes dos detentos saírem do hospital, passaram por revista corporal. “Afirmo que celulares não entram dentro da unidade e ele passou pela revista e não tinha nenhum aparelho com ele”, informa Bezutti. Entretanto, o diretor acredita que a fuga pode ter sido premeditada.


Busca pelo foragido
Ainda na noite de segunda-feira o Pelotão de Patrulhamento Tático (PPT) e a equipe de Rondas Ostensivas com Apoio de Motos (Rocam) se mobilizaram em busca do foragido, inclusive com barreiras em vários pontos da cidade. O cão Brutus, do canil da PM de Blumenau, também veio a Brusque para fazer buscas. No entanto, ele perdeu a pista após cerca de 1 km de busca.

Durante todo o dia de ontem a Polícia Militar permaneceu à procura de Souza. O Centro de Operações da PM (Copom) recebeu algumas informações de que ele teria sido visto no bairro Limeira. Rondas foram realizadas, mas o foragido não foi localizado. A guarnição preventiva da PM, inclusive, utilizou uma viatura descaracterizada.


Momento de tensão
Diversos pacientes do hospital, que aguardavam atendimento no pronto-socorro, viram toda a ação. Um deles, que preferiu não se identificar, contou detalhes à reportagem: “Estava esperando pra me consultar, encostada na porta de vidro com acesso ao corredor, quando ele chegou chutando várias vezes a porta. Ele entrou apontando a arma na minha direção e para o resto das pessoas que estavam sentadas esperando sua consulta”. Após isso, todos os pacientes correram e se trancaram no banheiro. Segundo a paciente, diversas pessoas testemunharam o momento em que o preso tirou a arma do agente prisional.


Três fugas em cinco anos
Essa foi a terceira vez que Souza fugiu do sistema prisional, duas delas na UPA de Brusque e uma do Penitenciária da Canhanduba, em Itajaí. No dia 1º de dezembro de 2012, ele fugiu da UPA durante um banho de sol, danificando parte da estrutura da unidade. Ele foi detido 30 dias depois, no bairro Limeira.

À época, no momento da prisão, o criminoso disse que fazia parte de facção criminosa e ameaçou de morte os agentes e a imprensa, além de tentar oferecer dinheiro aos oficiais responsáveis pela sua captura para que não fosse preso.

Em setembro de 2014, Souza fugiu da Penitenciária de Canhanduba durante a formatura de presos como soldadores industriais. Porém, foi recapturado pela Polícia Militar 24 horas depois, escondido em um matagal próximo à penitenciária.

Já em 7 de dezembro de 2016, ele assaltou o supermercado Carol ao lado de um comparsa. Na época, apesar de ser baleado no braço, conseguiu fugir, enquanto o outro envolvido foi morto por um policial à paisana.

Depois, em 31 de dezembro de 2016, foi detido por violência doméstica e ameaça. No entanto, a detenção se transformou em prisão preventiva depois que ele foi identificado como o envolvido no assalto ao supermercado.


Condenado por tentativa de homicídio
Souza já foi condenado por tentativa de homicídio em julho de 2014. Em 6 de outubro de 2012, por volta das 4h, na rua PR 003, bairro Ponta Russa, ele tentou matar um homem, o qual foi surpreendido após a troca de breves palavras, e efetuou disparos com a arma que portava.

As lesões causadas na vítima não causaram sua morte. Segundo o processo, o crime foi praticado por motivo fútil, em virtude do inconformismo com o relacionamento amoroso ocorrido entre a vítima e a ex-companheira dele, enquanto cumpria pena anterior na UPA.


  • Veja o momento em que o Antônio Wilker de Souza sai armado do Hospital Azambuja:

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