Catolicismo ganha força entre os jovens, que aumentam presença nas igrejas em Brusque
Sacerdotes buscam nova linguagem para dialogar com novas gerações
Nos últimos tempos, a Igreja Católica tem registrado uma forte adesão dos jovens à religião. Em Brusque, o fortalecimento do catolicismo entre as novas gerações também tem sido percebido. O jornal O Município conversou com padres que atuam na cidade para entender esse fenômeno.
Em maio deste ano, a missa dos jovens completou 12 anos de existência em Brusque. O padre Rodrigo Tascheck, vigário da paróquia São Luís Gonzaga, no Centro, conta que, há três anos, houve um crescimento significativo na participação de pessoas mais novas. Esse aumento ocorreu após os sacerdotes se disporem a ouvir os jovens.
“Nós escutamos seus anseios e lembramos que o rito da missa, a oração e a adoração à Eucaristia são as respostas para as suas dificuldades. Apesar de ter uma linguagem jovem, o rito da missa continua o mesmo, mas voltado para eles.”
O sacerdote ainda afirma que o mundo atual possui uma diversidade de informações, mas poucas pessoas receberam uma formação dentro de casa e buscam um novo sentido para a vida.
“Muitas vezes, os jovens não têm na família essa tradição e encontram em Deus um novo caminho para seguir. Eles buscam um caminho que seja seguro, que ofereça respostas concretas e um sentido para viver”, relata.
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Além dele, o padre Marcos Jonizei, da mesma paróquia, também percebe essa motivação no retorno ao catolicismo. Ele acredita que, por ser um ambiente acolhedor, os encontros de fé geram amizades duradouras.
“As convivências e amizades relacionadas ao âmbito da fé, da crença e da espiritualidade também são fortes fatores. Ao atuarem na vida da Igreja, eles conquistam companhia ao longo do tempo”, afirma.
A Igreja Católica sempre manteve métodos de evangelização voltados aos jovens, mas, atualmente, tem se adaptado para dialogar com as novas gerações. Entre as iniciativas estão as missas voltadas ao público jovem, retiros e pastorais da juventude.
“Essas dinâmicas têm ajudado muito os jovens a saírem de uma sala de catequese e viverem novas experiências, com um novo aprendizado. Com esses encontros, eles se sentem motivados a continuar firmes nessa caminhada. É uma forma de fortalecer a fé em Deus.”
Acolhimento na igreja
Já a paróquia São Judas Tadeu, no bairro Águas Claras, sempre manteve a presença dos jovens nas missas e encontros juvenis, não sendo um fenômeno recente. O pároco, padre Sérgio Luís Pedrotti, afirma que é comum, em algum momento, certas pessoas se afastarem da vida religiosa por conta de estudos ou trabalho, mas que não são a maioria.
“Sempre vejo a Igreja com muitos jovens e crianças. Claro que também estamos vivendo um aumento da natalidade, o que colabora, mas ele [o jovem] sempre esteve presente. As pessoas mais novas se engajam a partir do testemunho de outros jovens. Ou seja, ouvem a experiência de um amigo da escola e buscam se reencontrar dentro da comunidade”, diz.
Outro fator que ele também credita à participação dos jovens são os grupos de encontro. Ele conta que, nesses momentos, são discutidos temas atuais presentes na vida dos adolescentes, mas sem deixar de fora orações e as questões da Igreja.
Sérgio diz que o jovem se sente acolhido na comunidade e continua a participar das missas e ações, o que, para ele, gera mais engajamento.
“Isso [acolhimento] é ponto fundamental. Acredito que os próprios jovens são protagonistas nesse retorno à Igreja, porque se tornam evangelizadores também. Eles perceberam que a missão deles não é apenas ser um grupo de jovens dentro da Igreja, mas sim serem missionários e evangelizadores de outros jovens".
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Mudança na linguagem paroquial
Mantendo as tradições católicas, as missas da paróquia São Luís Gonzaga abordam temas presentes no cotidiano dos jovens. Para Marcos, os momentos de canto, oração, novenas e adoração foram adaptados para se tornarem mais atrativos e significativos para essa geração.
Na paróquia, freiras, padres e agentes de pastoral passam por formações específicas para aprender a dialogar com os mais jovens. Essas formações também contam com a presença de jovens, para que todos possam compreender melhor a mentalidade da nova geração.
“Nessa nova linguagem, são incluídas falas dos próprios jovens e temas para debate entre eles. É muito positivo a Igreja promover isso, pois oferece a oportunidade de eles se expressarem e se comunicarem da forma como entendem o mundo. Os padres estão sempre aprendendo para acompanhá-los.”
O padre Rodrigo diz que as pessoas possuíam uma visão equivocada do catolicismo e que, agora, estão aceitando sua verdadeira forma e buscando esse contato espiritual. “A Igreja é a mesma há dois mil anos. O que tem mudado são as pessoas, que têm descoberto a Igreja. Por muito tempo, disseram que ela era algo que não era".
Ensinar o jovem a linguagem do catolicismo
Ainda nesse contexto, o padre Valdir Bernardo Prim, pároco da paróquia Santa Catarina, no bairro Dom Joaquim, também percebe o retorno das novas gerações ao catolicismo e credita esse movimento à valorização da linguagem jovial. Ele diz que, nas missas da paróquia, são feitas pregações com os jovens, abordando novos temas.
“É um pregador que vem de fora para fazer uma celebração mais longa. Também existem os grupos de jovens. Vejo que eles procuram a oração e a presença de Jesus mais próximas de suas vidas, para encontrar um sentido para viver e, principalmente, para ter esperança, pois muitos deixaram de acreditar na vida”, afirma.
Ele conta que o essencial para manter o jovem na Igreja é deixá-lo fazer suas escolhas e se sentir responsável por elas, para que possa transmitir sua experiência. O pároco acredita que grande parte dos jovens não entende os termos do catolicismo, nem o significado das orações, o que torna necessária a mudança na linguagem para que a nova geração compreenda.
“Uma vez, atendi 12 adolescentes que pensavam em se suicidar. Então ensinei a eles que, quando questionam o cristianismo e a vida, é sinal de crescimento. Se ficam passivos, não crescem. É preciso perguntar para encontrar respostas e poder ser mais adulto na fé e na espiritualidade. A paróquia tem feito uma pregação para dar sentido à vida deles e mostrar que a esperança não está perdida.”
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Por outro lado, o padre Sérgio afirma que, na paróquia São Judas Tadeu, não houve mudança nos temas das homilias, pois existem os grupos de jovens, onde ocorre essa "evangelização personalizada". Ele diz que, como a Igreja Católica é para todos os públicos, ela sempre segue uma fala que abrange a todos.
“Temos 40 jovens na Pastoral da Comunicação, então eles gostam de fazer vídeos sobre os assuntos, o que vai fortalecendo o senso de grupo. Os temas de interesse deles vão sendo discutidos nesses momentos, enquanto a missa continua sendo para todos, do jovem ao idoso”, explica.
No mesmo sentido de Rodrigo, o padre e diretor do Colégio São Luiz, Silvano João Costa, credita a nova linguagem da Igreja como um dos fatores que estão levando os jovens à religião. Ele afirma que já era desejo da Igreja se atualizar.
“A Igreja sempre se preocupou com a juventude e, nessa preocupação, contempla o como ser presença evangelizadora. Creio que, diante desse querer da Igreja e com os dons e a escuta que alguns membros têm, incluindo padres, as estratégias são construídas e o caminho é percorrido”, diz.
Papel das redes sociais na evangelização
A um clique de distância do cristianismo, os jovens podem acessar conteúdos sobre o cristianismo nas redes sociais e aprofundar seus conhecimentos sobre o catolicismo. A paróquia São Luís Gonzaga tem utilizado essas novas tecnologias para ampliar o alcance de informações como horários de missas, cultos e outros eventos, tornando-os mais acessíveis aos jovens.
Para Silvano, é quase uma obrigação da Igreja estar engajada nas redes. “Temos jovens cristãos, que amam a Deus, utilizando as redes sociais e encantando aqueles que os ouvem e assistem. ‘Por que Deus age assim na vida dele? Será que Deus não pode agir na minha?’”, reflete.
Sobre esse assunto, o padre Sérgio entende que a rede social funciona apenas para despertar o interesse dos jovens na religião, mas que, por si só, não se sustenta. Ele afirma que a participação efetiva só acontece depois que o jovem vai até a Igreja, não se justificando apenas pela divulgação dos eventos.
“O sentir-se na comunidade passa por uma experiência não virtual. Tem que ir além da internet para haver integração na vida comunitária. Nós não fazemos missa exclusiva para os jovens, mas eles vêm presencialmente para conversar e participar. Vejo que eles não vivem em um mundo isolado, e na Igreja não é diferente: ao lado deles há crianças, idosos, todos na mesma busca.”
Por outro lado, o padre Valdir vê que, nas redes sociais, a fé e o catolicismo são transformados em espetáculo e que muitas pessoas as usam para atrair seguidores.
“Quando se faz uma pregação, é para que as pessoas se convertam, não para que se emocionem. A pessoa pode ter dez milhões de seguidores, mas isso não significa que todos sejam católicos. As pessoas podem pensar: ‘O padre fala bonito nas redes, de maneira encantadora’, mas elas gostam do espetáculo. Me desagrada muito a maneira como as pregações são feitas na internet”, afirma.
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