Marília da Silva tem 30 anos e é mãe de quatro crianças nascidas de gestações de gêmeos. As primeiras foram Isabela e Isadora Baumgartner, 9, depois vieram Sarah Antonella e Pedro Henrique Baumgartner, 7.

Ela tinha 20 anos quando descobriu a primeira gravidez. Na época, não imaginava que teria gêmeos, mesmo sabendo que sua avó e bisavó tiveram gestações gemelares. Ela sempre quis ser mãe, mas foi pega de surpresa com a novidade.

“O fato de ser mãe já era um susto para mim. Quando o médico disse que era gêmeos eu quase caí para trás. Mas foi só no começo, depois era legal, era uma novidade ter elas e fiquei bem feliz”, revela.

Isabela ao lado esquerdo da mãe Marília da Silva e Isadora na ponta direita / Foto: Eliz Haacke

Para Marília, a gestação das meninas foi tranquila, apesar de vomitar a cada 15 minutos. Ela chegou a ter um banheiro exclusivo no trabalho. A mãe lembra que os colegas da empresa fizeram um bolão para adivinhar o sexo da criança e apenas uma pessoa apostou que seriam gêmeos.

A mãe dela, Maria de Lourdes da Silva, 58, ficou desesperada com a notícia da primeira gravidez, pois a filha era muito nova. Hoje, dona Maria é peça essencial para a criação das crianças.

As meninas bivitelinas nasceram no dia 10 de setembro de 2009. A primeira a vir ao mundo foi Isabela.

Tudo de novo
Se na primeira gravidez Marília foi surpreendida, na segunda a surpresa foi ainda maior. Ela tomava anticoncepcional na época, mas precisou tomar antibiótico para fazer tratamento das amígdalas. O medicamento cortou o efeito do contraceptivo e Marília engravidou novamente.

O médico Paulo Ricardo Soares de Souza, que cuidou da gestação anterior, disse para Marília que provavelmente ela tinha errado nos cálculos e, portanto, não esperava dois bebês. “Ele mediu o tamanho do útero e falou que eu já estava com cinco meses. Eu disse que estava com três meses”, lembra.

Ele pediu para a mãe fazer um ultrassom que mostraria a data certa da gravidez. O responsável pelo exame perguntou se existiam casos de gemelares na família e Marília contou que já tinha gêmeas.

Sarah Antonella e Pedro Henrique são gêmeos univitelinos / Foto: Eliz Haacke

“Ele disse ‘parabéns, porque são gêmeos de novo e dessa vez vem um menino’. Eu achava que era mentira, ninguém acredita quando eu contava”, lembra.

Antes de apresentar o resultado dos exames ao ginecologista, ela perguntou se era possível ter uma gestação gemelar novamente e ele garantiu que era difícil. O médico não acreditou quando viu os resultados.

O casal univitelino nasceu no dia 13 de outubro de 2011 e Sarah foi a primeira a chegar ao mundo. Logo após o nascimento deles, Isabella e Isadora ficaram um pouco enciumadas e a mãe precisou tratar as duas como bebês para agradar a todos.

Criação igualitária
Para cuidar das quatro crianças, Marília contou com a ajuda dos pais. Quando estava com seis meses de gravidez, ela se separou do companheiro e pai das crianças e voltou a morar com os pais. Não fosse eles, Marília não conseguiria trabalhar para sustentar os filhos. Ela recorda que uma lata de leite em pó durava dois dias, além da grande quantidade de fraldas.

Da esquerda para direita: Isabela, Sarah, Pedro e Isadora / Foto: Arquivo pessoal

Para Marília, a segunda gestação foi a mais difícil. Ela confessa que a primeira experiência foi diferente, mas como estava com o pai das crianças e seria mãe, conseguiu lidar com o turbilhão de emoções. Na segunda vez, ela já sabia das dificuldades e com a separação tudo ficou um pouco mais complicado.

Marília precisou criar uma rotina com as crianças. Eles estudam de manhã na escola João XXIII. A mãe leva eles e depois vai trabalhar. À tarde eles fazem as tarefas e brincam. À noite, quando ela chega do trabalho, revisa as tarefas e aproveita para estudar para prova junto com eles.

Segundo a mãe, cada criança tem uma característica única. Isabela é mais quieta e adora estudar e Isadora já prefere fazer bagunça. Enquanto isso, Sarah e Pedro são mais parecidos. Os dois são cúmplices um do outro e adoram aprontar juntos.

Hoje, quando vai comprar alguma coisa para um precisa fazer um orçamento para comprar para os quatro. “Se eu vou comprar um vestido para uma, eu tenho que comprar para as outras também, além de uma roupa para o Pedro. O desafio é porque eles têm quase a mesma idade, mas por outro lado é bom”, afirma.

Apesar das dificuldades diárias, Marília confessa que os filhos são a razão de viver. “É por eles que eu estou trabalhando, eles estão em primeiro lugar. São a minha vida. Dão trabalho, mas é recompensador”, revela.

Todos moram com dona Maria e Ivo da Silva, pais de Marília e avós das crianças / Foto: Eliz Haacke

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– Unidas pela maternidade
– O ABC da psicóloga
– As três Marias de São João Batista
– Gerações de gêmeas
– Vencendo a morte
– Rua dos cinco gêmeos 
– Superação após a perda 
– Os meninos da casa

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