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“Vou dormir na rua se não tiver”: maridos correm atrás do morango do amor, febre em Brusque

Viral da internet, doce é fenômeno nas cafeterias e panificadoras da cidade, que nunca viram procura igual

O morango do amor é o novo hit das redes sociais. A febre já chegou em Brusque e vem gerando acúmulo de pedidos nas cafeterias e panificadoras, que vendem principalmente sob encomenda. O doce viral chega a resultar em filas nos estabelecimentos.

A receita é uma variação da maçã do amor. Em linhas gerais, a mudança mais marcante é o uso do morango como produto principal, em substituição à maçã. A fruta é coberta por massa de brigadeiro e calda de caramelo.

O novo viral conquistou o público do TikTok e do Instagram. Nas redes sociais, há diversos vídeos curtos que explicam a receita. Há até variações: buquê de morango do amor, morango do amor de coração, morango do amor de maracujá e outros. Os vídeos somam milhares de visualizações.

Juliana de Oliveira Maestri, proprietária do Pedacito Café e Confeitaria, no bairro Souza Cruz, tomou um susto com a alta procura pelo doce. “Em todos esses anos de confeitaria, nunca existiu nada parecido, nem na Páscoa, nem no Natal”.

A produção começou no dia 12 de julho, um sábado, primeiro como teste. Juliana preparou, despretensiosamente, um morango do amor tradicional e outro de pistache. Os doces ficaram na vitrine por apenas dez minutos.

Ela observou o boom da internet, e se perguntou o que havia de tão atraente no tal do morango do amor. A partir do domingo, 13 de julho, “foi uma loucura”, como define. A média é de 150 morangos do amor produzidos por dia.

“O produto não chega mais a ir para vitrine. A cada remessa que desce, já sai tudo”, comenta. “O mês de julho, geralmente, é mais fraco, mas o produto salvou os números de todas as confeitarias”, avalia.

No início, o público principal era os adolescentes, que têm forte ligação com as redes sociais. Depois, a segunda remessa foi de pessoas que não queriam ser influenciadas pelo hit do TikTok, mas não resistiram. Agora, a febre é geral e não há mais um público específico.

Atualmente, o Pedacito vende somente unidades do morango do amor tradicional. A demanda pelo doce coberto pela calda avermelhada é tão grande que não há tempo disponível para se dedicar a variedades de sabores. No entanto, ampliar o cardápio está nos planos.

“Eu teria que dividir a produção do morango do amor tradicional. Então, enquanto ainda há o boom, optei por seguir somente com o tradicional. Estamos aproveitando o hype e vendendo o que está em alta. Quando diminuir a procura, vamos trazer outros sabores”.

Os 150 morangos do amor que saem diariamente no Pedacito são o que é possível produzir. A febre veio em um momento que nenhuma cafeteria esperava, ocasião em que há funcionários de férias no estabelecimento. Assim, Juliana concentra a produção, paralelo aos outros produtos vendidos.

A febre do morango do amor vem fazendo as marcas ficarem mais conhecidas nas redes sociais. Juliana relata que, nas segundas-feiras, dias de pouco movimento, está havendo um público maior que o comum na cafeteria, pois os conteúdos das redes estão sendo entregues a mais pessoas.

“Qualquer postagem que fizemos está com muito alcance. Quando começamos a produção do morango do amor, vieram pessoas de Itajaí, de Blumenau… Nós nem fizemos impulsionamento e eles receberam nossos vídeos no explorar do Instagram”.

@maisreceitas Morango do amor Ingredientes Brigadeiro 1 leite condensado 1 creme de leite 4 colheres de sopa de leite em pó 1 colher de sopa de manteiga Morangos grande Calda 2 xícara de açúcar refinado (xícara de 240ml) 1/2 xícara de água (xícara de 240ml) 1 colher de sopa de vinagre 150g de xarope de glucose Corante em gel vermelho Vai precisar também de Palito de churrasco Plástico celofane para armazenar Modo de preparo: no vídeo #receita#morangodoamor♬ som original – delismar Cardoso

Encomendas para o mesmo dia


As encomendas do morango do amor geralmente são para o mesmo dia. Tina Ariana Hartke, auxiliar-administrativa do Villa Café, no bairro Santa Rita, explica que o próprio produto exige uma retirada breve, já que pode estragar caso fique muito tempo em espera.

Sendo assim, quando o cliente entra com o pedido, a encomenda é programada para retirada no mesmo dia. No entanto, existem exceções. Há pessoas que pedem para retirar o doce em um dia específico, então o estabelecimento se organiza para produzi-lo na data em que foi solicitado.

“O morango não pode ficar muito tempo sem saída. A calda também pode derreter. O teor das encomendas, hoje, da grande maioria, é para o mesmo dia, mas há pessoas que já fizeram encomendas para retirada no fim de semana. Então, há uma programação”, afirma Tina.

A produção dos morangos do amor no Villa Café começou no dia 22 de julho, terça-feira. Foram poucas unidades no primeiro dia, que saíram após quatro minutos na vitrine. A cafeteria então aumentou a produção e não consegue mais colocar na área de vendas no balcão.

“Caso desçam algumas unidades para venda na vitrine, é bem cedo”, comenta. Nesta quinta-feira, 24, há 300 unidades em produção. “Estamos com uma produção triplicada em comparação com o dia anterior. Há muitas encomendas. Estamos tentando separar um pouco para as áreas de venda”, relata.

Tudo iniciou quando as pessoas começaram a perguntar pelo famoso morango no amor no balcão do Villa Café. Hoje, são tantos pedidos de encomenda do doce que fica difícil até de responder os clientes no WhatsApp ou atender o telefone.

“Muitas pessoas perguntaram se estávamos produzindo. Nós produzimos o bombom de morango, então as pessoas perguntavam se fazíamos também o morango do amor, porque viram nas redes sociais”, conta.

Produção dos morangos do amor. Foto: Divulgação

Receita que desafia


Além da validade do produto, há outro desafio: a dificuldade de produzi-lo. Agora, a panificadora Panissa, no bairro Primeiro de Maio, conseguiu encontrar o ponto ideal para deixar a crosta do morango crocante para agradar a clientela.

“É loucura, inexplicável”, define Patrícia Panissa Kruger, sócia-proprietária da panificadora, sobre o movimento em busca do doce. “O nosso confeiteiro viu um vídeo no TikTok e tentou produzir. Ele fez cerca de 30 unidades. Minha irmã publicou e logo foram vendidas. Os primeiros testes não deram muito certo, pois é difícil de fazer o caramelo”.

O doce viral da internet fez com que a Panissa investisse para chegar ao estágio ideal do morango do amor. A panificadora adquiriu um termômetro para conseguir alcançar o ponto do caramelo. A produção é complexa, pois queima facilmente ou pode ficar com característica pegajosa.

“A temperatura do caramelo não pode passar, pois queima, e ele também não pode ser retirado antes do ponto ideal, porque fica semelhante a um chiclete. É necessário formar uma crosta. O caramelo precisa ficar crocante”.

Há mais segredos para chegar ao ponto ideal: o caramelo não pode pegar umidade na geladeira e ficar destampado. Além disso, o brigadeiro que envolve o morango precisa ser mais resistente que um brigadeiro comum.

Na panificadora, a produção é ampliada a cada dia, mas a procura é tanta que, mesmo assim, a demanda não é suprida. São centenas de unidades comercializadas diariamente no estabelecimento. O que chega a ir para a vitrine, já tem rápida saída.

Morango do amor pronto para venda. Foto: Divulgação

Apesar do desafio que chegou junto com a febre do morango do amor, Patrícia celebra a alta procura pelo doce. A demanda chega a gerar risadas, sobretudo pela quantidade de maridos que buscam agradar as esposas.

“Os maridos vem aqui na panificadora com a tela do celular mostrando o morango do amor e dizem: ‘a minha mulher quer isso aqui, vocês têm para vender? Eu vou dormir na rua se não tiver’. Quando chegam de tarde, não tem mais no balcão, aí encomendam para o dia seguinte”, conta, aos risos.

Na cozinha até a madrugada


Ana Paula Ullrich, confeiteira da Mela Dedo, no bairro São Pedro, ampliou o período na cozinha para atender o boom do morango do amor. Ela nem sabe como consegue dar conta da demanda, com centenas de produções diárias.

Nos últimos dias, Ana Paula vem se dedicando quase exclusivamente ao doce famoso, mas também precisa conciliar com outras produções. Ela já chegou a sair da cozinha por volta de 1h30.

“O céu é o limite”, brinca. “Quando fiz o balanço, percebi que passavam de mil unidades produzidas na semana. Não sei como dei conta. É uma loucura. Todos os dias eu saía da cozinha de madrugada”, comenta.

Ana Paula assistiu a um vídeo na internet muito antes de o morango do amor virar febre, no ano passado. Ela teve vontade de produzir o doce, mas estava com outros projetos em andamento, e optou por deixar de lado o morango do amor no primeiro momento.

O início da produção na Mela Dedo foi por conveniência. A confeiteira já produzia um doce chamado bala baiana. Como possui calda semelhante a do morango do amor, aproveitou para iniciar a produção do doce que se tornou fenômeno do TikTok.

“Eu comecei a produzir pensando que seria temporário, algo voltado às festas juninas. Não imaginei que se tornaria um sucesso. Eu pensei que o morango do amor seria muito doce, mas não. É ao contrário. Dá impressão que é doce, mas o azedinho e o ácido do morango quebram o doce da casquinha”.

Diariamente, Ana Paula inicia o processo de produção com a modelagem, após a massa ficar adequada para cobrir o morango. Ela comenta que há um retorno positivo dos clientes, que voltam nos dias seguintes para comprar mais morangos do amor.

“Eu preparo a massa e deixo esfriar por seis horas. Depois, inicio a produção. O tempo entre ter o morango higienizado até cobri-los com a massa e com o caramelo leva em torno uma hora. Há algumas etapas do processo desde o início”.


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