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Bastidores da política e do Judiciário, opiniões sobre os acontecimentos da cidade e vigilância à aplicação do dinheiro público

Editorial: Brusquenses que apanham

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Bastidores da política e do Judiciário, opiniões sobre os acontecimentos da cidade e vigilância à aplicação do dinheiro público

Editorial: Brusquenses que apanham

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Em janeiro deste ano o jornal O Município publicou uma matéria sobre a violência doméstica em Brusque. Ela mostrou que houve um aumento assustador de 47% de registros de ocorrências entre 2017 (213 casos) e 2018 (315 casos). A grande maioria dos casos são de homens contra mulheres, normalmente esposas, companheiras ou namoradas.

Na ocasião, o comandante da Polícia Militar, tenente-coronel Otávio Manoel Ferreira Filho atribuiu o aumento ao encorajamento das mulheres em denunciar os agressores. O delegado Wesley de Souza costa foi na mesma linha e entende que as mulheres estão mais conscientes de seus direitos. Ele também conclui que não aumentou o número de agressores, mas sim a quantidade de ocorrências.

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O grande problema é que enquanto aumentou o número de ocorrências na PM, na Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso (Dpcami) permaneceu a mesmo. Esta disparidade ocorre porque a mulher chama a polícia no momento do perigo, mas, acalmados os ânimos, não dá prosseguimento ao processo.

A reportagem mostrou que muitas brusquenses ainda apanham muito, de forma covarde, de homens. Já estamos chegando à média de quase um caso por dia. Nossa realidade está acima da média brasileira, que aumentou 30% em 2018, com mais de 92 mil ligações para a Central de Atendimento à Mulher em Situação de Violência – o disque 180.

Apesar dos avanços da Lei Maria da Penha, que completou 12 anos no ano passado, ainda há uma cultura da violência do homem contra a mulher que precisa ser mudada em nosso país

Esta semana o tema veio novamente à tona, com o caso da agressão à fotógrafa Doli Tomiozzo e a filha, no sábado, por um motivo banal, justamente um dia após o Dia Internacional da Mulher, concebido para se fazer uma reflexão do papel delas na sociedade.

O caso ganhou repercussão porque não aconteceu entre quatro paredes, foi em local público e filmado. Além disso, Doli, ao contrário da grande maioria de mulheres agredidas, está levando o assunto adiante e quer punição para o agressor.

A luta da Doli é a luta de muitas mulheres que se manifestaram maciçamente nas redes sociais durante toda esta semana, hipotecando apoio e incentivo para que haja justiça e punição exemplar ao agressor, desestimulando que fatos como este aconteçam em pleno Centro de Brusque.

Apesar dos avanços da Lei Maria da Penha, que completou 12 anos no ano passado, e da Lei do Feminicídio, instituída em 2015, ainda há uma cultura da violência do homem contra a mulher que precisa ser mudada em nosso país.

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Não é admissível que nos dias de hoje estes episódios se repitam e sejam tão populares, ainda mais numa cidade como a nossa, que tem um IDH tão elevado.

Precisamos mais do que nunca de uma mudança de atitude, de consciência, ainda mais quando levamos em conta que este grande número de registros é só a ponta do iceberg. Muitas mulheres continuam a sofrer caladas e passam longe das estatísticas oficiais.

O caso de Doli pode ser um importante aliado nesta luta, trazendo-nos a reflexão e buscando soluções para minimizar esta chaga social, pois mesmo contando com uma maior conscientização e leis modernas, ainda vimos sofrer tantas mulheres no Brasil e ainda mais em Brusque. Nossa meta deve ser mudar esta realidade, afinal quando se bate nas mulheres, dói em toda sociedade.

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