Criada em 1982, a Açopeças tem em sua história a marca da superação. Ainda nos primeiros anos, quando estava localizada em Brusque, próxima ao atual estádio Augusto Bauer, a empresa foi afetada pela enchente de 1984.

Foram mais de quatro metros de água do rio Itajaí-Mirim dentro da pequena empresa, que precisou reunir forças para se manter em pé.

Passado o susto, o fundador da Açopeças, Pedro Schmitt, decidiu se prevenir e comprou um terreno em Guabiruba. Em 1987, a Açopeças passou a operar no município vizinho, já com Valdir Riffel na sociedade.

“Queríamos expandir, e como nós dois somos guabirubenses, decidimos voltar às origens”, diz Riffel.

Pedro Schmitt e Valdir Riffel são os diretores da Açopeças | Foto: Bárbara Sales

Após a mudança de cidade, a empresa se desenvolveu e se tornou uma das principais indústrias do ramo automobilístico. Até hoje é a única fabricante de pistão de freios do Brasil e uma das referências no processo de forjamento a frio.

Há 36 anos no mercado, a empresa passou por várias fases. Algumas muito boas, outras nem tanto. Até 2012, a indústria ostentava números impressionantes, mas com a chegada da crise econômica e a queda do setor automobilístico, a empresa sentiu os reflexos. Foi preciso fazer alguns cortes, principalmente de funcionários, para poder superar a fase difícil, mas com muito planejamento, a indústria tem conseguido se recuperar.

“Hoje temos por volta de 160 funcionários. Melhorou um pouco o mercado, mas ainda está longe do que estava em 2012”, destaca Riffel.

Schmitt lembra que há seis anos, a produção nacional de automóveis fechou em 3,8 milhões e neste ano, o número deve ficar em 2,7 milhões. “Hoje trabalhamos fabricando peças para o mercado automobilístico original, para as montadoras. Não trabalhamos para o mercado de reposição, somente com veículos novos, por isso, sentimos esse impacto”.

Atualmente, a empresa guabirubense forja em torno de 2,5 mil toneladas de aço por ano, entretanto, em anos anteriores, este número já chegou a ultrapassar 4 mil toneladas.

Riffel destaca que a empresa está sempre investindo no desenvolvimento de novos produtos. “A intenção é sempre ter um mercado novo pela frente”, diz.

De acordo com Schmitt, o processo de criação de uma peça leva bastante tempo, porém, depois que está desenvolvida, aprovada e em fornecimento, pode ficar até mais de 20 anos em distribuição.

“Nosso ramo é diferente da indústria têxtil, que a cada estação precisa mudar. Temos itens que fabricamos há muito mais de 20 anos. São peças que não mudam. Muda o carro, mas a parte técnica, mecânica, muda muito pouco”.

Profissionalização
Schmitt afirma que a empresa está investindo na profissionalização da administração com o objetivo de gerar resultados positivos a médio e longo prazo.

“A empresa foi profissionalizada. Temos um administrador que veio de uma multinacional alemã, estamos em franca recuperação, passamos uma fase crítica, e hoje estamos nos recuperando”, diz.

A meta da empresa é crescer 40% ao ano até 2022. “Esse percentual de crescimento não é baseado no crescimento da indústria automobilística. É um crescimento nosso, devido à nacionalização e as novas tecnologias”, completa Riffel.

Recentemente, a empresa também entrou no mercado externo, o que deve contribuir para a volta dos resultados positivos.

Segundo Schmitt, a indústria vai começar a fornecer pistões de freio para a Chrysler, nos Estados Unidos, e para a Toyota, na Europa. “Para a Fiat, na Polônia, já foram os nossos primeiros lotes e para a França este ano já devemos começar a exportar. Até 2020, pretendemos ter de 15% a 20% do nosso faturamento com exportação”, destaca.

O empresário diz ainda que as próprias empresas que estão no Brasil acabam indicando a indústria guabirubense para o mercado externo, o que facilita muito as negociações. “As empresas são mundiais. A Continental está aqui, a Bosch está aqui e na Europa. Eles conhecem nossa qualidade, nossa pontualidade e acabam indicando. Este é o caminho. É muito difícil você entrar num cliente, mas é mais difícil você sair”, afirma.

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