Juliano Custódio detalha como a EQI cresceu 32% e mira R$ 180 bi sob gestão
Em meio a uma rotina de viagens que divide entre Balneário Camboriú, São Paulo e diversas capitais do país, Juliano Custódio, CEO da EQI Investimentos, detalhou a ambiciosa jornada de crescimento da empresa. Em entrevista, o executivo que comanda 14 escritórios próprios e 44 franqueados, enfatizou que a ousadia em testar e a forte cultura de educação financeira são os pilares que sustentam a rápida expansão da empresa. Após crescer 32% em 2024, os planos agora são de chegar até R$ 180 bilhões sob gestão – a depender do cenário político e econômico do país.
A EQI tem se consolidado no cenário nacional, e o crescimento em Santa Catarina é um reflexo desse movimento. Custódio destacou os bons resultados em Joinville, onde a EQI já está no terceiro escritório em apenas quatro anos de atuação na cidade. Segundo o CEO, a industrial cidade de Joinville é "muito rica" e tem uma "população muito poupadora", características que favorecem o mercado de investimentos. Sozinha, Joinville projeta R$ 1,7 bilhão sob gestão até o fim de 2025 e R$ 2,5 bilhões em 2026.
Para Custódio, o maior desafio para crescer no Brasil é mudar a cultura de consumo e endividamento para uma de investimento e planejamento. O empresário critica a mídia social por incentivar o gasto e a ostentação, e reforça o papel da EQI em levar a educação financeira para a população.
“O brasileiro toma muitas decisões ruins com seu dinheiro, e muitas decisões que afetam a vida a longo prazo. Por não entender direito de futuro, de planejamento, de aposentadoria”, pontuou.
Por isso a EQI Investimentos tem uma área de Relações Públicas que cuida do relacionamento com estudantes universitários e líderes estudantis. Em 2025, a corretora participou de eventos em instituições como Ufsc, Udesc, Ufpr, Insper e Ibmec, impactando mais de 10 mil estudantes. Além de ter uma parceria com 70 instituições de ensino em Santa Catarina, associadas à Federação de Empresas Juniores do Estado de Santa Catarina Fejesc.
A decisão de fixar a sede da EQI no estado, especificamente na Praia Brava, em Itajaí, vai além da gestão dos negócios. O fator pessoal de segurança e qualidade de vida para a família foi determinante. “Além da potência financeira que a gente é, estado em franco crescimento, o que me atraiu muito para Santa Catarina foi a segurança para minha família”, revela Juliano Custódio.
Santa Catarina foi o estado que mais recebeu migrantes, com saldo positivo de 354,3 mil pessoas, entre 2017 e 2022, segundo dados do Censo 2022 do IBGE. A atuação da EQI no mercado imobiliário catarinense, considerado o mais promissor do Brasil, devido a este intenso fluxo migratório, evoluiu de emprestar dinheiro à construtoras para investir em empreendimentos através de Fundos Imobiliários (FIIs) e Sociedades de Propósito Específico (SPEs). Custódio revelou a aquisição de ativos estratégicos, como o terreno do icônico do Warung, e o projeto de levar o Hotel Emiliano para a Praia Brava.
O CEO vê nos Fundos Imobiliários uma alternativa cada vez mais atrativa, especialmente com a iminente Reforma Tributária, que deve aumentar a tributação sobre o aluguel tradicional. “O imposto sobre o aluguel vai crescer bastante com a reforma tributária. [...] Já os fundos imobiliários continuarão isentos. Então vai ficar mais claro ainda que o ideal é ir para fundo imobiliário”.
E mesmo quando o cenário pode não parecer favorável, Custódio e sua equipe fizeram a EQI crescer em 2024. “Apesar de um cenário de juros altos, a 15%, que machuca a indústria e as construtoras, a EQI cresceu 32% em 2024″, revela. O segredo foi a criatividade na oferta de produtos. “A gente achou um filão (oportunidade de negócio lucrativa) muito legal de investimentos na área de geração solar”, destacando fundos montados em Minas Gerais, aproveitando incentivos fiscais do estado.
Com uma meta de alcançar R$ 120 a R$ 180 bilhões sob custódia nos próximos cinco anos, a EQI tem planos agressivos, que se ajustam ao cenário político-econômico. “Ano que vem é um ano de ficar acompanhando pesquisa e notícia”, ressaltou, admitindo que o empresariado está “muito amuado”.
Custódio, que aposta em Tarcísio de Freitas como o nome de centro-direita mais competitivo para as próximas eleições presidenciais, deixou um recado de otimismo: “Dá para empreender e dá para crescer. E não importa quem estiver na gestão... a gente precisa olhar mais para dentro de casa, não é? Tem muita coisa para fazer nesse país e tem muito problema para resolver também. E quando tem um problema para resolver, tem dinheiro para ganhar”.
Em relação à internacionalização, a EQI está focada em levar o patrimônio dos clientes para fora do Brasil, aproveitando o dólar mais baixo. A estratégia atual é educar o cliente para investir também nos Estados Unidos, onde a economia é mais estável. “Se o brasileiro é um dos povos no mundo que menos investe fora do seu país, precisa aprender a ter um pouquinho mais de dinheiro em dólar”, acredita.
Para os próximos anos, o foco de investimentos será no setor de saneamento básico. “O Marco do Saneamento deu uma solidez jurídica bem forte para a gente começar a emprestar dinheiro para as empresas de saneamento público”. A EQI planeja financiar obras e participar de leilões de privatização, inclusive em Santa Catarina, um estado que, apesar de desenvolvido, ainda é "incrivelmente pouco saneado". Além da Companhia Catarinense de Águas e Saneamento, a Casan, outra que está na mira dos leiloeiros é a Companhia Águas de Joinville, a CAJ.