Conheça morador de Brusque que, aos 94 anos, ainda trabalha no setor de consórcios
Com a ajuda da filha e de um vendedor, ele continua atendendo clientes que o acompanham desde 1978
Miguel Moacyr Machado, conhecido como Machadinho, completará 95 anos em setembro, e segue firme na rotina de trabalho na empresa que fundou há 47 anos, em Brusque.
Sentado à sua escrivaninha na sede da Consórcio União, onde atua ao lado da filha e de um vendedor Machadinho, um dos trabalhadores mais longevos do município, mantém hábitos simples: acorda às 8h, chega cedo ao escritório e ainda vende cotas, dá conselhos e recebe antigos clientes. Ao fim do dia, celebra com seu tradicional “uisquezinho”. “Ficar parado é esperar a morte”, afirma.
A história de Machadinho com o trabalho começou muito antes da fundação da Consórcio União. Ainda jovem, trocou a roça de cana por uma vaga numa oficina mecânica, graças à ajuda de um conhecido da família. “Trabalhei cinco meses sem salário. No fim, me deram uma nota de 500 cruzeiros. Nunca me esqueço”, lembra.
Depois de uma breve experiência militar em Florianópolis, retornou a Brusque e entrou no ramo de peças automotivas. Foi um dos fundadores da Comercial de Peças Triângulo, junto de outros dois sócios.
Mais tarde, em maio de 1978, fundou o Consórcio União, diante de uma mudança nas regras do setor automotivo, que passou a permitir a criação de administradoras independentes. “Naquela época, quem fazia consórcio era a própria fábrica. Mas o governo abriu espaço para as administradoras, e nós fomos um dos primeiros”, conta.
Desde então, são 47 anos de dedicação à empresa que fundou e que hoje toca ao lado da filha Miriam, responsável por toda a parte administrativa, e de Rodieri, vendedor que tem autonomia para montar e expandir equipes.
“Eu venho, sento aqui, atendo um ou outro cliente. Não tenho mais aquela garra de antes, mas sigo ajudando. Mas admito que são os dois que mantêm os negócios de pé atualmente. Sigo vindo todos os dias pois entendo que, se a gente fica sentado esperando a morte, não tem graça. Não tem sentido”, resume.
Rotina e disciplina
Morador do bairro Águas Claras, Machadinho mantém hábitos simples. Dorme por volta das 22h, não sem antes tomar sua dose diária de uísque. Pela manhã, acorda às 8h.
Um funcionário da empresa o busca em casa todos os dias. “Desde o final de 2023 decidi parar de dirigir. Estava completando 94 anos. Nunca sofri acidente, mas achei que era hora, senti que não estava tendo a mesma atenção”, diz.
Além do prazer pelo trabalho, a rotina é também uma necessidade. Machadinho é casado com uma mulher de 92 anos que sofre de Alzheimer e depende de cuidados intensivos.
“Desde 2010, ela está entre a cadeira de rodas e a cama. Gastamos um valor considerável com remédios e cuidadores mensalmente e a aposentadoria não cobre tudo. Às vezes, uma cotinha vendida ajuda a equilibrar as contas”.
Clientes de geração em geração
O tempo à frente do consórcio criou uma rede de relações que atravessa décadas. Famílias inteiras mantêm negócios com a empresa, com filhos e netos de clientes antigos retornando para fechar novas cotas.
“Tem gente que nos acompanha desde a época da Peças Triângulo. Muitos ainda vêm aqui, outros nos procuram para montar grupos fechados. Sempre tem alguém que retorna”.
Questionado sobre o segredo da longevidade, ele ri: “Talvez o uisquezinho ajude. Mas eu acho que é uma dádiva de Deus. Não tem outra explicação”.
Em quase um século de vida, diz que nunca imaginou ultrapassar essa idade. “Naquele tempo, a medicina era fraca. Hoje mudou. Fiz cirurgia de coração, tirei câncer do intestino sem precisar de quimio, e recentemente coloquei uma válvula mitral. Estou bem, mas como devagar”, brinca.
De Biguaçu a Brusque
Nascido em um distrito de Biguaçu chamado Sorocaba, Machadinho veio para Brusque ainda pequeno, aos 4 anos, quando sua mãe, professora, foi transferida. “Fiquei um tempo com a minha avó, depois nos reunimos todos aqui. Estou em Brusque desde então”.
Hoje, às vésperas dos 95 anos, ele não pensa em parar. “Enquanto Deus quiser, estarei aqui. Não sei o que ele ainda quer que eu prove, mas sigo na luta”.
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