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Acolhidos pela Casa Peniel vivem Natal em momento de união e solidariedade em Brusque

Projeto criado durante a pandemia promove ceia, troca de presentes e acolhimento

Quando chega dezembro, os acolhidos pela Casa Peniel, no bairro Águas Claras, em Brusque, são tomados pelo espírito natalino ao ver a decoração sendo montada. Logo na primeira semana, os 17 homens acolhidos observam Flávia Nunes, esposa do pastor Cristofer Nunes, provedor do local, montando a árvore e já começam a imaginar o que ganharão de presente na noite do dia 24.

Na véspera de Natal, todos se reúnem para a ceia, preparada pelo próprio pastor. Depois do jantar, acontece a entrega de presentes por meio do tradicional amigo secreto.

Os pacotes ficam embaixo da árvore, já com etiquetas contendo o nome de cada um, escritas por Cristofer. Cada acolhido retira um presente e o entrega ao amigo. As doações, vindas de empresas e moradores, geralmente incluem peças de roupa e uma caixa de bombons.

Abraço entre homens na entrega de presentes. Foto: Arquivo Pessoal

O chocolate sempre acaba antes da meia-noite. Em 2023, a casa teve o melhor Natal em relação aos presentes: camisetas, bombons e panetones. A entrega e a ceia são transmitidas ao vivo pelas redes sociais da Casa Peniel.

À medida que o Natal se aproxima, o clima dentro da casa muda. Os acolhidos se tornam mais solidários e abraçam com mais força os valores de comunidade e união.

“Nós vivemos da emoção. O Natal mexe com todo mundo, até com a pessoa que é extremamente má. A tendência é a casa encher um dia antes do Natal, porque muitos não querem passar a data sozinhos. Já bateram aqui e perguntaram: ‘posso passar o Natal aqui para não ficar na rua?’”, conta Cristofer.

Natal na Casa Peniel. Foto: Arquivo Pessoal

O espírito natalino


Na casa atuam Cristofer, sua esposa e Thaless Dias, um amigo do pastor. Também moram ali os dois filhos do casal: um menino de 12 anos e uma menina de 9. A renda vem principalmente de doações, do trabalho de Cristofer, que é dono de uma empresa de administração de imóveis, e de recursos municipais.

Quando chega novembro, o pastor publica nas redes sociais um vídeo de lançamento do Natal Solidário Peniel. Nele, divulga a chave Pix do projeto e pede contribuições em qualquer valor. Doações em roupas e alimentos também são aceitas.

Homens na Casa Peniel. Foto: Arquivo Pessoal

A principal dificuldade, segundo ele, é a divulgação. Cristofer afirma que o projeto é conhecido entre representantes do poder público, mas pouco conhecido pela população, o que acaba deixando a casa isolada.

“Pouca gente sabe que a gente está aqui. Nós somos pessoas que estão dando uma oportunidade a outras, sem pedir nada em troca”, afirma.

O projeto começou durante a pandemia da Covid-19, em 2020, e logo no primeiro ano já realizou o Natal Solidário. O objetivo era reunir todos os acolhidos para uma ceia e entregar uma peça de roupa e um doce, propósito que se mantém até hoje.