Entrevista com Arno de Souza – “Um deputado não pode ficar em cima do muro”

Concorrendo pela primeira vez, candidato do PSC defende luta contra a corrupção como maior bandeira de sua campanha

Entrevista com Arno de Souza – “Um deputado não pode ficar em cima do muro”

Concorrendo pela primeira vez, candidato do PSC defende luta contra a corrupção como maior bandeira de sua campanha

Concorrendo pela primeira vez em uma Eleição, Arno de Souza, do PSC, é o quinto nome da série de entrevistas que o Município Dia a Dia realiza com os candidatos de Brusque. Ele começa a campanha com um discurso anticorrupção, e defendendo a injeção de mais verba no setor têxtil do município.

Município Dia a Dia: Com que propostas o candidato começa essa campanha? 

Arno de Souza: A minha maior bandeira é sobre a corrupção. Sou totalmente contra alguns candidatos que estão no poder, com quatro ou cinco diplomas, e deixam acontecer o que está acontecendo no país. Temos que acabar com a corrupção. A Saúde está mal, a Educação está mal, e verba tem, só precisa ser colocada no lugar certo. Todos os candidatos teriam que se unir para começar uma política diferenciada, sem a comissão do deputado, sem obras superfaturadas. Quando a verba vem, tem que vir o valor total. Não posso, como deputado, conseguir uma verba de R$ 2 mil e entregar R$ 1,5 mil para uma instituição. E pode se perguntar se tenho poder para isso. Todo candidato tem, depende do que ele quer. Se deixarmos da maneira como está, nenhum cidadão vai querer ir à urna votar. Grande projetos eu não tenho, até porque é a primeira vez que vou concorrer. Acompanho a política há 42 anos, por isso tomei a decisão de sair candidato, para ter mais conhecimento. Tenho projetos que quero aprovar, mas, por ora, fica para mim, porque tenho saber como é o andar da carruagem lá dentro da Assembleia; de que forma vou trabalhar, se existe a corrupção.

MDD: E na economia?

Souza: Há muitos anos quem mandava em Brusque eram três empresas: Renaux, Schlosser e Buettner. Qualquer empresário que chegava em Brusque era podado. A cidade cresceu quando o Ciro Roza, independente da pessoa dele, deu espaço para as empresas pequenas crescerem. Ali houve ajuda do município aos pequenos empresários. Hoje, temos empresas que trabalham no vermelho faz tempo, mas isso não é culpa só do prefeito. É culpa lá de cima. As empresas de tecelagem estão falindo. A economia tem que começar a ser mudada lá de cima. O governo federal precisa apoiar os empresários e diminuir os tributos.

MDD: Sabendo que a atuação de um candidato a deputado estadual é limitada, como pretende implantar essa luta contra a corrupção que você defende?

Souza: Ainda que os deputados não apoiem os projetos, você tem canais de divulgação; a população acaba sabendo quem vota a favor e quem vota contra os bons projetos. Se chegarem para mim com um projeto viável, jamais vou deixar de assinar. Um deputado não pode ficar em cima do muro por causa de questões financeiras. É difícil. Um candidato que queira combater a corrupção vai ser discriminado dentro da Assembleia, mas jamais vou desistir de mandar meus projetos.

MDD: Sendo parte de um partido pequeno, como é entrar numa campanha em que o poder econômico é tão desigual?

Souza: Fui do PDT quase a vida toda, sempre gostei do Brizola e trabalhei para vários candidatos. Fui para o PSC não porque fui convidado, procurei o partido e me filiei, com a condição de concorrer nesta eleição. Fui procurar um lugar no qual eu teria chance de disputar uma eleição. Sou contra coligação, independente do partido, seja qual for o cargo. Mesmo partido pequeno, prefiro que coloque chapa pura. Hoje, se sou candidato num partido grande, preciso de 50 mil votos para me eleger. No meu partido posso entrar com 9 mil. Hoje temos no PSC 57 candidatos, e o mais votado vai entrar. Estamos trabalhando para eleger um ou dois deputados, porque estamos unidos. Essa diferença do poder dos partidos é uma coisa genérica. O partido dito forte, o que ele faz? Pega sua sede municipal para vender o partido. Presidente de partido tem que ter caráter e colocar para concorrer os candidatos do partido. E não a cada dois anos vender o partido para outras siglas. Não adianta formar um partido, juntar 200 filiados e chegar para um candidato a prefeito e pedir para ele colocar um preço.

MDD: Se pudesse eleger apenas uma área como prioridade, na busca por recursos para Brusque e região, o que apontaria? 

Souza: Para melhorar a situação do município, o investimento deveria ser em confecção e tecelagem, nós trabalhamos em cima disso. Hoje, estamos perdendo espaço para outros municípios porque o prefeito não dá incentivo. A maior parte da população trabalha nisso, temos que incentivar a injeção de verba nesta área. Auxiliar essas empresas, que estão perdendo poder financeiro, para que o nosso município não comece a apresentar desemprego. Nunca tivemos, e hoje começamos a ter.
Arno de Souza é natural de Brusque, nascido em 1954. Atua como comerciante e também é praticante de umbanda. Esta é a primeira vez que concorre a um cargo eletivo.

 

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