Fala Brusque! Avaliação da saúde se divide entre mediana e negativa

Pesquisa mostra que 38% da população considera regular, no entanto, 36% classificam a saúde como ruim ou péssima

Fala Brusque! Avaliação da saúde se divide entre mediana e negativa

Pesquisa mostra que 38% da população considera regular, no entanto, 36% classificam a saúde como ruim ou péssima

Na pesquisa sobre a saúde de Brusque realizada pelo Instituto de Pesquisas Sociais da Univali/Unifebe, a pedido do Município Dia a Dia, o resultado ficou dividido. Por um lado, 38,04% dos entrevistados considerou a saúde como regular, por outro, a avaliação negativa chegou a um percentual de 36,6%, somados o ruim (17,44%) e o péssimo (19,16%).

Já os entrevistados que consideram a saúde como boa chegou a 22,19%, e ótima, 2,45%. Foram ouvidas 694 pessoas entre os dias 15 e 16 de setembro.

Apesar do alto índice de avaliação negativa, a secretária de Saúde de Brusque, Giselle Moritz, considera o resultado como positivo. Ela leva em consideração a soma dos que classificam a saúde como regular, boa e ótima, que chega a um resultado de 62%.

“Recebemos o resultado desta pesquisa com muita satisfação, já que saúde é o setor mais complexo de uma administração pública. Levando ainda em conta que cidades como Curitiba, que é considerada a capital modelo do Brasil, a avaliação da saúde pela população lá foi inferior a nossa”.

Giselle destaca que a secretaria está trabalhando com orçamento extremamente limitado devido ao atraso no repasse de verbas estaduais, no entanto, mantém os serviços que é de direito do paciente.

De acordo com dados repassados pela secretaria de saúde entre os meses de janeiro e setembro deste ano foram realizadas 57.220 consultas com especialistas – são 35 médicos com 21 especialidades. O número de faltantes neste período foi de 7.618.

O presidente do Conselho Municipal de Saúde (Comusa), Gustavo Gumz Correia, destaca que fazendo uma avaliação otimista, chega-se a conclusão de que mais da metade da população entende a saúde brusquense como satisfatória (soma de regular, bom e ótimo), ainda mais por ser uma área que costuma receber críticas intensas por parte dos usuários. No entanto, ele lembra que grande parcela da população também fez uma avaliação negativa. “Isso é algo para o qual as entidades devem lutar para melhorar”.

Correia destaca ainda que mesmo se a maioria da população considerasse a saúde da cidade ótima, ainda haveria pontos a serem melhorados. Para ele, os fatores que levaram os entrevistados a avaliarem a saúde como negativa podem ter sido vários como experiências insatisfatórias em hospitais, mau atendimento por parte de profissionais, ausência de medicamentos ou recursos para um caso específico ou demora para as consultas.

Ele também ressalta que a falta de recursos influencia diretamente nas críticas. “De acordo com o mais recente relatório de prestação de contas da Comissão de Finanças do Comusa, a União e o Estado de Santa Catarina, somados, devem neste momento quase R$ 1,5 milhão em verbas para a saúde do município de Brusque”.

O médico considera ainda a alta demanda por serviços do SUS. “O Hospital de Azambuja e a Policlínica central fazem, em conjunto, cerca de 10 mil consultas de pronto-atendimento por mês. Isso equivale a dizer que uma quantidade de pessoas próxima à população inteira da cidade se consulta, em apenas duas instituições, no período de um ano. A imensa demanda, associada a escassez de recursos, contribui grandemente para as impressões negativas que parte da população tem da nossa saúde”.

Dentro da média

A gerente de Saúde da Agência de Desenvolvimento Regional (ADR) de Brusque, Ivonir Zanatta Webster, a Crespa, também avaliou o resultado da pesquisa realizada pelo Município Dia a Dia. Para ela, o resultado está dentro da média, considerando que a área da saúde é extremamente complexa e demanda muitos recursos, por este motivo, o atual momento econômico que os municípios enfrentam influencia diretamente na qualidade dos serviços.

“Fazer saúde é muito caro para o órgão público. Tudo passa pelo dinheiro e, com a crise que vivemos, essa situação se agrava. Estamos com falta de medicamentos, mas não é porque o estado ou o município não queira comprar, é porque o fabricante não está fabricando porque está com dificuldade também”.

Crespa afirma que não julga a saúde do município como ruim ou péssima, já que dentro das limitações é feito tudo possível para garantir os serviços. “Hoje, a saúde é feita com o que a gente tem. É um direito de todos, um dever do poder público, é, mas o dinheiro é finito, então trabalhamos com o que temos. O leque na saúde é muito grande, até tentamos fazer um planejamento, mas ele se quebra a hora que tiver a primeira urgência”.


Principais desafios

Para Giselle, o principal desafio para melhorar a qualidade da saúde em Brusque é a otimização do trabalho com a escassez de recursos. “O fluxo de atendimento vem aumentando, muitas pessoas estão migrando de convênios e de consultórios particulares para o SUS. Em contrapartida, a arrecadação diminuiu e há um atraso dos recursos do governo do estado”.

Correia também considera a obtenção de mais recursos fundamental para a melhoria da saúde. Além disso, a capacitação dos profissionais também é vista pelo médico como prioridade, assim como a orientação da população sobre a forma correta de utilização do pronto-atendimento. “Queixas não urgentes podem ser resolvidas em consultas agendadas e não no pronto-atendimento, isso ajudaria a reduzir o tempo de espera dos pacientes com problemas mais graves e urgentes”.


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