Fim das saídas em Itajaí e crise provocam queda nas vendas de pacotes de cruzeiros

Com alteração, o local mais próximo para embarque de passageiros é Santos (SP)

Fim das saídas em Itajaí e crise provocam queda nas vendas de pacotes de cruzeiros

Com alteração, o local mais próximo para embarque de passageiros é Santos (SP)

A saída de Itajaí da rota de cruzeiros marítimos na temporada 2016/2017 tem impactado diretamente as vendas de pacotes nas agências de Brusque. A Pullman, empresa que operava com dois navios no porto itajaiense, desistiu de trazer as embarcações, com isto, o principal ponto de embarque para os brusquenses acaba sendo Santos (SP).

A Pullmann operava com os navios Zenith e Empress em Itajaí, mas a companhia decidiu levar estas embarcações para outros roteiros. A Prefeitura de Itajaí busca novos interessados em trabalhar no porto, contudo, esbarra na infraestrutura. O local não tem espaço para barcos muito grandes.

“Houve uma queda em relação ao ano passado porque não tem mais a saída de Itajaí”, diz Willian Munch, diretor da Sierratur Viagens e Turismo. Ele afirma que muitos clientes que faziam cruzeiros buscavam roteiros com partida de Itajaí por causa da comodidade. Eles podiam ir até o local de carro e não precisavam gastar a mais com passagem de avião, tampouco tinham de passar horas e horas no carro.

Roberto Tomasoni, proprietário da Tomasoni Viagens e Turismo, concorda que a saída de Itajaí da rota de cruzeiros tem impacto nas vendas. Porém, o empresário também lista outros problemas, dentre os quais o dólar alto. A moeda americana é usada para calcular os valores tanto das passagens aéreas quanto os custos dos cruzeiros marítimos. Como houve uma grande valorização, com a moeda chegando a R$ 4 há poucos meses, o reflexo foi direto nos valores.

Outro fator listado por Tomasoni é a crise nacional. As pessoas estão mais contidas na hora de comprar. “As pessoas até tem interesse em cruzeiros internacionais, mas quando se faz a conversão acabam escolhendo os destinos nacionais”, afirma. A vantagem é que os gastos por aqui são todos em reais.

Ricardo Roslindo, proprietário da Geneve Viagens, acredita que o movimento fraco deve-se muito mais à crise. “Tem procuras para 2016/2017, tem consultas. Mas as vendas estão bem fracas. O pessoal dá uma segurada”, diz. Para ele, o fato de não ter saída de Itajaí não tem tanta influência porque os cruzeiros que atracavam ali eram menores e mais simples.


Praias, centros comerciais e belas paisagens

Até mesmo pelo alto valor do dólar os destinos nacionais estão entre os mais procurados. Munch, da Sierratur, diz que os destinos nacionais mais procurados, no momento, são os que têm saída de Santos e passam por Ilhabela, Rio de Janeiro, Salvador e outros locais na região.

Na Tomasoni Viagens e Turismo, os roteiros que passam apenas no Brasil também estão entre os preferidos. O proprietário da agência diz que o principal atrativo do cruzeiros para os clientes que buscam relaxar nas férias é o preço. Enquanto as viagens normais tem preço um pouco mais elevado, no caso dos cruzeiros o pacote, em geral, é mais barato.

Tomasoni destaca outra característica dos cruzeiros: a quantidade lugares visitados. Em vez de passar alguns dias numa só cidade, o turista pode conhecer várias capitais, praias e outras regiões em pouco tempo.

Destinos internacionais

Há uma infinidade de roteiros internacionais de cruzeiros marítimos. Existem navios que partem do Brasil para a América do Sul e até mesmo para a Europa. Na Sierratur, o pacote internacional predileto dos clientes é o que passa por Cartagena (Colômbia) e segue pelo Caribe. No entanto, as operadoras oferecem opções que saem de Santos e, por exemplo, terminam em Savona, na Itália. São 19 dias cruzando o Oceano Atlântico e parando na Espanha, França, Marrocos e outros países.


“Vale muito a pena”

Há uma concepção equivocada de que os cruzeiros marítimos são voltados para o público mais velho, conforme os agentes consultados. Roslindo, da Geneve, afirma que isto não se reflete nas vendas e nem no alvo das operadoras. Há roteiros e navios com várias atrações e destinos.

Tomasoni afirma que os cruzeiros tem a característica de uma forte presença de famílias. “O principal mix é de famílias. O público é passageiro que quer comodidade, ter piscina, e às vezes, não quer nem sair do navio”. Ele também avalia que muitas pessoas já acostumadas a viajar optam pelos cruzeiros para poder conhecer lugares diferentes.

O diretor da Sierratur afirma que a concepção de que cruzeiro é “coisa de velho” não tem fundamento. Um exemplo são as operadoras dos navios. A Costa e a MSC, que são as maiores do Brasil, contam com atrações para vários públicos. Os jovens gostam mais da MSC, diz ele, em relação à Costa, que é um estilo mais clássico e chique.

Felipe Ciwinski, 24 anos, fez um roteiro com saída de Santos e já programou a próxima viagem. Ciwinski viajará com a namorada e um grupo de cerca de 100 pessoas de Santa Catarina, São Paulo, Minas Gerais e Distrito Federal. A companheira dele é de Goiás e conhece pessoas destes estados. Eles buscaram levar mais pessoas conhecidas. “Ir com conhecidos é mais divertido”, diz.

“Vale muito a pena cruzeiro. É um sonho que você vive lá, o atendimento é diferenciado”, resume Ciwinski. Este é a época de comprar os pacotes dos cruzeiros, que começam a zarpar no fim do ano e seguem até março de 2017.

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