Rosemari Glatz

Professora da Unifebe

Emilio Odebrecht: Série Biografias Familiares

Rosemari Glatz

Professora da Unifebe

Emilio Odebrecht: Série Biografias Familiares

Rosemari Glatz

Ao longo de minhas pesquisas, um magnífico “Mapa Geral da Colônia Blumenau”, datado de 1872, com inúmeros detalhes e especificando os lotes onde seriam instalados os alemães, os tiroleses e os lombardos (italianos) chamou minha atenção. E, para minha grata surpresa, quem assinava o mapa era Emílio Odebrecht.

Odebrecht! Pois é, esse sobrenome que todos os dias vemos estampado na mídia, já fez muita história por aqui. E foi uma história boa. Acho que o precursor dessa família deve estar “se revirando no túmulo” ao ver seu nome ligado a tantas histórias “nada honráveis”.

O Precursor dos Odebrecht no Brasil
Emílio Odebrecht era filho de August Odebrecht e Albertha l´Oeillot de Mars e nasceu em 29/03/1835 em Jacobshagen (atual Dobrzany, Polônia). Emigrou em 1856 de Greifswald, Pomerânia, Prússia, e se estabeleceu na colônia São Paulo de Blumenau. Por recomendação do Dr. Blumenau, voltou para a Europa para completar seus estudos. Estudou Geodésia, Astronomia e Cartografia, e formou-se engenheiro pela Universidade de Greifswald. Em fins de 1861 retornou para o Brasil. Instalado em Blumenau, tornou-se uma figura de destaque da história regional. Casou-se com Bertha Bichels em 10/02/1864 – ela havia imigrado com pais e irmãos em 1857. O casal teve 15 filhos (sendo que 2 faleceram bebê), formando numerosa descendência. Alguns dos descendentes do precursor são nomes de destaque no país, a exemplo do neto Emílio Henrique Baumgart, introdutor do concreto armado no Brasil, e do bisneto Norberto Odebrecht, ex-presidente da Organização Odebrecht em Salvador, Bahia.

Emilio Odebrecht morreu em Blumenau no dia 06/01/1912.

O Engenheiro
Quando Emilio Odebrecht retornou ao Brasil trouxe consigo equipamentos topo-geodésicos e cartográficos. Trabalhou ao lado do Dr. Blumenau. Foi encarregado da demarcação e medição dos lotes coloniais e da exploração dos caminhos da nascente colônia. Atuou na abertura de estradas e demarcação de lotes no Vale do Itajaí, possibilitando o desenvolvimento de diversas cidades e a comunicação entre o vale e o planalto catarinense, fato que o torna o primeiro não nativo a passar em diversas regiões do Alto Vale do Itajaí. Trabalhou no Departamento de Telégrafos, no estabelecimento de linhas telegráficas em Santa Catarina e no Paraná. Em 1888, foi nomeado engenheiro chefe do Estado de Santa Catarina. Em 1893, foi encarregado da construção das linhas para Brusque e Lages, ambas partindo de Blumenau.

O Voluntário da Pátria
Assim como a Colônia Brusque, em 1865 Blumenau também contribuiu com o seu contingente de voluntários para o Exército Nacional. Emílio Odebrecht, então com 28 anos, abriu com seu nome a lista dos 31 voluntários de Blumenau para a Guerra contra o Paraguai, alcançando o posto de tenente. Como integrante do corpo de voluntários foi destacado, em Corrientes, para tripular a canhoneira “Araguais”. Tendo encalhado esse barco nas proximidades de Itapiru, Odebrecht com seus homens foi guarnecer a ilha de Cerrito. Aí adoeceu de febres em 1866, regressando a Desterro (Florianópolis).

Outros feitos
Emílio foi sócio-fundador do Theater Verein (atual Teatro Carlos Gomes) e do Schützenverein (atual Tabajara Tênis Clube) em Blumenau. Era homem culto e amante das ciências naturais. Amigo de Fritz Müller, muito auxiliou o sábio na coleta de material científico nas suas excursões pelo interior. Várias espécies de plantas e insetos foram classificadas por Fritz Müller com o nome de Odebrecht, que participou intensamente da vida social da cidade. Por tantos feitos, merece seja respeitada a sua memória. (Fonte: Revista Blumenau em Cadernos (Tomo I, n. 7, 05-1958)

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