Metade dos empregos perdidos com a crise já foram recuperados em Brusque

Na avaliação de empresários, porém, sobe e desce se manterá enquanto houver instabilidade política

Metade dos empregos perdidos com a crise já foram recuperados em Brusque

Na avaliação de empresários, porém, sobe e desce se manterá enquanto houver instabilidade política

A crise econômica levou à extinção, entre 2015 e 2016, de 3.531 vagas de emprego em Brusque. O resultado é a diferença entre o número de demissões e o de contratações, ou seja, o saldo do período.

Em 2017, o cenário é positivo até agora. De janeiro a junho, foram 1.628 novos postos de trabalho criados. Houve, portanto, mais admissões do que demissões.

Na prática, dos postos de trabalho fechados desde o início do último mandato no governo federal, 46,1% já foram recuperados nos seis primeiros meses do ano. Os números foram apurados junto ao Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho.

Isso é considerado por empresários um sinal claro de recuperação da economia. No entanto, há prudência ao prever se esse cenário de crescimento da empregabilidade em Brusque irá se manter, tendo em vista que ainda há crise política e eleições gerais no próximo ano.

Edemar Fischer, vice-presidente da Associação Empresarial de Brusque (Acibr) e diretor da empresa Irmãos Fischer, diz que há uma tendência de que os números fiquem ainda melhores, devido à chegada do fim do ano e o aumento do consumo.

“Estamos começando a caminhar, mas está bem longe daquele patamar de três quatro anos atrás, onde todo mês era de crescimento”, avalia.

Para ele, a empregabilidade melhorou porque a situação política do país começou a “ficar mais esclarecida”, sobretudo em relação à política econômica do governo.


Empregos no 1º semestre

Janeiro a junho de 2017
+ 1.628 novos empregos

Janeiro a junho de 2016
+ 815 novos empregos

Janeiro a junho de 2015
+ 224 novos empregos


Recuperação gradual desde 2015

Os números semestrais revelam uma recuperação gradual do emprego em Brusque desde o início da crise econômica.

Os 1.628 novos postos de trabalho gerados de janeiro a junho de 2017 são o dobro dos 815 registrados no primeiro semestre do ano passado. Em 2015, foram apenas 224 novos postos de trabalho gerados no mesmo período.

Voltar ao patamar de 2014, quando foram abertos 2.323 novos postos de trabalho no primeiro semestre, deve acontecer somente após as eleições de 2018.

“O cenário não é para curto prazo. Temos uma eleição ano que vem, está tendo uma melhora. Eu acredito que irá normalizar no segundo semestre de 2019”, afirma Fischer.

Historicamente, segundo os dados do Caged, o mercado de trabalho de Brusque se aquece no primeiro semestre do ano, com contratações em larga escala, e esfria no segundo semestre, quando as empresas promovem demissões no fim do ano.

Desde 2015, essa onda de demissões anual também tem diminuído. No segundo semestre de 2015, por exemplo, foram fechados 3.710 vagas em Brusque. Em 2016, o número de postos de trabalho fechados de junho a dezembro caiu para 1.421, quase um terço do registrado no ano anterior.


Histórico desde a crise

Jan-Dez 2014 – ano eleitoral
+ 807 novos empregos

Jan-Dez 2015 – primeiro ano de mandato
– 3.024 postos de trabalho

Jan-Dez 2016 – segundo ano de mandato
– 507 postos de trabalho

Jan-Jun 2017 – terceiro ano de mandato
+ 1.628 novos empregos


Sobe e desce até a estabilidade política

Michel Belli, presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) de Brusque é cauteloso ao avaliar a recuperação do emprego no município.

“Estava num ritmo de crescimento até o escândalo de Michel Temer na Lava Jato. A partir deste momento a gente sentiu que deu uma parada novamente. Se não tivesse ocorrido isso, certamente a recuperação seria muito melhor”, afirma.

Ele se refere às gravações feitas por Joesley Batista, da JBS, que resultaram em abertura de investigação contra o presidente, em maio deste ano.

Curiosamente, foi até maio que Brusque registrou, mês a mês, aumento no número de postos de trabalho. Em junho, foram fechadas 37 vagas, apesar do resultado positivo do semestre.

“O empresário está muito ligado nas informações do mercado. Quando dá um escândalo destes, cai tudo, o dólar sobe, o pessoal segura o dinheiro para não investir com essa incerteza política toda, aí diminui o número de empregos. Ainda vai levar um pouquinho de tempo para recuperar”, avalia Belli.

Ele também acredita que o cenário de normalidade na geração de empregos só voltará após ser empossado o próximo presidente da República, e este tiver estabilidade política para governar.

“Até as eleições vai ficar neste sobe e desce, até porque tem muita notícia da Lava Jato para acontecer. Cada novo escândalo dá uma parada no mercado”, opina o presidente da CDL.

 

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