O reflexo mais duro da falta de investimentos em rodovias são as vidas perdidas. Levantamento da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc) mostra que o estado tem o maior índice de acidentes a cada 100 quilômetros entre os estados brasileiros.

O cenário negativo também é verificado na rodovia Antônio Heil (SC-486), no trecho entre Brusque e Itajaí. De acordo com a Polícia Militar Rodoviária (PMRv), foram 33 mortes de janeiro de 2013 até junho deste ano.

O maior número de mortes foi registrado em 2013, quando 13 pessoas perderam a vida na rodovia. No ano seguinte, caiu para sete.

A quantidade de mortes voltou a crescer em 2017, já com a rodovia em obras. Neste ano, por enquanto, somente uma pessoa morreu.

O sargento Marcelo Vieira Ramos, comandante do posto de Gaspar da Polícia Militar Rodoviária, diz que esses acidentes fatais tendem a se tornar mais raros com a duplicação.

Ele avalia que há dois tipos principais de acidentes fatais: colisão frontal e abalroamento transversal. “Teve vários acidentes com colisão frontal, que acontece quando as pessoas fazem ultrapassagem em pista simples e, por um excesso de confiança ou abuso, acabam colidindo frontalmente. É sempre grave”, diz o sargento.

Já o abalroamento transversal é quando um veículo está cruzando a pista e é atingido pelo outro na porta. O policial rodoviário afirma que esses acidentes também costumam ser graves e muitos têm mortes.

A obra de duplicação deixará a rodovia mais segura, na avaliação do sargento. “Não tenho dúvidas que deixará o trânsito mais seguro por ser duplicada e por ter mureta central, que divide os fluxos”.

O policial rodoviário reconhece que existem problemas que precisam ser resolvidos. Por exemplo, alguns locais onde não existem passarelas para a travessia de pedestres.

“Há que se melhorar com certeza a travessia de pedestres por meio de passarelas. Mas do ponto de vista rodoviário e quantidade de acidentes atendidos, certamente o que já está ali dá mais condições de segurança”, diz o sargento Vieira Ramos.

Estado violento
O levantamento da Câmara de Transporte e Logística da Fiesc mostra que Santa Catarina tem índices ruins com relação a acidentes. O trecho catarinense da BR-101 foi o mais violento do país em 2017.

Ainda segundo a Fiesc, a relação entre a extensão das rodovias federais e o número acidentes é de 4,5 no estado, bem acima da média nacional: 1,5. Também em 2017, 381 pessoas morreram em BRs no estado. É o quinto maior número do Brasil.

Se somados os óbitos registrados nas rodovias estaduais, a quantidade de mortes nas rodovias do estado sobe para 647. Foram 18.955 acidentes, uma média de 52 por dia, em 2017.

Acidentes custaram 21,5 bilhões em dez anos

A pesquisa da Fiesc também contabilizou o impacto financeiro que os acidentes, as mortes e os feridos têm nos cofres públicos. De 2005 a 2015, o custo social estimado no estado foi de R$ 21,5 bilhões.

De acordo com o levantamento, o custo para a sociedade é grande. Um terço do orçamento dos hospitais dos grandes centros urbanos é gasto somente com acidentes de trânsito.

O impacto também é sentido diretamente pela indústria. A Câmara de Transporte e Logística exemplifica que o acidente causa o afastamento do funcionário por dias ou meses.

Além disso, é necessário gastar no treinamento de um substituto. Com isso, existe a perda de produtividade. A empresa também acaba tendo de gastar com questões burocráticas e de seguros.

Mais investimento
De acordo com a Fiesc, a solução para tirar Santa Catarina desta lista de estado violento é investir. A entidade cobra que o governo use a quantidade de acidentes fatais como parâmetro para investimento em obras.

A Câmara, no estudo, também solicita que o estado tenha um programa permanente de manutenção das rodovias, seja por Participação Público-Privada (PPP) ou concessões.


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