José Francisco dos Santos

Mestre e doutor em Filosofia pela PUC/SP, é professor na Faculdade São Luiz e Unifebe, em Brusque e Faculdade Sinergia, em Navegantes/SC e funcionário do TJSC, lotado no Forum de Itajaí/SC.

Em busca de sentido

José Francisco dos Santos

Mestre e doutor em Filosofia pela PUC/SP, é professor na Faculdade São Luiz e Unifebe, em Brusque e Faculdade Sinergia, em Navegantes/SC e funcionário do TJSC, lotado no Forum de Itajaí/SC.

Em busca de sentido

José Francisco dos Santos

Este jornal noticiou, na última sexta-feira, que comunidades católicas da região estão procurando atrair adolescentes e jovens para as suas celebrações, com programações voltadas para eles. As igrejas evangélicas também têm especial apreço por essa faixa etária, e é motivo de otimismo perceber que, apesar de todas as forças contrárias, há muitos adolescentes procurando encontrar algum sentido para sua existência na religião.

Por coincidência, a notícia foi veiculada na semana do trágico massacre da escola de Suzano, em São Paulo, que levantou debates sobre as razões que levam uma parcela tão significativa da juventude a mergulhar nos vícios e na violência.

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O fato é que o ser humano não pode viver apenas no âmbito de sua animalidade, satisfazendo seus impulsos de prazer e extravasando sua cólera de qualquer modo.

Nossa existência exige um sentido, algo que dê significado ao que fazemos, que preencha o vazio que os bens materiais, a diversão, o “pé na jaca” não conseguem preencher. Sem uma direção espiritual segura, levamos uma vida animalesca e recaímos na barbárie. Penso que a sociedade contemporânea está em algum ponto dessa curva.

A negação de Deus e das realidades espirituais (materialismo), a busca do prazer pelo prazer (hedonismo) e a recusa de padrões e regras morais, em nome da livre decisão de cada um para definir o certo e o errado (relativismo) penetraram profundamente na mentalidade das pessoas. Não é necessário ir longe para perceber que isso não está funcionando.

O espaço vazio deixado pela religião tem sido preenchido pelas drogas, pelo prazer desmedido, pelo desperdício de tempo no mau uso das redes sociais, pela violência. Os relacionamentos refletem essa falta se sentido.

Até a noção de paquera e de conquista amorosa tem se dissolvido na “pegação” generalizada, que costuma começar bem cedo. Daí advém irresponsabilidade, falta de dedicação ao trabalho e aos estudos, vícios de todo tipo, depressão, suicídios. O uso da tecnologia, que pode e deveria nos aproximar uns dos outros, está nos distanciando. A civilização está em crise. Às vezes, parece que estamos gerando uma subespécie, na qual que a parte humana está perdendo espaço para parte suína e para a parte robótica.

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Algo precisa preencher esse vazio, colocar freio nos impulsos, recolocar a alma em conexão com o que temos de superior. É isso que muitos adolescentes estão percebendo. Eles buscam direção e sentido e sentem um grande fastio desse hospício que se tornou a cultura contemporânea, mesmo sem compreenderem tudo isso de modo muito claro. A religião tem um papel fundamental nesse processo, e é muito bom perceber que as comunidades religiosas estão antenadas.

A Lei Divina não existe para reprimir nossa liberdade, mas para dar direção, colocar limites, impulsionar nosso ser para a sua realização completa. Uma religiosidade sem hipocrisias nem fingimentos pode ligar novamente esses fios soltos. Afinal, a função da religião é, por sua própria definição, religar.

Que nós possamos ser, para esses irmãos mais novos sedentos de sentido, uma bússola que indique uma direção segura, e não “birutas” de aeroporto, que se movem ao sabor do vento e das conveniências.

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