Padre de Botuverá e grupo de ciclistas da região pedalam 310 km em jornada de fé e superação
Sacerdote participou da Biciperegrinação do Caminho da Fé, entre Águas da Prata e Aparecida (SP)
Encarar 310 km de bicicleta, entre subidas íngremes, frio e silêncio, foi o caminho escolhido pelo padre Elinton Costa, da Comunidade Bethânia de São João Batista, como forma de entrega, retiro e imersão na natureza transformadora.
*Confira a galeria de fotos no fim da edição
Natural de Botuverá, o sacerdote, pois, surpreendeu a todos ao aceitar, pela primeira vez, o desafio de participar da 4ª edição da Biciperegrinação do Caminho da Fé, realizada neste mês de julho.
Padre desafia limites
Sem qualquer experiência anterior no ciclismo, ele não apenas topou a missão como, ao longo da jornada, tornou-se um um verdadeiro esportista sobre duas rodas— movido não por técnica, mas por coragem, perseverança e espiritualidade.
Ao lado de 49 ciclistas vindos de Brusque, Guabiruba, Itajaí e São João Batista, padre Elinton embarcou em uma jornada que teve início no dia 18 de julho, com a saída simbólica do grupo, em Guabiruba.
De lá, o grupo seguiu de ônibus até Águas da Prata, em São Paulo, onde teve início a peregrinação pedalada.
Padre comove ciclistas
No dia 20, os ciclistas abriram o trajeto oficial, partindo de Águas da Prata, rumo ao Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida (SP).
Foram cinco dias pedalando em meio a serras, vilarejos e paisagens de tirar o fôlego, mas o que se destacou em cada etapa foi algo que não se mede em altimetria: a fé pulsando em cada pedalada.
A organização contou com Suzety de Souza, Cleiton de Souza, Franciele Carminatti, Fábio Carminatti e Rafael Pereira, e o grupo ciclista foi representado pelo Team Cilada MTB, com sede em Brusque.
Mesmo diante de um percurso exigente — com mais de 9 mil metros de altimetria acumulada —, o padre não apenas resistiu, como emocionou.
Seu olhar sereno, mesmo diante do cansaço, então inspirava.
Sua palavra, mesmo nos momentos de dor muscular ou de frio cortante, renovava o ânimo dos que pedalavam ao seu lado. E quando as pernas hesitavam, era a oração que impulsionava.
A espiritualidade foi, de fato, o fio que sustentou cada passo da peregrinação.
Missas celebradas
Missas foram celebradas diariamente, em pousadas simples, capelas escondidas entre as montanhas e, de forma especial, em um dos trechos mais simbólicos da rota: a Serra do Caçador.
Ali, sob o céu aberto, a missa campal comoveu o grupo inteiro, que pôde sentir a presença de Deus em meio à natureza viva e imponente.
Durante os cinco dias de pedal, as etapas foram vencidas uma a uma, entre lágrimas, cânticos e silêncio contemplativo.
Padre entre lágrimas e aplausos
No dia 24 de julho, a chegada ao Santuário de Aparecida marcou não apenas o fim da peregrinação, mas o início de algo novo.
Ao cruzar a última subida, com o Santuário à vista, padre Elinton foi recebido com aplausos e lágrimas.
Emoção
A emoção tomou conta do grupo. Muitos se ajoelharam, outros se abraçaram em silêncio, enquanto o sacerdote, visivelmente tocado, ergueu os olhos ao céu em sinal de gratidão.
Seu exemplo deixou claro que a fé move montanhas, sim — inclusive aquelas que surgem na forma de estradas de terra, ladeiras intermináveis e dores físicas.
Em cada quilômetro percorrido, uma lição foi deixada: não há limite quando se acredita, quando se entrega, quando se confia.
A Biciperegrinação do Caminho da Fé de 2025 foi, sem dúvida, marcada por muitas histórias.
Mas foi o testemunho do padre Elinton que deu a esta edição um significado ainda mais profundo.
Ao final da jornada, os ciclistas retornaram para casa com o corpo revigorado e a alma leve — o cansaço da trilha deu lugar à serenidade do descanso.
E já começaram a sonhar com a próxima edição, pois quem conhece o Caminho da Fé sabe que ele transforma, acolhe e renova.
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*Créditos das imagens: Team Cilada Mtb >>
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