Enquanto a taxa de homicídios em Brusque é uma das menores do país — até 20 de novembro de 2018 estavam registradas na Polícia Civil seis homicídios, três deles cometidos por parte da Polícia Militar em confrontos —, as mortes no trânsito são o calcanhar de Aquiles na segurança pública do município: até a mesma data, foram 14. Quase 1 mil procedimentos foram realizados ou abertos, entre inquéritos, prisões em flagrante, termos circunstanciados e outros trabalhos.

Na visão do delegado regional de Polícia Civil de Brusque, Fernando de Faveri, 2018 foi um ano muito produtivo, com a diminuição na quantidade das mortes no trânsito — em 2017, foram 23 —, a manutenção da taxa de homicídios e, principalmente, as resoluções frequentes de casos de furto e roubo em Brusque.

No fim de dezembro, o delegado foi informado que continua no comando da regional de Brusque e quer pôr em prática projetos importantes, como a transferência da Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso (Dpcami) para outro prédio, que não se concretizou em 2018. Outra vontade é a aplicação do novo fundo de apoio à Polícia Civil, criado no segundo semestre de 2018. Faveri avalia em entrevista a segurança pública de Brusque, a atuação da Polícia Civil e traça metas para 2019.

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Mudanças de gestão
Em 2018, foram feitas trocas no comando de todas as delegacias municipais da comarca de Brusque: Guabiruba, Botuverá, Nova Trento e Major Gercino, além da Ciretran e a mudança na chefia do Detran local. “Foi feita uma renovação, de acordo com novos critérios de produtividade que decidimos implantar. Apenas em Guabiruba o delegado de fato se transferiu para o litoral, as outras foram parte de mudança estratégica, questões de gestão para um ritmo mais avançado.”

Houve mudança também no comando central. Além da remanescente delegada Andreia Dornelles, assumiu em maio de 2018 a delegada Flávia Cordeiro, substituindo Leandro Sales, transferido para Jaraguá do Sul. “Ter na Delegacia da Comarca o comando de duas mulheres é algo, que eu me lembro, inédito na história da Polícia Civil de Brusque. São duas delegadas de polícia, um marco que nos dá muito orgulho e satisfação”, destaca Faveri.

Roubos e furtos
O delegado regional destaca o fortalecimento do Setor de Investigação e Capturas (SIC), que atua constantemente sobre furtos e roubos, como um dos pontos altos em 2018. “São crimes de difícil apuração, pois os objetos são vendidos rapidamente e muitas vezes os responsáveis não residem em Brusque. Mas a Delegacia da Comarca, com o SIC, se destacou demais neste ano, foi protagonista.”

Com cinco policiais atuando no setor, o rendimento foi grande, com recuperações de objetos e identificação de suspeitos e responsáveis pelos crimes quase diariamente em alguns períodos do ano. Para 2019, o objetivo é manter este efetivo para evitar a perda na efetividade.

“Fizemos um esforço em 2018 para mantermos os policiais no SIC. A tendência é sempre a queda. Muitas vezes a região é vista como uma passagem por quem chega, é normal que queiram trabalhar no litoral no futuro. Nosso desafio é manter os policiais.”

Homicídios
Até novembro, Brusque teve seis homicídios, sendo que três foram em decorrência de confrontos envolvendo a Polícia Militar. Entre cidadãos comuns, houve dois homicídios no município. Todos os casos foram solucionados e devidamente encerrados. “É um número que se mantém dentro do razoável. Estaremos mais uma vez com um dos melhores números do Brasil no quesito. Em 2017, foram seis homicídios.”

Transparência
A partir de novembro, a Polícia Civil de Brusque passou a filmar todos os procedimentos de inquéritos e termos circunstanciados, eliminando boa parte do papel que costumava ser utilizado. Faveri considera a medida uma inovação essencial para a transparência do trabalho policial.

“Será possível fazer um controle melhor por parte da Justiça e do Ministério Público. Pode servir para a defesa de policiais sobre abuso de autoridade e também para questões de conduta. Afinal, são todas as conversas entre policiais e vítimas, testemunhas e suspeitos que terão a gravação audiovisual”.

Ensino Superior
O intercâmbio com o Centro Universitário de Brusque (Unifebe) tem sido fortalecido, com a cessão de drones e o auxílio em estudo dos homicídios, além de pesquisas sobre os crimes de Brusque e região. De acordo com Fernando de Faveri, o ápice da parceria será a publicação de um livro.

Fundo Municipal
A partir de janeiro de 2019 a Polícia Civil de Brusque terá acesso a um fundo municipal no valor de R$ 12 mil mensais, que é resultado de parceria entre a administração pública e a sociedade civil. O delegado vê a novidade como uma das principais conquistas de 2018 e planeja formar um caixa para compras maiores de aparato de investigação.

“Será um divisor de águas na região e nos auxiliará na melhora e atualização de equipamentos, além de outras despesas. É um recurso aparentemente pequeno, mas após a resolução de problemas iniciais e pontuais mais urgentes, será substancial ao longo dos anos.”

Crime organizado
Para Fernando de Faveri, boa parte do descontrole na questão de homicídios no Brasil se dá em função das organizações criminosas. Ele destaca em 2018 a Operação Realeza, que resultou na prisão de 12 pessoas envolvidas com organização criminosa no município.

“O combate precisa ser frequente, vigilante, progressivo e gradual. Descuidos podem causar o que causou Florianópolis, Joinville, Criciúma, uma escalada de homicídios. Na medida do possível fazemos prisões de membros de facções em Brusque, tenham eles o objetivo de morar ou atuar no município. O esforço e a cooperação entre as polícias e o Ministério Público faz com que o ritmo esteja ficando constante, sem aumento no município. Temos tentado prender e obtido sucesso. São João Batista e Tijucas, por outro lado, sofrem mais com este problema.”

Dpcami
O delegado já pretendia transferir a Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso (Dpcami) para outro prédio em 2018, mas o projeto não saiu do papel. Em 2019, ele espera pôr os planos em prática.

“Hoje no mesmo prédio temos DIC, Dpcami e Delegacia da Comarca (DPCO). É pouco espaço físico e má acessibilidade, apenas por escadas. A Dpcami fica no último andar. É inadequado. Não é raro policiais descerem para fazerem procedimentos. O novo fundo municipal deve ajudar muito nisso, na montagem de equipamentos e mobiliário. A locação do novo espaço tem sido discutida com gestores da Polícia Civil. O projeto é longo e complicado”, explica.

A justificativa de transferir a Dpcami é porque DPCO e DIC trabalham com crimes que têm conexões entre si, e o intercâmbio entre as duas é fundamental na opinião do delegado. Com a Dpcami oferecendo atendimento a público especializado, teria mais a ganhar com um espaço exclusivo.

Mortes no trânsito
Até 20 de novembro, a Polícia Civil tinha registrado 14 mortes no trânsito. É a questão de segurança pública que mais preocupa Corpo de Bombeiros, Polícia Militar e Polícia Civil em Brusque. Quase 70% das vítimas fatais são motociclistas. “É uma grande meta nossa: diminuir a quantidade de mortes no trânsito, além de fazer a manutenção da taxa de homicídios.”

Transparência
Fernando de Faveri pretende elaborar um conjunto de normas internas para todos os órgãos e estruturas englobados na 17ª Delegacia Regional de Polícia, reiterando boas práticas e código deontológico específico. A ideia é dar mais transparência ao trabalho realizado. O fato de alguns dados não coincidirem entre órgãos de segurança pública é considerado pelo delegado “um disparate”.

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“O Observatório Social de Brusque pode nos ajudar. Devemos fazer um documento escrito publicado. Nossas virtudes, falhas e sucessos precisam estar claros. A ideia é que facilitemos o monitoramento por parte da sociedade, e claro, da imprensa. A recém-fundada Associação dos Profissionais em Comunicação da Região de Brusque (Aprocorb) pode nos ajudar nesta elaboração.”

O delegado regional ressalta que, com o bom relacionamento entre polícias civil e militar, a divergência nos dados costuma ser corrigida rapidamente com conferências rápidas. Entretanto, confessa que é uma questão que precisa de reparos.

“É importante que haja coerência entre as estatísticas dos órgãos públicos. Conhecendo os problemas, é melhor direcionar efetivo, fundo, gerir o recurso público da melhor forma.”

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