Em 11 de março de 1910, Evilásio Gevaerd inaugurava a Joalheria Gevaerd, a primeira loja do ramo em Brusque. À epoca, também era chamada de “relojoaria do Doca”, com o apelido do proprietário. De acordo com o neto de Evilásio, Adelfo, o estabelecimento começou na rua Conselheiro Rui Barbosa, no Centro de Brusque.

A história centenária da joalheria passou por diversas mudanças e episódios históricos de Brusque, inclusive as enchentes, das quais os proprietários e a loja conseguiram sair sem grandes prejuízos.

“Meu avô Evilásio era um grande empreendedor. Tinha como fornecedor Carlos Meyer, um importador de Florianópolis. Dele, comprava relógios e joias. Não havia ótica na loja daquela época Também se trabalhava com lustres, luminárias, lâmpadas, muitos relógios de parede. Eram muitas coisas”, conta.

A família: Aurora, Eduardo, Geny, Harri, Edith, Ayres e Iris. Sentados, Carolina e Evilásio | Foto: Cesar Gevaerd/Arquivo pessoal – Postada no grupo Curto Fotos Antigas de Brusque, no Facebook

A historiadora Jaqueline Kuhn destaca que em edição da Revista Brusque em 1947, consta: “sua grande dificuldade era a aquisição de mercadorias, pois não havia transporte para a capital e as casas especializadas no ramo não mantinham viajantes com Brusque. Daí a necessidade do Sr. Evilásio viajar a cavalo à capital (cousa que demorava quatro dias) para comprar o que necessitava.”

Houve um momento em que Evilásio decidiu construir um prédio em um terreno doado à sua esposa, localizado na atual avenida Cônsul Carlos Renaux, próximo onde hoje está a Livraria Graf. Neste prédio, o relojoeiro tinha seu lar e sua loja.

Adelfo, atual proprietário, conta que entre as décadas de 30 e 40, dois filhos de Evilásio, Harri e Ayres, compraram a empresa, mas seguiram pagando o aluguel do prédio, que continuava sob propriedade do fundador. “Não tinha como fazer doação, meu avô tinha outros filhos, então a empresa foi mesmo comprada”, explica Adelfo, que é filho de Harri.

A relojoaria era um ofício passado de geração a geração na família Gevaerd, apesar de Harri ter sido ourives, e por isso bastante ligado à área dos objetos em ouro e prata. Adelfo, nascido em 10 de dezembro de 1944, começou como relojoeiro por volta dos 15 anos.

Quando a antiga relojoaria do Doca já tinha quase 70 anos, a empresa passou a ter também a parte de ótica entre suas atividades, por iniciativa de Adelfo. Em 1967, fez seu primeiro curso de ótica, e em 1969 se formou em Caxias do Sul (RS).

Em meio à extensa história da loja, Adelfo se perde entre suas memórias. Sem conseguir precisar a data, diz que na década de 1980 a joalheria chega à sua terceira geração.

Adelfo, seu irmão Rogério e o primo Ayres compram a empresa. O imóvel de Evilásio Gevaerd já havia sido comprado. O lado da família de Ayres Gevaerd ficou com o prédio, e o de Harri, com a empresa. Por volta de 1990, em imóvel próprio, a Gevaerd, já como joalheria e ótica, passou a operar na rua Adriano Schaefer.

Atualmente com filial em Guabiruba, Adelfo fica feliz em dizer que seus filhos também estão dispostos a continuar a empresa centenária e pioneira. Aos 110 anos, o legado de Evilásio Gevaerd passa por gerações e mais gerações, rumo ao bicentenário e além.

Página de registro da joalheria que data de 11 de março de 1910 | Foto: Adelfo Gevaerd/Arquivo pessoal
O início da loja, repleta de relógios de parede | Adelfo Gevaerd/Arquivo pessoal

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