Dois grupos estão interessados em assumir o Hospital e Maternidade de Brusque

Nomes ainda não foram revelados; médicos querem reabertura imediata

Dois grupos estão interessados em assumir o Hospital e Maternidade de Brusque

Nomes ainda não foram revelados; médicos querem reabertura imediata

A novela envolvendo o Hospital e Maternidade de Brusque (HEM) aproxima-se de um desfecho. Segundo Wolney Carlos Loeff, que atende na instituição há 35 anos, há tratativas entre os profissionais e as partes envolvidas para que um outro grupo assuma o comando.

No entanto, o caminho até a reativação da Maternidade ainda envolve algumas decisões judiciais. Segundo Loeff, os cerca de 50 médicos que integram a instituição têm se reunido regularmente para tratar do assunto.

“Em reunião com os nossos colegas, estamos totalmente indignados com essa situação que se criou em um hospital que atua na sociedade há mais de 70 anos. Estamos deixando de oferecer à comunidade toda a estrutura que temos aqui”, afirma o médico.

Wolney Carlos Loeff, integrante do grupo que luta para reerguer instituição | Foto: Marcos Borges

Nesses encontros, também foi tratada da negociação para a retomada do hospital. “Temos dois hospitais idôneos, de Florianópolis e de Porto Alegre, interessados em vir para cá”, afirma Loeff. Ele diz que são grupos sérios e conhecidos, portanto, têm apoio da classe médica para tocar o HEM.

A essa altura, os médicos se uniram para tentar resolver a situação que também os impacta diretamente. O movimento nos consultórios anexos ao hospital caiu sensivelmente, desde que o HEM foi fechado.

“Temos dois hospitais idôneos, de Florianópolis e de Porto Alegre, interessados em vir para cá”,

Loeff cobra que a sociedade civil organizada brusquense se mobilize para salvar o hospital. Para ele, são necessários “investidores sociais” para injetar dinheiro e fazer a instituição voltar a atender. Eles podem ser tanto locais quanto os grupos hospitalares interessados em vir para Brusque.

A infraestrutura do hospital é o principal chamariz aos investidores, segundo médico. A instituição conta com Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal, por exemplo, que tem capacidade para atender crianças de todo o estado.

A UTI para adultos também é um diferencial, além dos equipamentos para cardiologia e diagnóstico por imagem. Na avaliação de Loeff, essa infraestrutura, e a localização central, não podem ser desperdiçadas.

“Não é uma simples casa de saúde ou um ambulatório. Para construir uma estrutura dessas, seria necessário um investimento muito grande”, diz o médico. As negociações continuam em sigilo, mas esbarram na questão financeira. Há desenvolvimentos na Justiça do Trabalho que poderão viabilizar o negócio.

Carlos Kuhn, um dos diretores do Grupo Aliança, confirma que existem dois grupos interessados em adquirir o HEM. Ele afirma que a negociação ocorre em sigilo, por isso não revela os nomes.

Permanência de médicos
Os médicos do hospital estão concentrados em tornar possível a reabertura das portas. Eles mesmos tentam encontrar investidores para reativar as atividades. Loeff ressalta que muitos brusquenses nasceram na instituição, que tem uma forte ligação com a comunidade.

As negociações com os dois grupos interessados envolvem a permanência da atual equipe. Segundo Loeff, os profissionais que hoje atendem no HEM são capacitados e conhecidos, e têm condições de tocar o hospital em uma nova fase.

O médico considera importante que o novo grupo tenha uma boa comunicação com os profissionais. “Que tenha um bom relacionamento com a classe médica, o que o antigo hospital deixou a desejar. Os médicos querem participar da parte administrativa, porque hospital sem médico é uma padaria sem padeiro”.

Impacto aos profissionais
Para Loeff, a reabertura do hospital é urgente, e o objetivo principal de qualquer negociação. O médico considera que o fechamento da instituição é algo péssimo não só para os médicos, mas para a sociedade.

“Há médicos que já foram para Balneário Camboriú”

Por um lado, atinge os médicos, que sofrem com a falta de um centro cirúrgico ou de uma estrutura mais próxima. Além disso, os anestesistas – que são 100% dependentes de cirurgias – ficam sem trabalho. “Há médicos que já foram para Balneário Camboriú”, afirma Loeff.

Outro impacto em cima dos médicos é a infraestrutura. Hoje em dia, eles têm de agendar os procedimentos no Hospital Azambuja. “O hospital está fazendo um bom papel, mas não consegue dar conta porque é muita gente. Nossa microrregião abrange São João Batista, Nova Trento, Canelinha e outros municípios”, diz Loeff.

Dívida ultrapassa os R$ 30 milhões

De acordo com Wolney Carlos Loeff, o passivo do HEM ultrapassa os R$ 30 milhões. Esse valor inclui as dívidas com os empregados, a Justiça, os fornecedores, os médicos e demais partes envolvidas.

O montante é considerado elevado, por isso, até o momento, nenhum grupo hospitalar assumiu o hospital. Foi o tamanho da dívida que também atrapalhou o interesse da Unimed em comprar a Maternidade.

No entanto, ele avalia que, caso novos gestores assumam o hospital, a Justiça do Trabalho permitirá que o passivo, ou seja, as dívidas, sejam separados da estrutura de operação do hospital.

Nesse caso, os administradores anteriores responderiam pelas ações. “Para quem assumir o hospital fazer uma nova administração, o passivo será resolvido via judicial. Esse passivo não era para ter acontecido, mas não adianta mais chorar pelo leite derramado, temos que reabrir o hospital”, diz Loeff.

Na avaliação do médico, o preço para essa reabertura é de R$ 5 milhões a R$ 10 milhões, dinheiro que seria usado para contratar funcionários, comprar materiais e quitar dívidas com fornecedores mais emergenciais.

Leilão da unidade
A 1ª Vara do Trabalho foi consultada sobre uma decisão envolvendo a Maternidade, a qual envolve um possível leilão da unidade.

O juiz responsável não estava disponível, porém, a informação é que o documento ainda não foi tornado público e as últimas diligências estão sendo feitas pelo oficial de justiça.

 

Trabalhadores cobram direitos na Justiça

Conforme noticiado por O Município em reportagem anterior, os funcionários e ex-empregados do HEM moveram ações individuais na Justiça do Trabalho nas quais solicitam as rescisões indiretas e o bloqueio dos bens dos representantes do Grupo Aliança e da Associação Martin Luther (Comunidade Luterana).

Hélio Gustavo Alves, advogado que representa os funcionários, mas não é do sindicato da categoria, explicou, à época, que pediria, também, o bloqueio de bens do Grupo Aliança e da associação para pagar os trabalhadores.

O presidente do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Saúde de Blumenau e Região (Seeb), Ingo Ehlert, explica que o sindicato não é parte nesses processos, pois foram movidos pelos funcionários de forma particular.

Ehlert frequentou reuniões com o Grupo Aliança e afirma que, de fato, há o interesse na reabertura do hospital. Mas, até agora, não há detalhes sobre quem poderia assumir o HEM. Em uma das reuniões, comentou-se sobre uma ação de reintegração de posse por parte da da Comunidade Luterana.

Loeff tem conhecimento da possível reintegração de posse, por quebra de contrato. “A Comunidade Luterana não tem caixa para colocar, aí o hospital seria lacrado”. O representante jurídico dos luteranos foi procurado, mas a associação preferiu não se manifestar.

 

Unimed recusou HEM por causa da dívida

A Unimed chegou a aventar a possibilidade de comprar o HEM. Mas, segundo Loeff, a maioria dos cooperados votou contra na assembleia geral porque a dívida superior a R$ 30 milhões é considerada muito alta.

Para o médico, que também faz parte da Unimed de Brusque, o plano de saúde provavelmente tem interesse em abrir um hospital na cidade no futuro. Por enquanto, a saída seria a reabertura do HEM, uma vez que o investimento para a construção de uma nova unidade é alto.

Enquanto isso, os brusquenses ou buscam o Azambuja ou vão para outras cidades. “Temos um fluxo muito grande de pacientes indo para outros municípios”, afirma Loeff. Segundo ele, o deslocamento para outras cidades é ruim para os planos de saúde locais, que têm gastos maiores.


Entenda os processos

Ação de separação do passivo: processo no qual a dívida trabalhista deve ficar com os atuais donos (Grupo Aliança), deixando o novo grupo atuar sem pendências financeiras anteriores

Ação de reintegração de posse: processo no qual a Comunidade Luterana poderá reaver o imóvel para si por quebra de contrato

Ações trabalhistas: processos individuais que pedem o bloqueio dos bens dos representantes do Grupo Aliança e da Comunidade Evangélica, e a rescisão indireta

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