Encontro de Capoeira Especial reúne mais de 180 pessoas

Alunos, educadores e mestres participaram de confraternização realizada na praça Sesquicentenário

Encontro de Capoeira Especial reúne mais de 180 pessoas

Alunos, educadores e mestres participaram de confraternização realizada na praça Sesquicentenário

Uma grande roda de capoeira foi formada na sexta-feira, 14, na praça Sesquicentenário. Mais de 180 pessoas, entre alunos, educadores e mestres se reuniram no local para praticar o esporte que representa a cultura e o folclore brasileiro. Pela primeira vez na cidade, a terceira edição do Encontro de Capoeira Especial trouxe alunos da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Brusque, Guabiruba, Nova Veneza, Florianópolis e São José.

O encontro surgiu pela primeira vez em novembro de 2012, por meio do professor de Educação Física Fernando Fritz Bueno, conhecido como mestre Tuti. O evento ocorre pela primeira vez fora da Grande Florianópolis. “Depois das duas primeiras edições, cogitamos a possibilidade de trazer esse projeto para Brusque, com o propósito de descentralizar e integrar as escolas de todo o estado. A nossa ideia é fazer nos próximos anos em Guabiruba, Nova Veneza e Biguaçu”, explica o professor Sidnei Belz, o Magau.

A Apae de Brusque é a primeira escola de Santa Catarina a ensinar a capoeira para alunos com necessidades especiais. A atividade faz parte da rotina dos alunos desde o ano 2000. Viviane Aparecida Borges, de 29 anos, contraiu paralisia infantil ao nascer. Ela teve parte da coordenação motora comprometida pela doença e por isso, não podia andar. Começou a praticar o esporte há 14 anos e hoje já se locomover sem o andador.

“A história dela é interessante, porque além da capoeira ter ajudado ela a se desenvolver, agora faz parte do dia a dia da Vivi”, revela Marcelo Backes Navarro Stotz, conhecido entre os alunos como mestre Cabelera. Viviane vê no esporte um objetivo de vida e pretende ser professora no futuro.

Márcia Fernanda Teixeira, de 21 anos, também é aluna da Apae de Brusque e pratica o esporte desde pequena. Todas as quintas-feiras, eles se reúnem com o professor Magau e o mestre Cabelera para aprender novas práticas da capoeira. O principal objetivo é ensinar aos jovens com necessidades especiais a dança, o gingado, os movimentos, mas sem competição. Todas as aulas são ministradas no intuito de melhorar a coordenação motora, os reflexos e capacidade de se desenvolver.

Durante a confraternização, os alunos montaram uma roda e, dentro dela, alunos e mestres demostraram aos colegas o que sabem. Depois da brincadeira, os alunos seguiram até a sede da Apae de Brusque para o início das apresentações culturais feitas pelos alunos das escolas participantes.
Encontro de Capoeira Especial

O evento surgiu em 2012, depois que o professor Tuti deu início a um levantamento com as mais de 200 Apaes de Santa Catarina e descobriu que apenas 10 delas utilizavam a capoeira como instrumento de inclusão. Por disso, decidiu criar o encontro para reunir todas as escolas como forma de difundir a capoeira como instrumento de reabilitação motora, socialização, lazer e melhora da qualidade física das pessoas com deficiência.

“A capoeira é uma atividade física completa, pois atua de maneira direta sobre os aspectos cognitivo, afetivo e motor do praticante”, explica. A atividade está em sua terceira edição e chegou a Brusque por meio dos professores da entidade. “É uma grande iniciativa trazer o evento para cá, estamos muito contentes em poder integrar as Apaes de Santa Catarina e difundir a importância desse esporte na vida desses jovens”, completa Tuti, que ministra aulas de capoeira na Fundação Catarinense de Educação Especial (FCEE) para cerca de 60 alunos com deficiências intelectuais e físicas com idades entre 7 e 65 anos.

A realização do evento sempre no mês de novembro também tem o objetivo de salientar a comemoração do Dia da Consciência Negra, em 20 de novembro, e a lembrança do líder quilombola Zumbi dos Palmares. Intrínseca com a história de nosso país, a capoeira, filha brasileira de pais africanos, surgiu como luta do negro cativo e desarmado em busca de sua liberdade. Para não serem proibidos de praticar, os negros camuflavam com instrumentos musicais e palmas, realizando movimentos que aos olhos dos senhores nada mais eram do que a vadiação dos angolanos, a brincadeira de Angola.
Mestres da Bahia prestigiam o evento

A terceira edição do Encontro de Capoeira Especial teve a presença de duas figuras ilustres. Os mestres Nenel e Boinha vieram da Bahia para prestigiar o evento. Ambos são discípulos de mestre Bimba, um dos principais responsáveis pela expansão da capoeira no Brasil e no mundo.

“Para nós é um honra estar aqui. A capoeira é conhecida como a representação da nossa cultura no mundo inteiro, ver um trabalho tão bonito assim de perto, com essas criança e jovens”, declara Manoel Nascimento Machado, o Nenel. Ele é filho de mestre Bimba com Berenice Conceição Nascimento. Desde muito cedo seguiu os passos do pai, acompanhando-o nas atividades diárias desenvolvidas nas escolas. Formou-se aos 7 anos, de acordo com o padrão do Centro de Cultura Física e Regional, recebendo, na ocasião, das mãos do próprio pai, o lenço azul.

Bimba foi uma das personalidade mais importantes da história da capoeira. Ao perceber que a capoeira estava perdendo seu valor cultural e enfraquecendo enquanto luta, ele misturou elementos da Capoeira Tradicional com o batuque, criando assim um novo estilo de luta com praticidade na vida, com movimentos mais rápidos e acompanhada de música. Em 1957, o mestre se apresenta para Getúlio Vargas. Na ocasião, o presidente declarou que a capoeira é “a única colaboração autenticamente brasileira para a Educação Física, devendo ser considerada a nossa luta brasileira”.

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