Desde 1999, um grupo de amigos se reúne para cozinhar e apreciar gastronomia. É a Confraria Chef Ciríaco, formada por 20 amigos que, há quase 20 anos, decidiram aprender e se dedicar cada vez mais à cozinha.

Tudo começou como um desafio ao qual se propuseram. À época, com a iniciativa de Luciano Santos e Sidnei Marin, o grupo realizou cursos de culinária com o chef Ciríaco Lima de Borba, que era coordenador do curso de Gastronomia da Universidade Regional de Blumenau (Furb). “Como cada um gostava de cozinhar e sabia um pouco, surgiu a ideia de nos aprofundarmos. Começamos com aulas de culinária francesa com o chef Ciríaco, e é daí que vem o nome”, conta Carlos Kühn, um dos confrades fundadores. As aulas foram realizadas no Senac em Brusque, que tinha a estrutura necessária para comportar os cursos que eles queriam realizar.

Depois do primeiro curso com o chef, fizeram mais dois: um focado em molhos e outro, em culinária italiana. Após o término das aulas, para não abandonar o aprendizado, os amigos decidiram montar um clube para se encontrar e cozinhar uns para os outros. Composta apenas por homens, a Confraria se reúne uma vez por mês e, desde 1999, nunca repetiu um prato servido nos jantares.

“Quisemos fazer uma coisa para ser levada à sério. Por isso, mais do que um clube, somos uma Confraria”, diz Kühn. “Claro que é uma reunião entre amigos, para relaxar e se divertir, mas não é brincadeira.” Os pratos são fotografados e publicados em uma página no Facebook, que leva o mesmo nome da Confraria.

Desafio constante
Por ter iniciado como um desafio, a essência da Confraria permanece a mesma: mensalmente, nos encontros, os cozinheiros selecionados precisam escolher um prato inédito e oferecer aos colegas. De acordo com Kühn, a ideia é sempre fazer algo diferente e fugir do trivial.

A busca por novas receitas e pratos inusitados fez com que os amigos se tornassem, também, cada vez mais minuciosos em relação à gastronomia. “No início, tudo era mais desafiador. Conforme o tempo passou, ficamos mais críticos”, conta.

O atual presidente, Leandro Moresco, ressalta que os confrades levam a culinária praticada na Confraria quase como uma profissão. “Levamos muito a sério. Temos um grupo bem empenhado e que apresenta pratos diversificados, que poderiam ser servidos em qualquer restaurante.”

Sobremesa Île Flottante, um clássico da culinária francesa, preparada por integrantes da Confraria. | Confraria Chef Ciríaco

Os jantares da Confraria são compostos por, no mínimo, três pratos: entrada, prato principal e sobremesa, e são preparados por quatro integrantes, sorteados para serem os responsáveis pela refeição. Cerca de vinte dias antes da data marcada, os cozinheiros realizam uma “prévia”, preparando as receitas, testando, para que tudo esteja perfeito no dia em que forem apresentadas aos colegas.

“Os outros comensais, que não estiverem cozinhando, não sabem qual será o cardápio, é sempre uma surpresa. E, independentemente de ser uma receita mais cara ou mais barata, mais simples ou mais elaborada, valorizamos muito o sabor. Um prato que é bonito, mas não tem sabor vai por água abaixo.”

Para Moresco, o diferencial da Confraria é valorizar, também, o inusitado e os pratos diferentes, que demandam técnicas de culinária e ingredientes que não são utilizados no dia a dia. Um prato que ele recorda de ter experimentado em um jantar foi o ouriço do mar, servido cru. “Não era gostoso, mas era interessante. Nem sempre dá pra juntar a técnica ao prato saboroso.”

Ao fim da refeição, os confrades conversam sobre as receitas servidas e fazem um momento de troca de ideias entre os comensais e os convidados. “Já fomos mais críticos uns com os outros, hoje somos mais brandos e melhoramos os elogios. Afinal, temos que melhorar, não nos diminuir.”

O presidente do grupo conta que, nessa sessão de diálogo após o jantar, já aconteceram até algumas brigas. “Mas todos os presentes sabem que são as críticas construtivas e as sugestões que fazem a Confraria crescer”, pontua.

Sempre em busca de receitas inovadoras e desafiadoras, os confrades, às vezes, precisam comprar ingredientes de fora de Brusque e até mesmo do estado. “Acho que todos os pratos que existem nós já fizemos”, ri Kühn. “No início, para não repetir, comprávamos livros e assinávamos revistas de culinária. Hoje, com internet, ficou bem mais fácil.”

Como o jantar é servido à francesa, quando há 25 pessoas presentes, são utilizados, no mínimo, 75 pratos. Isso tudo além da quantidade de talheres, copos, panelas para a preparação dos alimentos. Por isso, o grupo faz as reuniões na Toca do Boos, espaço de propriedade de um dos integrantes da Confraria, que tem um fogão industrial e a estrutura necessária para a preparação e realização do jantar. “Para a limpeza, contratamos pessoas. A bagunça que fica não é pouca”, ri Kühn. “Quando acaba a conversa, a gente fecha e vai embora.”

O grupo é seleto: apenas os responsáveis por cozinhar podem levar convidados e, para ser um membro confrade, é necessária indicação e aprovação unânime dos colegas. “Se alguém sai do grupo, abrimos uma vaga, e qualquer um de nós pode indicar alguém. Os indicados passam por uma avaliação, precisam ter noções de cozinha, ter uma base na culinária. E todos têm que estar de acordo.”

Clique no seu prato preferido e aprecie!
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