Para quem vive em outros municípios banhados pelo rio Itajaí-Mirim – como Brusque e Itajaí – é difícil imaginar que, em Botuverá, o mesmo curso de água é quase que totalmente livre de poluição. O cheiro desagradável e o lixo dão lugar a uma paisagem bucólica, ao canto dos pássaros e ao isolamento da civilização, antes que as águas encontrem a região urbanizada.

Em Botuverá é comum, inclusive, a prática de esportes de aventura. Animais silvestres e plantas em extinção são muito mais comuns nas margens do rio em solo botuveraense. Mesmo com o passar dos anos e o desenvolvimento da cidade, a comunidade aprendeu a preservar e respeitar o rio, compreendendo sua importância vital para a vida humana.

Caiaque Club Botuverá/Divulgação

Para proteger o rio, mantê-lo conservado e conscientizar sobre a preservação, um grupo de botuveraenses realiza periódicas descidas do Itajaí-Mirim com caiaques. O Caiaque Club de Botuverá une a prática do esporte com a proteção do meio-ambiente, recolhendo lixos e detritos largados pelo rio.

A atividade exige resistência e vigor físico, chegando a durar cerca de 16 horas, dependendo do lugar em que os caiaques largam. Em boa parte das vezes, o grupo parte da nascente, em Vidal Ramos, e segue até Brusque remando com afinco na intenção de mapear, contemplar e despoluir o Itajaí-Mirim.

O histórico rio, onde as primeiras comunidades da região se desenvolveram – e ainda antes delas, índios nativos nele se banharam, pescaram e prepararam alimentos – segue seu curso de forma silenciosa e preservada em Botuverá. Se nos centros urbanos o imponente rio torna-se estreito, quase lembrando um riacho devido à manipulação que sofreu nas mãos dos homens com o passar dos anos, em terras botuveraenses o curso de água tem dimensões impressionantes.

Em meio às partes mais largas do Itajaí-Mirim, os caiaques tornam-se pequenos pontos coloridos na imensidão de água. Sustentando o rio com a distribuição de oxigênio e manutenção os recursos hídricos está a mata ciliar, também bastante preservada em território botuveraense. As partes mais rochosas do rio também proporcionam desafios aos remadores, que buscam desviar dos obstáculos e seguir o curso até o destino.

Salvo pelo caiaque
Integrante do Caiaque Club de Botuverá, Anderson Alex Bambinetti esteve presente na primeira expedição de caiaque pelo rio Itajaí-Mirim. A data ele sabe de cor: 30 de outubro de 2011. Tudo começou como uma brincadeira entre amigos, em um dia que chuviscava na região. A aventura acabou por ser fundamental para a sobrevivência de Eduardo Barni.

Naquele dia, o jovem se acidentou em meio à mata fechada. Estava longe da estrada e não seria encontrado de forma ágil em uma busca a pé. Foram os aventureiros com caiaque que encontraram Eduardo. “Com certeza ele não teria sobrevivido se não fosse por nós”, afirma Bambinetti.

Após ficar em coma por vários dias, enfim Eduardo sobreviveu ao acidente. Eduardo, hoje adulto, se diz eternamente grato ao grupo. “Eu havia dormido no volante, e caí em um barranco perto do rio que não teria como ser visto por quem passava de carro pela via. Meu pulmão foi perfurado com a queda. Mais algumas horas sem atendimento e eu não estaria com vida”.

Grupo agora realiza descidas frequentes pelo rio / Foto: Caiaque Club Botuverá/Divulgação

A adrenalina da prática esportiva e o contato com a natureza são os elementos que mais atraem o botuveraense para o caiaque. “Você sente uma paz tremenda, e não escuta nada. Eu já desci da região da Areia Alta até Brusque. Em algumas áreas nem casa tem. Tu ficas de duas a três horas direto em meio à natureza”.

Tão importante quanto se aventurar pelo extenso rio, que cruza pelo menos quatro municípios, é colaborar com a preservação. Conforme explica Bambinetti, da região do bairro Pedras Grandes para cima o Itajaí-Mirim está em excelente estado. “Lá não há tinturarias ou empresas que poluem o rio. Do bairro Rio Branco, em Brusque, para baixo, fica mais complicado. Há muitos produtos químicos. O cheiro é insuportável”.

Despoluindo
O trabalho de despoluição é incessante e exige observação e paciência. Os objetos retirados do rio Itajaí-Mirim pela equipe de caiaque impressionam pelo descaso o qual muitas pessoas têm com a fonte de um dos recursos naturais indispensáveis ao ser humano.

Conforme explica outro integrante do Caiaque Club de Botuverá, Jeferson André Mariani, o monitoramento do rio precisa ser ainda mais constante. “Hoje em dia a descida do rio não é mais apenas uma aventura, e sim um serviço prestado à comunidade, à nossa região. Nós estamos acompanhando a saúde do rio”.

Jeferson é uma das pessoas mais ativas na busca de colaboração não só do poder público de Botuverá, mas também de outros municípios para a realização da descida. Segundo ele, se fosse um evento mais constante poderia surtir ainda mais efeito.

“Hoje o material encontrado dentro do rio é uma situação bem desagradável. Chegamos a tirar um litro de veneno. Nós recolhemos e deixamos no caiaque, para depois dar o descarte correto”.

Pneus, móveis velhos e um galão com dois litros de óleo também já foram recolhidos pelos membros do grupo de caiaque.

Rio Itajaí-Mirim
Endereço: Ao longo do município
Acesso: Livre
Nível de dificuldade: Médio
Riscos: Médio
Sinalização: Sem sinalização


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