Dois homens são condenados por tentativa de homicídio

Morte da vítima seria um troféu para o PGC por ela não ter aceitado entrar na facção criminosa

Dois homens são condenados por tentativa de homicídio

Morte da vítima seria um troféu para o PGC por ela não ter aceitado entrar na facção criminosa

Edson Roza Alves foi condenado a 12 anos de prisão, e Breno Wallace Borges Campos a sete anos e quatro meses, por tentativa de homicídio. O caso aconteceu no dia 23 de outubro, quando eles tentaram matar Daniel Barbosa com dois tiros.

O motivo que levou ao crime seria uma desavença entre Alves e Barbosa durante o período em que os dois estiveram presos no presídio São Pedro de Alcântara, na Grande Florianópolis, em 2009, pois a vítima se recusou a se associar à facção criminosa do Primeiro Grupo da Capital, conhecido como PGC, a qual o acusado fazia parte.

Antes do crime, o delegado Alex Bonfim Reis, da Divisão de Investigação Criminal (DIC), investigava Alves por envolvimento com o tráfico de drogas. Durante as escutas telefônicas, os policiais descobriram que o acusado, mesmo preso, planejava matar Barbosa – e tentaram avisá-lo. Mensagens de texto entre ele e Campos deixaram claro que a morte da vítima seria um troféu para o PGC.

O crime aconteceu na saída temporária de sete dias, benefício que Alves recebeu durante o cumprimento de sua pena em um presídio em Palhoça, também na Grande Florianópolis. As investigações comandadas pela DIC de Brusque apontaram que ele comandava de dentro do presídio o tráfico de drogas e Campos teve envolvimento tanto na prática da comercialização ilegal de entorpecentes como no planejamento do assassinato de Barbosa.

Alves confessou que mantinha um celular dentro do presídio, mesmo sendo ilegal, mas negou fazer parte do PGC. Ele disse em depoimento que, poucos dias antes de cometer o crime, recebeu uma ligação da namorada de Barbosa dizendo que a vítima iria matá-lo, depois, na intenção de assustá-lo, planejou um ataque contra ele.

Para isso, Alves alegou que enviou mensagens – dizendo que a morte de Barbosa seria um troféu para o PGC – no intuito de incentivar os criminosos a facilitarem o acesso dele a um revólver. Já Campos, negou seu envolvimento no crime e na data dos fatos não sabia das intenções de Alves.

O julgamento foi conduzido pelo juiz da Vara Criminal da comarca de Brusque, Edemar Leopoldo Schlösser, começou por volta das 8h30 e terminou somente à noite.
Relembre o caso

No dia do crime, Alves pegou um revólver e se dirigiu à rua Santa Cruz, no bairro Paquetá. Ele estava em um carro GM/Vectra, dirigido por Renato Lacerda. Além deles, Breno Wallace Borges Campos – o outro condenado por tentativa de homicídio – e um outro adolescente também estavam no veículo. Eles esperaram por um tempo no local, próximo a uma lanchonete, pois receberam a informação de que a vítima estava lá.

Depois de tentar duas emboscadas, sem sucesso, um outro adolescente, conhecido como Bolinha, indicou por telefone a exata localização de Barbosa. Quando encontraram a vítima, Alves, que estava no banco traseiro do carro, abriu o vidro e colocou o tronco para fora da janela e efetuou dois disparos na direção de Barbosa, atingindo ele na perna e no braço.

A vítima ficou ferida e foi conduzida ao Hospital Azambuja. Os dois acusados foram condenados por tráfico de drogas em 2014 e por associação ao PGC. Alves era, inclusive, apontado como o líder do grupo, que além de Campos, tinha também outras duas pessoas, uma mulher de 22 anos e um homem de 26.

Apesar de ter escapado da tentativa de homicídio executada por Campos e Alves, Daniel Barbosa foi morto no dia 7 de novembro de 2014, durante um assalto na cidade de Guaratuba (PR). Segundo dados levantados pela imprensa local, ele havia roubado uma casa lotérica e quando saia do estabelecimento um policial militar de folga, que flagrou a ação, deu voz de prisão. Na ocasião, ele tentou reagir e o soldado atirou no tórax e na cabeça dele.

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