Em 2013, o trio formado por Brian Mannrich, Eduardo Becker e Euller Zimmermann decidiu tirar o Lageadense do esquecimento, reformulando o clube na tentativa de recolocá-lo na disputa de títulos. Inicialmente, com o futsal, porque não havia tempo hábil para reestruturar o time de futebol. Eles tinham, respectivamente, 22, 17 e 19 anos à época.

“Assumimos o clube no começo de 2013. Estava tudo abandonado. Pedimos ajuda para reformar o campo, e a Prefeitura de Guabiruba nos deu traves novas, porque não tínhamos nenhuma condição”, conta Brian, atual presidente.

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Em 2015, o time foi finalmente formado, em homenagem a Gilberto Batschauer, personagem importante na história do clube, pai do lateral direito Juari. O time alcançou as semifinais. Em 2016 e 2017, ótimos desempenhos levaram o Lageadense à final.

As duas chances de conquistar o bicampeonato, no entanto, foram perdidas para o Olaria, a principal força do futebol guabirubense na atualidade. Em 2016, perdeu por 4 a 0 em casa e por 2 a 1 na Guabiruba Sul. Em 2017, derrota por 1 a 0 em casa e 4 a 1 fora.

O primeiro retorno a uma final traz um sentimento especial ao interminável lateral-direito Juari Batschauer, de 39 anos. “Foi uma surpresa, não esperávamos chegar à final naquele ano, foi difícil. O time foi feito só para competir.” Após uma classificação às quartas-de-final conquistada na bacia das almas, o Lageadense venceu o Cruzeiro, no Aymoré, por 3 a 1, em jogo único.

Segundo lugar em 2017 foi o terceiro na história do clube | Foto: Marcos Borges/Arquivo O Município

A semifinal foi contra o Caresias. Após a derrota por 2 a 1 no Lageado Baixo, o time se superou e venceu o segundo jogo, no campo do Cruzeiro, no Aymoré, por 3 a 0. Muitas vezes o Lageadense disputou as partidas sem reservas naquele ano. Um dos heróis da campanha foi Xande, jogador que tempos depois se mudou para Ituporanga, onde conquistou títulos pelo futebol amador do município.

Desde 2013, muitos outros colaboradores ajudaram Brian, Eduardo e Euller na retomada, mas foram os três que permaneceram o tempo todo. A maior parte dos custos era paga dos próprios bolsos. “Nossa motivação é gostar de futebol, e gostar de jogar ali. O começo foi muito complicado.”

“Às vezes um tenta desistir e o outro não deixa”, lembra Euller.

“Já ficamos dois meses sem nos falar, em questão de decisão tomada, discordâncias sobre clube, time. Mas no fim, sempre voltamos”, completa Brian.

Equipe de bocha trio feminina foi campeã em 2018, com Lucimeri Pereira, Irene Eing e Iva Ampense de Carvalho. Nélio Zancanaro foi o treinador | Foto: Prefeitura de Guabiruba/Divulgação

Atualmente sem sócios, o estatuto do clube está sendo estudado e refeito por um advogado, para regularizá-lo e legitimá-lo totalmente junto à Justiça. Este é o principal desafio enfrentado pela diretoria atual. Hoje, o campo de futebol e a cancha de bocha estão recuperados e em boas condições. O campo, inclusive, é alugado para treinos do Brusque e do Carlos Renaux esporadicamente, e o trio de bocha feminina foi campeão municipal em 2018.

As verbas para o time de futebol e para o resto do clube são separadas. O time de futebol é mantido com dezenas de patrocinadores, enquanto o clube vive de ações promovidas pela diretoria. Novos uniformes são lançados a cada ano, e o do ano anterior se torna o uniforme reserva. A camisa de 2018 é um modelo inspirado na de 1992.

Após a recuperação e a estabilização do clube, os novos objetivos para a estrutura ainda são sonhos distantes. “Para nós, o nível do clube tá bom. O ideal era fazer um vestiário novo, ampliar o campo, fazer uma sede nova, mas tudo isto custa muito dinheiro”, explica Brian.

Euller, Brian e Eduardo uniram esforços para trazer o Lageadense de volta | Foto: João Vítor Roberge

Nos últimos anos, Filipe Noé, o Filipinho, é uma das principais demonstrações de lealdade ao Lageadense. Desde 2014, o primeiro ano do clube no futebol amador desde 2008, ele viu de perto a reestruturação do clube e em 2018 teve a oportunidade de atuar ao lado do irmão caçula, Gabriel, de 16 anos, que já passou por categorias de base de clubes profissionais.

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Em 2018, o atacante e lateral-direito de 22 anos, que veste a camisa 71, se forma em Engenharia Civil. Até os 17 anos, o sonho era ser jogador de futebol profissional, mas agora ele cumpre, no Lageadense, uma parte do que quis na infância e na adolescência. “Durante esses anos, foram diversos aprendizados absorvidos e transformados em evolução pessoal. Fiz diversas amizades que levarei para a vida. É enorme o sentimento de amor e gratidão que tenho pelo clube Lageadense.”


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