A duplicação da rodovia Antônio Heil foi dividida em três trechos. O primeiro, em Itajaí, sob responsabilidade do governo do estado. O segundo é do limite com Brusque até a concessionária Uvel, em parceria com a empresa Irmãos Fischer, por meio de abatimento de ICMS. Já o terceiro compreende o trecho municipal, a ser executado pela prefeitura.

Enquanto a parte da Irmãos Fischer está concluída, os 5,8 quilômetros municipalizados sequer tem projeto.

No entanto, o principal trecho são os 20,9 km, em Itajaí. Começa no Limoeiro, nas proximidades do Deorum Motel, e vai até o entroncamento com a BR-101.

Este fragmento é duplicado pelo Consórcio Triunfo-Compasa, sob supervisão da Prosul, que fiscaliza e informa os últimos percentuais dos serviços.

A primeira camada da pavimentação e a terraplanagem já foram executadas em 90% do previsto. Os viadutos da Petrobras e da Epagri estão concluídos, com a sinalização iniciada, de acordo com a empresa.

Segundo a última medição da Prosul, 17,5 km já foram completamente pavimentados. O secretário de Estado da Infraestrutura e presidente do Departamento Estadual da Infraestrutura (Deinfra), Paulo França, mantém a previsão de que a rodovia será entregue em dezembro deste ano.

Os números e a fala do secretário dão esperança, mas quem passa pela rodovia vê a obra praticamente parada. São poucas máquinas e operários trabalhando. Moradores confirmam que o ritmo tem caído continuamente.

Com isso, a entrega da obra ainda neste ano é considerada improvável por parte dos moradores. A demora para o término é mais um capítulo da arrastada história da duplicação deste trecho.

A ordem de serviço foi assinada em junho de 2014, pelo então governador Raimundo Colombo. Mas a obra só foi sair do papel em fevereiro do ano seguinte. Inicialmente, a previsão era terminar tudo até janeiro de 2017.

Mas uma série de entraves apareceu no transcurso. O principal obstáculo foi as desapropriações.

Algumas delas tiveram de ser judicializadas e demoraram mais do que o previsto. Uma das mais complicadas foi concluída neste ano, após depósito de R$ 1,8 milhão em juízo.

Mas a obra também apresentou outros problemas no decorrer, em especial a falta de passarelas e retornos. A obra que era um sonho para toda a região virou motivo de dor de cabeça, apesar de seus claros benefícios.

“Tem uma série de situações e temos que entender que temos uma rodovia com dois núcleos urbanos muito fortes. Tem interferências normais de uma rodovia em área urbana, o que estamos tentando adequar dentro do contrato existente”, justifica o presidente do Deinfra.

Um ponto destacado pelos empresários, de que o estado faz o “mínimo necessário”, também pesou neste caso. Segundo França, no Limoeiro está prevista uma grande rotatória, porém, ali seria necessário um viaduto.

O estado reconheceu essa necessidade, tanto que está licitando a construção deste viaduto. Como não estava no projeto da duplicação, ficará para depois.

O presidente diz que as necessidades pontuais das comunidades às margens da rodovia poderão ser estudadas e resolvidas.

“Com a conclusão da etapa dos 20 km e a implantação de todo o sistema, fica mais evidente a necessidade de intervenções. Tem pessoas falando em mais sinalização, então tem uma série de situações que vamos trabalhar e ponderar com os moradores de Brusque e região”, comenta.

Duplicação no trecho municipal é considerada inviável

A rodovia Antônio Heil é vital para Brusque e adentra bastante no seu trecho urbano. Às suas margens ficam os bairros Limoeiro, Santa Terezinha, Nova Brasília e o Centro II, com grande fluxo de moradores.

No entanto, a duplicação dos cerca de 5,8 km – entre a praça Vicente Só e a concessionária Uvel – não deve se tornar realidade tão cedo.

O primeiro ponto é que o Departamento Geral de Infraestrutura (DGI), da Prefeitura de Brusque, já considerou o projeto original, de 2013, inviável. O problema é que ele prevê grandes estruturas num espaço muito urbanizado e ocupado desordenadamente.

Se o projeto fosse levado adiante, o estacionamento da Uvel deixaria de existir. Outro exemplo é que metade da empresa Aradefe teria de ser destruída para liberar a faixa de domínio.

O vice-prefeito de Brusque, Ari Vequi, já deu declarações no sentido de que é impensável executar o projeto como foi concebido há cinco anos. O custo à época era de R$ 13,74 milhões. Hoje em dia, seria muito mais, devido à inflação.

A prefeitura trabalha em duas frentes. De um lado, por orientação do Ministério das Cidades, está realizando um levantamento do que já foi feito da duplicação no trecho municipal ainda em 2013.

Além do inventário, o município também trabalha na elaboração de um novo projeto de aumento de capacidade do trecho municipal. Deverá ser menor, sem canteiro central, para minimizar os impactos na população e reduzir os gastos com desapropriações.

A obtenção de recursos é outra incógnita. O projeto de 2013 foi iniciado com base em uma emenda parlamentar de R$ 10 milhões.

Até hoje não se sabe quem foi o deputado autor da emenda. Certo, conforme consulta ao Ministério das Cidades, é que os trabalhos começaram mediante apenas 1,5% do valor total.

Por enquanto, não existe fonte de financiamento, na medida em que o projeto ainda está em elaboração.

Trecho executado pela Irmãos Fischer está pronto

O trecho de 3 km da rodovia duplicado por meio de convênio do governo do estado com a Irmãos Fischer foi terminado e entregue à população em dezembro de 2017. É um exemplo dos bons frutos da parceria entre iniciativa privada e poder público.

Pela parceria, o Deinfra fez o projeto e a empresa brusquense investiu o que pagaria em ICMS na execução da obra.

“Estas obras de duplicação eram de primeira necessidade, devido ao entroncamento do trânsito que, por muitas vezes, dificultava a movimentação de mercadorias e de serviços em Brusque e na região”, diz Ingo Fischer, diretor-presidente da Irmãos Fischer, que também é vice-presidente regional da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc).

Para Fischer, o convênio foi importante para manter os impostos em benefícios para a cidade. Segundo ele, a iniciativa foi um acerto, tanto que serve de modelo para outras pelo estado.

A duplicação dos 3 km foi iniciada ainda em fevereiro de 2015 e foi terminada em novembro do ano passado. Foram investidos R$ 35 milhões na obra em si, e outros R$ 10 milhões em desapropriações.

 


Você está lendo:  Obras de duplicação empacam com atrasos e burocracia


Veja outros conteúdos do especial:

Introdução

O transporte ferroviário

– Ferrovias em Brusque: altos e baixos na história

– Carlos Renaux: precursor no transporte ferroviário

– A história do túnel ferroviário na Antônio Heil

– Para que serviria uma ferrovia no município

– O início e o fim da linha férrea no Vale do Itajaí

– Panorama atual: projetos para novas ferrovias


O transporte rodoviário

– O impacto econômico da duplicação da Antônio Heil

– A duplicação e o fortalecimento do turismo de compras

– A história da Antônio Heil: uma década em construção

– Obras de duplicação empacam com atrasos e burocracia

– Falta de investimento em infraestrutura custa vidas

– Complexo portuário depende das rodovias para crescer

– Manutenção constante: desafios do transporte rodoviário

– Duplicação torna Brusque mais atrativa a investidores

– Itajaí planeja desenvolver região limítrofe a partir da rodovia