João José Leal

Promotor de Justiça, professor aposentado e membro da Academia Catarinense de Letras - joaojoseleal@omunicipio.com.br

Fotos antigas de Balneário Camboriú

João José Leal

Promotor de Justiça, professor aposentado e membro da Academia Catarinense de Letras - joaojoseleal@omunicipio.com.br

Fotos antigas de Balneário Camboriú

João José Leal

Faço parte do grupo de Fotos Antigas e História de Balneário Camboriú, criado em 2015 e administrado pelo brusquense, Aloísio Haendchen Filho. De vez em quando, consulto o acervo das fotos ali postadas no Facebook. Isso, me faz bem. Principalmente, as fotos em preto e branco. As coloridas referem-se a um tempo mais próximo e fica a sensação de que se trata de uma imagem que ainda guardamos na retina da nossa memória.

Gosto das fotos panorâmicas que mostram uma Camboriú sem edifícios, a selva de pedra e concreto do progresso a qualquer preço uma realidade ainda distante, as poucas casas de madeira espalhadas ao longo do balneário, a praia quase deserta, com poucos banhistas na água e outros poucos caminhando na areia. A sensação é de que caminham sem pressa, lenta e tranquilamente. Gosto de ver as fotos mostrando o Marambaia que, um dia, já foi um rio-quase-lagoa, de águas limpas, criadouro de peixes, estendendo-se desde a área central até o Pontal Norte.

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Faz bem ver a imagem das primeiras casas de madeira, construídas em frente ao mar. Aproveitar o espaço era preciso, numa época de vida solidária, casa de praia quase-pensão, parentes e amigos se auto-convidando para um fim de semana de sol, sombra, água fresca e muita curtição no balanço das ondas do mar. Hoje, essas primeiras fotos são as nossas testemunhas da presença da arquitetura ítalo-germânica do Vale do Itajaí e, também, da nossa Brusque, transplantada para a orla litorânea.

É bonito e gosto de ver as fotos da década de 40, tempo da grande guerra na Europa. A família reunida, maiôs cobrindo todo o tronco da mulher-amélia e calções até o joelho, traje praiano de um tempo da pudicícia, sem biquinis, muito menos fio dental. A gurizada fazendo careta, uns até chorando porque máquina fotográfica era uma geringonça que assustava inocentes crianças mais novas.

São interessantes, também, as fotos das donzelas em maiô, sentadas na capota de um automóvel, então objeto de luxo, privilégio de pouco abonados. Não somente elas. Os homens, calção comprido, cabelos com mecha caindo na testa, ray-ban modelo aviador para impressionar a plateia, também preferiam o automóvel como pano de fundo para as fotos praianas.

Gosto de olhar fotos em preto e branco das famílias, os pais e seus numerosos filhos recém-chegados na praia em piquenique, reunidos para o primeiro instantâneo. Todos ainda em traje de passeio e sapatos nos pés. O pai, olhar severo, não raro carrancudo, envergando o terno da missa, às vezes com gravata e chapéu na cabeça.

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A mãe, aquele longo cabelo em seu penteado dominical, enfrentando a lente da Rolleiflex com seu olhar maternal. A numerosa prole com os guris de calças curtas e as meninas com seus vestidos e saias compridas, completando a cena fotográfica.

Para mim, as fotos antigas carregam consigo um pouco de magia, de mistério. Contemplá-las, é como navegar na barca da saudade para vivenciar um pouco das emoções e das paixões de um passado que não voltará.

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