Em meio à crise, aumentam as vendas em lojas de móveis usados e brechós em Brusque

Para economizar, consumidor busca alternativas; grande número de migrantes garante bom movimento

Em meio à crise, aumentam as vendas em lojas de móveis usados e brechós em Brusque

Para economizar, consumidor busca alternativas; grande número de migrantes garante bom movimento

Em época de crise, também existem oportunidades. Em Brusque, brechós e lojas de móveis usados aumentaram suas vendas no último ano e o principal motivo é a mudança no comportamento dos clientes, preocupados em economizar.

No GC Móveis, o proprietário Genesio Cezari diz que as vendas cresceram cerca de 65%. Ele afirma que em meio à crise, as pessoas buscam por produtos que ofereçam melhor custo-benefício.

Um dos fatores apontados por Cezari é de que em Brusque há uma migração constante. “As pessoas vem de fora morar na cidade e precisam ter alguns itens básicos para poder viver. Então elas acabam optando por comprar móveis usados”.

Balcão para pia de cozinha, fogão, geladeira, cama e colchão são os produtos mais consumidos pela maioria dos clientes. Com R$ 600 é possível comprar todos estes itens, o que numa loja de móveis novos não poderia ser adquirido por menos de R$ 2 mil. “No nosso segmento não tem crise, as vendas aumentam mais ainda, por que quem não conhecia vem, especula preços, conhece a qualidade e acaba comprando”.

Na loja Sete Móveis Usados, os proprietários Alexandre Luiz Olinger e Salete Luiza Olinger contam que as vendas cresceram cerca de 30% no último ano. Eles afirmam que os consumidores que não tinham o hábito de comprar no local começaram a fazer pesquisa de preço e conhecer os produtos.

“É uma tendência. Agora, o cliente que antes tinha receio em comprar móveis usados, de menor valor, começará a consumir com mais frequência. Muitos também optam por uma questão de consciência, de saber que a peça pode ser reaproveitada”, afirma Olinger.

Novas alternativas

Os brechós de Brusque também estão satisfeitos com as vendas dos últimos meses. A proprietária do Maria Formosa Brechó, Bruna dos Santos, diz que a crise está trazendo novos clientes para o seu negócio. Ela afirma que os próprios consumidores relatam que estão buscando novas alternativas para continuar comprando, mas sem gastar tanto.

“Nesta situação do país, as pessoas acabam mudando seus hábitos. Percebem que além de ganhar no valor, brechós também oferecem produtos com qualidade e que muitas vezes não são encontrados em lojas convencionais”.

No brechó Maria Balaio, a percepção do consumidor também está mudando em relação ao negócio. A proprietária Denise de Jesus Borges de Lima diz que a crise fez com que pessoas que até então desconheciam este segmento começassem a gostar e a consumir. “Brechós são muito difundidos na Europa, Estados Unidos, nas grandes capitais brasileiras. Em Brusque as pessoas compram mas não gostam de dizer que compram. Só que estão percebendo que podem encontrar preço bom e também qualidade”.

Denise afirma que o brechó é um negócio para a família toda. Ela conta que na semana passada, por exemplo, com R$ 120 um cliente levou duas sacolas de roupas para a família. “Ele comprou roupas de bebê, para um filho adolescente, para a esposa e para ele. Vestiu a família inteira pro um valor insignificante comparado com outras lojas do mercado”.

A atriz Ivone Marta Cardoso é consumidora de brechós. Ela conta que além de ser uma opção ecológica, na crise, é uma ótima opção de custo-benefício.

“Válvulas de escape”

O economista Arilson Fagundes diz que em épocas de crise o consumidor busca alternativas para driblar a alta dos preços e a inflação. Ele afirma que tanto brechós como lojas de móveis usados são válvulas de escape para economizar. No entanto, Fagundez aponta que não é uma característica do consumidor brusquense buscar por estes negócios. “É um reflexo da situação”.

Ele ainda afirma que o momento é uma ótima oportunidade para estes segmentos, que se souberam explorar poderão ganhar clientes a longo prazo. “É uma opção ao consumidor, que pode comprar mais barato, e também para os empresários, que estão fomentando um segmento que não é tão explorado”.

Com cerca de R$ 600 é possível adquirir móveis usados básicos para uma casa / Foto: Daiane Benso
Com cerca de R$ 600 é possível adquirir móveis usados básicos para uma casa / Foto: Daiane Benso

 

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