Falta de segurança preocupa moradores da estrada da Fazenda, no Bateas

Rua entre Brusque e Itajaí, com poucas residências, é utilizada como rota de fuga de criminosos

Falta de segurança preocupa moradores da estrada da Fazenda, no Bateas

Rua entre Brusque e Itajaí, com poucas residências, é utilizada como rota de fuga de criminosos

Transitar à noite pela rua Abraão de Souza e Silva, conhecida como estrada da Fazenda, no Bateas, se tornou um problema para os moradores. E não é à toa: a via já foi cenário de crimes que chocaram a cidade nos últimos anos e está na rota de fuga de criminosos.

O fato de estar próxima ao limite com Itajaí e ser acesso rápido aos municípios de Gaspar e Camboriú estão entre os problemas indicados pelas autoridades. O número reduzido de residências e empresas, além da escuridão à noite pela fala de iluminação pública adequada, transformam a rua em local ideal para a ação de bandidos.

O último caso grave foi no dia 21 de maio, quando o corpo de Elisiane Raquel Gomes do Amaral, 38 anos, foi abandonado às margens da rua, após ser assassinada pelo marido Ademar do Amaral, 43, por ciúmes.

A moradora Luzia Dognini Correa, 54 anos, conta que já foi surpreendida três vezes por assaltantes, que a esperavam escondidos no mato. Por sorte, em nenhuma das vezes os criminosos conseguiram concretizar o roubo. “Mas só o susto que a gente leva já é o suficiente”, afirma. Ela avalia que mesmo com as constantes rondas da Polícia Militar, os bandidos não se intimidam.

Maria Salete Correa, 49, também se sente insegura morando no local e reluta em deixar a casa sozinha. Há duas semanas, o carro do irmão foi furtado durante o dia, de dentro da garagem, a poucos metros de sua residência.

Há cerca de um mês, foi realizada troca de algumas lâmpadas de postes por algumas mais potentes. No entanto, o maior problema não foi resolvido: em alguns trechos, não há iluminação. Durante a noite, portanto, a escuridão é total.

Desde que nasceu, Elton Assini, 31, mora e trabalha na estrada da Fazenda e percebe que a criminalidade no local aumentou nos últimos anos. “Durante o dia não percebo muitos problemas, mas à noite a insegurança é grande”, diz.

Para a moradora Andreia Assini Becker, 40, além das rondas realizadas por policiais, ela analisa que a própria prefeitura deveria se mobilizar e colocar empresas de monitoramento para vigiar o local. “É uma rua que tem poucas casas e são bem distantes uma das outras, entre 300 a 400 metros de distância. Mas nem por isso tem que ficar abandonada”, diz.

Ela revela ainda que como a rua faz limite com Itajaí, quando os moradores cobram soluções para os problemas ao poder público, uma prefeitura costuma “empurrar” para a outra. “Não é somente a questão de insegurança da rua, tem ainda o problema de pavimentação, que é horrível. Quando chove piora ainda mais”.

Andreia diz que qualquer medida que possa trazer mais segurança à comunidade é bem-vinda. “Hoje vivemos com medo. A cada carro que passa devagar na frente de casa, mesmo que seja por conta dos buracos, já é motivo de alerta”.


Trabalhadores do primeiro turno ficam acuados

Os funcionários da empresa HG Têxtil também sofrem com os problemas da rua. Isto porque aqueles que iniciam no primeiro turno, ainda pela madrugada, sentem-se acuados em transitar pelo local.

O técnico de segurança no trabalho, José Carlos de Souza Vieira, 55, conta que, para piorar, a rua está em más condições de tráfego, com vários buracos. “Essa situação pode causar até mesmo um acidente, pois se desviar de um buraco, pode se chocar com outro carro, ou então sofrer uma queda de moto”, diz.

Apesar de nunca ter havido uma situação de criminalidade envolvendo um funcionário da empresa, Vieira revela que o último caso de violência ocorrido na rua, com a desova do corpo de mulher assassinada, deixou as pessoas bastante amedrontadas. Na empresa, há um completo sistema de segurança, com câmeras de monitoramento no pátio e na parte interna. Porém, não há câmeras direcionadas à estrada.

Falta de câmeras prejudica investigações

Os problemas de infraestrutura da rua prejudicam até mesmo as investigações da Polícia Civil. O delegado da Divisão de Investigação Criminal (DIC), Alex Bonfim Reis, afirma que os crimes na estrada da Fazenda são difíceis de ser apurados, assim como em outros locais afastados do município.

“A inexistência de câmeras de monitoramento, a iluminação ruim e os pouquíssimos moradores na rua, que ainda são afastados, atrapalham nosso trabalho”.

Ele ressalta que esses problemas facilitam que um criminoso não seja visto, até mesmo pela dificuldade de se ouvir alguma coisa ou flagrar qualquer ação. “Aquele local é tão preocupante como qualquer outro local afastado do Centro”.

Local é rota de fuga para criminosos

A Polícia Militar busca auxiliar a comunidade com rondas, especialmente em horários com maior incidência de ocorrências. Como a via faz fica próxima a Itajaí, a PM de Brusque atua dentro do limite do município, para em caso de flagrantes, poder encaminhar para a Delegacia de Polícia Civil de Brusque e não precisar se dirigir à cidade vizinha.

O comandante do 18º Batalhão da PM, tenente-coronel Moacir Gomes Ribeiro, explica que a via é bastante utilizada como rota de fuga para os criminosos que cometem crimes não somente em Brusque, mas na região. “Fizemos um roteiro de atendimento por meio das estatísticas, em que temos uma projeção de maior número de ocorrências e horários”.

Para Gomes, não é possível dizer se houve um aumento de ocorrências na região, pois os casos oscilam dependendo da época do ano. “Às vezes tem uma quadrilha que faz de três a quatro furtos na semana ou no mesmo dia e usam a via para escoamento, gerando uma estatística maior. Porém, há momentos em que não ocorrem furtos nessa região”.

Prefeitura aguarda autorização para iniciar pavimentação

A Prefeitura de Brusque está a poucos passos de iniciar o projeto de pavimentação da rua Abraão de Souza e Silva, garante o vice-prefeito Ari Vequi. Isto porque toda a documentação já foi enviada à Caixa Econômica Federal, em Blumenau, para aprovação.

Assim que houver a liberação, que deverá ocorrer em 30 dias, a prefeitura iniciará o processo de licitação, com previsão de 60 dias, para contratar a empresa para execução da obra.

O projetista do Departamento Geral de Infraestrutura, Alex Gonçalves, informa que o projeto com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) inclui pavimentação asfáltica, drenagem, calçadas e sinalização.

Serão 2 quilômetros de obra, que iniciará na ponte de acesso a Itajaí, em direção a Brusque.
Na parte inicial ainda será feito um novo acesso à ponte, com uma rotatória. Os terrenos existentes no local já foram desapropriados. Segundo Gonçalves, a pista será de 7 metros com passeio de 2,5 metros. Alguns trechos precisarão passar por adequação.

Além disso, no trecho em que está o terreno da prefeitura destinado à construção da Vila Olímpica, será feito um acostamento já prevendo as futuras instalações no local.

Iluminação está nos planos
O projeto do PAC não prevê instalação de iluminação pública. Entretanto, o vice-prefeito explica que assim que a obra estiver na etapa de construção de meio-fio, a prefeitura, com recursos próprios do Cosip – contribuição arrecadada da população com esse fim -, se responsabilizará pela expansão da rede.

“É um trecho da cidade que nos preocupa. Com a obra de duplicação da rodovia Antônio Heil, aumentou bastante o movimento naquele local e a comunidade já esteve reunida conosco, junto com os empresários”. Com a obra na rua, Vequi acredita que haverá redução de velocidade, o que colaborará para o trânsito local.

 

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